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Uma tão grande salvação - Parte 3
Uma tão grande salvação - Parte 3

Uma tão grande salvação

B. Hole

3. A REDENÇÃO

Assim como o Evangelho proclama o perdão e a justificação, também revela Deus como o Redentor.

Deus quer libertar o homem de todas as formas de escravidão nas quais se debate. A lista é muito triste: paixões que o governam, diversos temores -em particular o temor da morte - , obrigações religiosas ou mundanas e, acima de tudo, submissão ao poder do diabo, tanto por meio de ideologias como mediante práticas supersticiosas. Que necessidade o homem tem de ser liberto! No estudo da justificação, encontramos a noção de tribunal divino; agora, ao considerar a redenção, vemos aparecer a noção da escravidão do homem. Diversos tipos de forças o submetem e fazem-no perder o destino que Deus lhe reservara. Ser resgatado é ser tirado de um triste estado do qual alguém não pode sair só. O redentor - dito de outra maneira, o resgatador - é aquele que nos liberta e nos permite gozar das bênçãos divinas.

A redenção pela retribuição ou pelo pagamento de um resgate

O Antigo Testamento freqüentem ente fala da redenção, em particular nos livros de Êxodo, de Rute e de Isaías. Às vezes ela consiste numa libertação que foi adquirida por meio de uma vitória, a saber, uma retribuição (ou desforra), mas também pode ter sido obtida por meio de pagamento de resgate.

No livro de Êxodo temos o grande exemplo da redenção. O povo de Israel tinha sido escravizado no Egito durante muitas gerações, mas Deus disse: “... vos resgatarei com braço estendido e com grandes manifestações de julgamento" (Êxodo 6:6). Este foi um caso de redenção, no qual os egípcios foram retribuídos pelos ultrajes infligidos a Israel.

Efetivamente, quando todas as pragas caíram sobre o Egito e o exército de Faraó foi com­pletamente destruído, vemos como Israel canta ao Senhor: "Na tua beneficência guiaste o povo que remiste" (15:13, IBB).

A redencão por meio de pagamento de resgate aparece com destaque no livro de Rute. Elimeleque tinha deixado o país de. Israel pelas terras de Moabe, onde morreu, tal como seus filhos. Nestas circunstâncias, a propriedade de Elimeleque corria o risco de passar para o poder de outros, caso em que sua mulher e sua nora Rute podiam ver-se condenadas à miséria. Semelhante desastre foi evitado porque Boaz, agindo como parente com direito a resgate, pagou pela propriedade e assumiu a obrigação de perpetuar o nome do finado s obre a herança dele, ou seja, tomou Rute por Sua esposa ·(Lv 25:25-27, 47-52; Rute 3:11-13; 4:1-11).

A futura redenção de Israel

No livro de Isaías, a redenção é apresentada como vindoura. Israel está esmagado pelas nações, visto como um "verme", mas Deus se apresenta a ele como seu "Redentor ... o Santo de Israel", "Senhor dos Exércitos", "o Poderoso de Jacó" (Isaías 41: 14; 47:4; 49:26).

Ao longo de vários capítulos, Deus fala de redenção até um momento ainda futuro, no qual, saindo como vencedor do meio de Seus inimigos destruídos, exclama: "Porque o dia da vingança me estava no coração, e o ano dos meus redimidos é chegado" (ls 63:4). A redenção final de Israel significa a execução da vingança sobre todos os seus inimigos. Mas esta só ocorrerá depois de um período de severas provas para o povo (Lc 21:28).

