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Uma tão grande salvação 4
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Uma tão grande salvação

f. B. Hole

4. A RECONCILIAÇÃO

Imaginemos que um certo filho tenha fugido de sua casa. Incorreu em culpa; tem necessidade de ser "perdoado". Caso, longe do lar paterno, tenha andado com más companhias, precisa também ser liberto delas; tem de ser "resgatado". E se, sob essas lamentáveis influências, ele repugnou a sua casa paterna? Terá ainda que reconciliar-se com o seu pai.

Da mesma maneira que o perdão e a justificação nos eram necessários por causa da nossa culpabilidade, e como também precisávamos da redenção por termos estado submissos ao pecado, a reconciliação era-nos indispensável porque nos havíamos tornado inimigos de Deus. O pecado nos havia distanciado dEle e o nosso sentimento era de completa indiferença a Seu respeito; estávamos até em franca oposição a Ele. A reconciliação atende a este triste estado ao fazer-nos retomar à presença de Deus e experimentar a perfeita paz e o gozo de Seu amor. É uma das mais positivas bênçãos do Evangelho. Temos de chegar ao Novo Testamento para que ela nos seja apresentada, principalmente em quatro passagens das epístolas do apóstolo Paulo (Rm 5:10-11; 2 Co 5:19; C 11:19-22 e Ef 2:16).

O nosso afastamento de Deus

A justificação foi necessária devido a culpa do pecado e da condenação que motivou. A redenção, por sua vez, por causa da servidão à qual o pecado nos subjugou. E assim também é preciso que sejamos reconci­liados com Deus porque o pecado nos afastou de Deus. O pecado ocasionou que, de nossa parte, os nossos corações se tomassem completamente estranhos a Deus. É o que encontramos em Colossenses 1:21: éramos estranhos e inimigos em nossa mente. Essa antiga condição de "estranhos" é completamente oposta à nova situação: "reconciliados" (Cl 1 :22). A palavra grega que aqui é traduzida por "estranhos" podia ser igualmente traduzida por "afastados" de Deus. Na epístola aos Efésios, encontramos descrito o triste estado do homem natural, o qual se encontra profundamente separado de Deus, a tal ponto que é alheio "à vida de Deus" (Ef 4: 18; ver também Ef 2:2-3). Várias coias são decorrentes desse estado - afastados de Deus - como, por exemplo, a vaidade, as trevas, a ignorância, a cegueira, a lascívia e a impureza. Todas estas coisas são exatamente opostas à vida divina, pois, ao nos afastar de Deus, o pecado nos separa de todas as virtudes que provêm de Deus. Neste estado, nossos desejos não buscam a Deus, não desejamos a luz nem a vida que Sua presença proporciona.

Este afastamento é uma conseqüência da queda no pecado, e já logo ficou evidenciado na conduta de Adão e Eva. Assim que ouviram a voz do Senhor no jardim, se esconderam, pois não podiam suportar Sua presença. Embora Deus tivesse lidado com eles em misericórdia e não os tenha destruído instantaneamente, eles haviam levantado entre Deus e si uma barreira intransponível. Deus confirmou esta condição deles, e, da Sua parte, colocou um barreira - os querubins e a espada inflamada.

1) Lascívia: desejos ligados à sensualidade.                                                                         

Ademais, esta barreira tinha dois aspectos: o homem tinha medo de Deus e o Deus santo não podia suportar mais o homem em Sua presença. Foi assim que o pecado destruiu o prazer que Deus podia encontrar na Sua mais formosa criatura. As coisas se agravaram ainda mais, pois o homem continuou manifestando sua tendência a pecar, o que o colocou num estado completamente insu­portável perante Deus. "Então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração" (Gn 6:6). Antes da queda, o homem, associado ao resto da criação, havia sido declarado "muito bom" (Gn 1:31); agora Deus só podia olhá-lo com uma profunda tristeza.

A epístola aos Romanos nos expõe a triste história do afastamento dos homens de Deus. Em primeiro lugar "por haverem desprezado o conhecimento de Deus" e depois por tê-LO perdido, não havia quem buscasse a Deus e, por último, chegaram a ser diretamente "inimigos" de Deus (Rm 1:28; 3:11; 5:10). Que triste estado! O homem não quer ter absolutamente nenhuma rela­ção com Deus, sua natureza é uma profunda inimizade contra Ele (Rm 8:7), e sua inclinação é rebelar-se abertamente contra Ele e contra o Senhor Jesus (SI 2: 1-3).