Não obstante, entre estes capítulos de Isaías que falam de uma redenção ainda futura, encontramos uma extraordinária profecia sobre uma redenção de natureza muito mais profunda. Deus havia declarado: "Por nada fostes vendidos; e sem dinheiro sereis resgatados" (Is 52:3). Então é-nos apresentado o bem­-aventurado Servo do Senhor, que sofre e morre pelo povo e cuja alma é uma oferta pelo pecado. Mais adiante lemos: "Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem, diz o Senhor" (Is 59:20), porém isto ocorrerá após Ele tê-los resgatado sem dinheiro, como fruto do trabalho de Sua alma. Efetivamente, a redenção por poder está fundada sobre o amor manifesto na cruz. Fato este que já fora visivelmente ilustrado na oferta do cordeiro pascal que precedeu à libertação do jugo do Egito (Êx 12; ver também 1 Pe 1: 18-20). Pois bem, estes diferentes aspectos da redenção são desenvolvidos no Novo Testamento.

O fundamento da redenção

O homem é escravo do pecado, está "vendido à escravidão do pecado" (Rm 7:14; ver também Jo 8:34). Este é o ponto fundamental pelo qual ele necessita de redenção.

Se desde o começo a epístola aos Romanos fala sobretudo de nossa condenação perante Deus, também contém o pensamento de nossa escravidão com respeito ao pecado quando o apóstolo diz que tanto os judeus como os gregos estão "debaixo do pecado" (Rm 3:9). Estar debaixo do pecado significa estar sujeito a ele, estar debaixo de seu poder. Mais adiante, a redenção é mencionada em relação à justificação: "justificados... mediante a redenção que há em Cristo Jesus " (Rm 3:24). Com efeito, só uma obra é a base de todas as nossas bênçãos.

Cristo suportou o castigo que os nossos pecados mereciam, e com isso a ira de Deus contra eles foi esgotada. Estamos, pois, justificados. Por outro lado, Cristo deu Sua vida em resgate pela nossa (Mt 20:28; ver também 1 Tm 2:6). Este é o pagamento pelos nossos pecados, de modo que somos Seus resgatados.

Teríamos de pagar a dívida originada pelos nossos pecados com a nossa própria vida, mas Cristo deu a Sua em nosso lugar. Como Ele era sem pecado, não tinha de passar pela morte, mas podia morrer por outros que eram pecadores, a saber, dar a Sua vida como resgate por eles. É a redenção "pelo seu sangue" (Ef 1: 7), o fundamento de todas as libertações do crente. Ela compreende, por sua vez, o resgate da triste dívida de nossos pecados (Tito 2: 14) e a libertação da servidão do pecado, isto é, da força do mal que habita em nós (Rm 8:2-3).

A libertação da lei e do mundo

A obra redentora de Cristo também é apresentada na epístola aos Gálatas: "Cristo nos resgatou da maldição da lei" (GI 3: 13). Havia uma maldição pronunciada contra aquele que não praticava a lei. Cristo nos redimiu desta maldição pagando em nosso lugar. Ele, o único a cumprir a lei, deixou-Se cravar na cruz, e foi feito assim "maldição em nosso lugar" (GI 3:13).

Contudo, ainda era necessária outra coisa. Não somente estávamos debaixo de maldição, mas a lei também nos tinha sob servidão. Como judeu, o apóstolo disse: "estávamos servilmente sujeitos aos rudimentos do mundo" (GI 4:3). Para os gálatas não judeus, emprega uma expressão semelhante: os "rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis ainda escravizar-vos" (GI 4:9). Tanto os judeus como os gentios estavam igualmente sob a escravidão dos princípios do mundo. Os judeus pretendiam respeitar a lei de Deus, os gentios tinham uma religião idólatra, porém todos estavam debaixo do mesmo princípio legal, princípio inteiramente do mundo, consistente em querer adquirir por si mesmo o favor de Deus.

Cristo nos resgatou desse jugo legal ao nos dar gratuitamente o que não merecíamos: a posição de filhos de Deus (GI 4:5). Já não há mais esforço que fazer, pois tudo é graça. Nesta nova posição a lei já não tem força sobre nós, pois, estando associados a Cristo, estamos mortos para a lei (GI 2:19).

A libertação do domínio de Satanás

Satanás é o chefe deste mundo.

Para ele, todos os meios são bons para reinar sobre o homem. Utiliza tanto as obrigações religiosas como as mundanas por detrás das quais se esconde. "Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aqueloutro" (CI 2:21), ou pelo contrário, quando nos atrai para "o curso deste mundo" (Ef 2:2; ver também CI 2:8). Todas estas obrigações têm, na realidade, uma mesma fonte, a qual está naquele que é o cruel usurpador. Para melhor dominar, ele se apóia igualmente sobre o sentimento de temor que habita no coração do homem desde a queda, em particular o temor da morte, o qual, durante toda a vida, tem o homem sujeito à escravidão (Hb 2:15).

Porém Cristo nos tem libertado de todas estas formas de escravidão ao ser vencedor de todas as forças adversas. Quando estava na Terra, curava "a todos os oprimidos do diabo" (Atos 10:38) e, na cruz, triunfou publicamente sobre todas as potestades espirituais (CI 2:15). Além disso, Ele nos tem livrado do temor da morte ao reduzir à impotência "aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo" (Hb 2:14).

A redenção de nossos corpos

A redenção obtida por Cristo tem resultados eternos (Hb 9:12), os quais só são visíveis por meio da fé. Satanás, apesar de ter sido vencido na cruz, continua a exercer seu domínio sobre o mundo, e a criação ainda geme debaixo do "cativeiro da corrupção" (Rm 8:21). O próprio crente conserva na Terra o seu corpo de humilhação submetido às enfermidades e à morte; suspira enquanto espera a libertação final.

Felizmente - Deus seja louvado! - a obra de Cristo tem resultados completos: haverá uma redenção final, redenção com poder que se cumprirá quando o Senhor voltar. Para nós então terá chegado "a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo" (Rm 8:23). O Espírito Santo já nos tem selado para esse "dia da redenção" (Ef 4:30) e já nos permite antecipá-lo pela fé (Ef 1:14).

Toda a criação tirará proveito desta redenção corri poder e gozará da "liberdade da glória dos filhos de Deus" (Rm 8:21). Será publicada por toda a Terra uma libertação gloriosa, como a do ano do jubileu em Israel (Lv 25).

Esta redenção com poder nos é apresentada como uma liberdade conseguida por meio de uma vitória, pois está escrito:

"Eu os remirei do poder do inferno, e os resgatarei da morte: onde estão, ó morte, as tuas pragas? Onde está, ó inferno, a tua destruição?" (Oséias 13:14; ver também 1 Co 15:55). Nesse dia feliz, os corpos de todos os santos serão liberados do abraço da morte, o último inimigo. Tudo o que Cristo comprou mediante a Sua morte será arrancado do domínio do usurpado r; então será total a "redenção da possessão de Deus" (Ef 1:14, l.B.B.).

 A finalidade da redenção

Por mais preciosa que seja a redenção, ela não é um fim em si mesma. É antes um meio para que o Senhor possa concluir em nós o Seu propósito de amor.

Deus queria que os filhos de Israel se tornassem a Sua nação particular, um povo de sacerdotes que O servisse na Terra que Ele lhes havia dado. Para isso, teve de resgatá-los e levá-Ios para fora do Egito, a fim de que esse propósito se cumprisse. Não podiam servi­-LO enquanto fossem os escravos de Faraó.

No que diz respeito a nós, o objetivo buscado é de uma ordem muito mais elevada. Deus deseja que sejamos filhos, perfeitos perante Ele em amor. A redenção era necessária como meio para alcançar essa meta (Ef 1:5-7; GI 4:5). Ela também era necessária a fim de que fôssemos feitos "idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz" (Cl 1:12). O Pai busca adoradores e nós somos "sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo" (1 Pe 2:5). Porém antes disso, foi primeiro necessário que fôssemos "resgatados do" nosso "fútil procedimento... pelo precioso sangue... o sangue de Cristo" (1 Pe 1:18-19).