A necessidade de reconciliação

Era total a ruptura entre Deus e o homem pecador. Como restabelecer o relacionamento? O Evangelho responde: por meio da reconciliação. Mas quem deve ser reconciliado? Certamente é o homem, pois sua vontade opõe-se a Deus. A Escritura não fala que Deus deve reconciliar-Se, pois Ele é amor e não muda. Nada pode deter o Seu desígnio de amor, nem mesmo o pecado do homem. Ainda que odiássemos a Deus, Ele sempre nos amou. Contudo, o relacionamento estava totalmente interrompido. Deus havia ocultado a Sua face, pois o pecado era um obstáculo para a positiva manifestação de Seu amor.

A reconciliação, entretanto, deve descansar sobre dois planos. Primeiro fazia falta uma obra divina que quitasse o pecado e permitisse a Deus - que é santo - receber o homem segundo a Sua justiça. Depois é necessário que o homem perdido se deixe reconciliar e receba uma nova natureza voltada para Deus e capaz de responder a Seu amor.

O fundamento da reconciliação

Deus enviou o Seu Filho até aos homens animado de um espírito de reconciliação: "Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões" (2 Co 5: 19). O Senhor não era portador de juízo, mas sim de perdão. Ele não imputou a culpabilidade dos homens, mesmo quando esta era manifesta. Ele disse à mulher adúltera: "Nem eu tão pouco te condeno" (Jo 8: 11), e na cruz orou pelos Seus assassinos: "Pai, perdoa-lhes" (Lc 23:34). Deus fez tudo para que o homem se voltasse para Ele, mas isto não fez mais que evidenciar a profunda inimizade da raça humana. Deus enviou Seu Filho amado para propor a paz, porém Ele foi rejeitado e crucificado.

Então o amor de Deus, fundamentando a reconciliação sobre "a morte do seu Filho" (Rm 5:10), triunfou. "Àquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fossemos feitos justiça de Deus" (2 C05:21). Uma vez julgado o pecado, já não permanece nada mais em nós que Lhe seja digno de ódio. Ao nos considerar, já não experimenta nenhuma tristeza, antes, ao contrário, recebe-nos com prazer em Cristo.

A epístola aos Colossenses afirma que temos sido recon­ciliados "no corpo da sua carne, mediante a sua morte" (Cl1: 21­22; há outras expressões semelhantes em Rm 7:4; Ef 2:15; Hb 10:10, 20). A nossa mudança de condição diante de Deus se produziu no corpo do Senhor. Por meio de Sua humanidade, Ele pôde iden­tificar-Se na cruz com a nossa posição, a do Adão caído. Em resumo, Ele levou sobre Si o nosso afastamento e a nossa inimizade para com Deus, foi assim que Ele sofreu o juízo, porém depois Ele retomou a Sua vida na ressurreição. Agora, sempre identificados com Ele, encontramo-nos em Sua nova posição de homem ressuscitado. Se a nossa antiga posição era detestável a Deus, nada Lhe é mais agradável que a nossa nova posição, a de Cristo ressuscitado dentre os mortos.

Esta é a parte de Deus na reconciliação. É uma obra perfeita, absoluta. É a obra que nos introduz na nova criação (2 Co 5: 17). Como frutos da reconciliação, estamos perante Deus numa condição perfei­tamente aceita: Ele "nos fez agradáveis a Si no Amado" (Ef 1:6 - E.R.c.). A aceitação de Cristo é a medida da nossa, discernível no muito significativo título de "Amado".

A reconciliação do crente

Deus fez a Sua parte. EIe fez o necessário para que a nossa reconciliação seja possível sobre uma base de santidade. Mas também havia algo a ser operado na nossa parte, posto que Lhe éramos estranhos e inimigos em todos os nossos pensamentos. Era preciso que em cada um de nós ocorresse uma completa e radical mudança de índole e atitude perante Deus. O nosso coração deve voltar-se para Deus. Por isso o Evangelho foi confiado aos apóstolos como "a palavra da reconciliação". Eles realizavam este serviço na qualidade de "embaixadores em nome de Cristo", suplicando aos homens: "sede reconciliados com Deus" (2 Co 5: 19- 21, tradução literal do texto original grego).

Observemos bem que não se trata da pessoa mesma se reconciliar com Deus - isto nos é completamente impossível-, mas sim "SEDE reconciliados com Deus", ou, por outras palavras, "deixai-vos reconciliar com Deus". A obra da reconciliação está consumada, de modo que, para ser beneficiário dela, basta crer no Evangelho. É então que o ministério da reconciliação se torna eficaz para nós, e podemos dizer: "acabamos agora de receber a reconciliação" (Rm 5:11). Estamos numa nova posição e os nossos pensamentos acerca de Deus estão completamente modificados. A inimizade que anteriormente enchia os nossos corações é retirada e agora nos regozijamos em Deus. Ele é o nosso motivo de gozo e de glória (Rm 5:11).