Deus tem preciosos pensa­mentos a nosso favor, mas seu cumprimento só é possível sobre a base da redenção. Em primeiro lugar devemos ser resgatados de todo poder inimigo, para que Deus tenha liberdade de executar os Seus sábios conselhos para o nosso bem e para a Sua glória.

 

Pergunta 1

Desde que existe um aspecto futuro da redenção, é justo afirmar que fomos resgatados? Não deveríamos antes dizer que ainda o seremos?

A Escritura afirma que "temos a redenção pelo seu sangue" (Ef 1:7 e CI 1:14). Portanto, podemos dizer com total segurança que já fomos resgatados. Observemos, não obstante, que se trata da redenção "pelo seu sangue", e sob este aspecto ela pertence ao passado. A redenção de nosso corpo ainda está por vir.

Devemos estar certos de que Deus não deixará a Sua obra sem conclusão. Deus não resgatou os filhos de Israel por meio do cordeiro pascal para logo esquecê-las e abandoná-las ao poder dos opressores egípcios. Todos - inclusive a menor criança - deveriam partir; não deveriam ficar para trás as pessoas nem os bens. Da mesma maneira, Deus terminará a Sua obra a nosso favor. Todos aqueles que foram ou serão resgatados por meio do precioso sangue de Cristo, logo terão seus corpos transformados para ser semelhantes ao do Senhor. Nem tudo está acabado no presente momento, mas já podemos usufruir o fato e a bênção de termos sido resgatados.

 

Pergunta 2

Como se deve entender a expressão de Efésios 1:14: "redenção da possessão adquirida"? (S.B.T.).

Primeiramente devemos fazer distinção entre aquisição e redenção. Podemos dizer que a redenção compreende a aquisição, enquanto muitas vezes a aquisição não compreende a redenção.

Os corpos dos crentes têm sido "comprados por preço" (1 Co 6:20). Mas os falsos mestres têm sido igualmente comprados pelo Soberano Senhor, que os tais negam (2 Pe 2:1). Por outro lado, Cristo comprou o mundo por causa do tesouro que para Ele representam os crentes (Mt 13:44). Por Sua morte, o Senhor obteve o direito de possessão sobre tudo, mas nem todos os homens foram ou serão resgatados.

Contudo, a expressão a "redenção da possessão adquirida" tem um sentido mais restrito. Trata-se' da redenção, com poder, daquilo que o Senhor tem adquirido e que se encontra ao amparo da redenção por Seu sangue. O que o Senhor tem adquirido por Sua morte, entretanto, deve ser liberto com poder do domínio de toda força adversa.

Uma ilustração pode ser encontrada no campo comprado por Jeremias (cap. 32). Esse campo fora adquirido quando era uma desolação e estava em poder dos caldeus. Devia, pois, ser liberto, restaurado, a saber, ser objeto de uma redenção antes de ser cultivado de novo por aqueles a quem o Senhor deveria restabelecer.

 

Pergunta 3

O livro de Rute mostra que, em Israel, certos parentes tinham o direito de redimir (ou resgatar). Teria isso algum significado para nós?

Em Israel, comprar um campo era uma transação que qualquer um podia fazer. Mas não era assim quando a compra trazia o risco de que o bem passasse ao poder de uma família estrangeira. Era necessário ser parente para ter qualquer direito de resgate e a prioridade pertencia ao parente mais próximo.

De maneira similar, nenhum anjo pode redimir o homem, nem um só. Por isso o Senhor Jesus não se fez anjo, mas homem, e assim tornou-se nosso parente redentor. Para efetuar a redenção, Deus apelou a um homem, "a descendência de Abraão" (Hb 2: 14-16). Quão importante, pois, é a perfeita humanidade de nosso Senhor. Ele participou "de carne e sangue", a fim de nos redimir do poder do diabo.

(Continuará)

 

Problemas da Juventude, do Casamento e da Família À luz da Bíblia.