Para que fossemos felizes na Sua presença, Deus não melhorou o nosso estado natural. Ele. nos deu uma nova natureza, semelhante à Sua em pureza e em amor. "E assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura ("criação", segundo a tradução literal do texto original grego): as cousas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. Ora, tudo provém de Deus que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo" (2 Co 5:17-18). Despontou um novo dia. Agora Deus pode lançar o Seu olhar sobre nós com prazer e nós, reciprocamente, podemos levantar o nosso olhar com amor em direção a Ele.

Não apenas nos encontramos como justos perante Deus (pois fomos justificados) e livres para servi-LO (porque fomos resgatados) como também nossos corações tomaram-se capazes de amá-LO - e isto é decorrência da reconciliação. Já que fomos reconciliados, dispomos plena­mente das riquezas de Seu favor. Isto significa que fomos introduzidos na mais elevada das bênçãos. É o cumprimento de Seus conselhos de amor que nunca se modificaram, nem mesmo pela introdução do pecado.

A reconciliação de todas as coisas

No princípio da epístola aos Colossenses, a Escritura elucida em poucas palavras a excelência da pessoa do Senhor e a extensão de Sua obra: "aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude, e que, havendo .feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as cousas" (CI 11:19-20). A reconciliação abordada aqui tem grande alcance. Ela inclui, certamente, a dos crentes, mas é muito mais ampla e seus resultados são ainda futuros.

A reconciliação de todas as coisas envolve "as causas ... " que estão "sobre a terra" e aquelas que estão "nos céus" (Cl1:20). As de "debaixo da terra" (Fp 2:10), as quais um dia. forçosamente dobrarão os joelhos ao nome de Jesus, não são mencionadas. Efetivamente, aproxima-se o momento em que tudo o que é mau será lançado ao lugar do juízo eterno para ser mantido sob a ardente indignação de Deus, sem qualquer possibilidade de reconciliação. Por outro lado, todas as coisas nos céus e sobre a terra serão purificadas e reconciliadas. Todas as coisas foram criadas por meio de Cristo e para Ele(C11:16), portanto elas encontrarão seu lugar devido em relação a Ele. Elas estarão na ordem disposta por Deus, serão Suas delícias e, de sua parte, se deleitarão nEle.

Esta reconciliação é necessária onde quer que o pecado tenha sido introduzido e tenha produzido imundícia e desordem. Isso é evidente na Terra, onde tudo está moralmente desorganizado e contaminado, mas isso também se dá igualmente em certas partes dos céus por causa da queda dos seres angelicais. O sangue da cruz de Cristo, o qual já proporciona a reconciliação aos crentes, é a base sobre a qual ocorrerá a recon­ciliação de todas as coisas (uma vez que o mal foi expurgado). Que glória então haverá para Cristo, tudo resultado dos sofrimentos pelos quais passou!

Pergunta: O apóstolo Paulo explica que a rejeição dos judeus "trouxe reconciliação ao mundo" (Rm 11:15). O que significa esta expressão?

Em Romanos 11, o apóstolo expõe os desígnios de Deus com respeito a Israel, mostrando como este povo foi posto de lado durante o período da graça, a fim de que o Evangelho pudesse chegar a todas as nações. Antes deste período, Deus limitava, sob a lei, Suas relações e Seus favores a Israel. As nações permaneciam nas trevas que inicialmente tinham escolhido (Rm 1:21). Elas se encontravam num estado de distanciamento de Deus, já que não tinham mais relações estabelecidas com Ele.

Depois da vinda de Cristo e de Sua rejeição por parte de Israel, ocorreu uma grande mudança.

Israel foi retirado de seu lugar de povo privilegiado, e o Evangelho da graça foi anunciado a todos os povos: a rejeição dos judeus permitiu a reconciliação do mundo. Até então, Deus se preocupava com Israel e deixava as nações em sua cegueira. Agora tudo é o inverso: Deus se volta para as nações, e possibilita aos homens estabelecerem Consigo uma relação sobre uma nova base.

O apóstolo Paulo declara:

"Esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão" (Atos 28:28). Esta reconciliação do mundo é dispensacional, a saber, diz respeito a um modo de relacionar-se com Deus numa época determinada. Que graça, pois diz respeito à dispensação presente - aos dia d.e hoje. Quando Deus deu o Seu Filho unigênito, tinha em vista o mundo inteiro. Por isso, atualmente, a salvação é para todos os povos sem distinção.

 

Problemas da Juventude, do Casamento e da Família À luz da Bíblia.