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Uma tão grande salvação - parte 1
Uma tão grande salvação - parte 1

Uma tão grande salvação

B. Hole

Introdução

É apresentada na Bíblia esta "tão grande salvação, a qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade" (Hebreus 2:3-4).

Os crentes que gozam desta "tão grande salvação" conhecem, na prática, algo de seu valor. Contudo, somente estudando a Palavra de Deus com atenção que poderemos visualizar a sua verdadeira grandeza: A finalidade deste artigo é, portanto, a de apresentar o ensinamento da Palavra sobre a salvação do ponto de vista de sua aplicação individual, enquanto os benefícios coletivos relacionados com a salvação serão considerados brevemente aqui e acolá.

Os efeitos da salvação são muito amplos. Compreendem todas as bênçãos que o Evangelho proporciona, não somente o perdão dos pecados, mas também todos os propósitos que o amor de Deus previu para Seus filhos e para a glória do Senhor Jesus. É conveniente que consideremos cada uma dessas bênçãos individualmente. E, por esse motivo, cada um dos capítulos que se seguem desenvolve um aspecto particular da salvação, com o propósito de permitir um melhor entendimento.

Do mesmo modo que não podemos ver ao mesmo tempo os diferentes lados de um prédio, tampouco é possível captarmos o conjunto do plano de Deus de uma só vez. Devemos contentar-­nos em examinar um elemento por vez. Mas, o estudo minucioso de cada aspecto da salvação nos trará regozijo e promoverá nosso progresso espiritual.

Depois que terminarmos este estudo detalhado, poderemos melhor contemplar, como um conjunto, as bênçãos que Deus tem destinado para nós. Isso permitirá mantermos um perfeito equilíbrio que nos impedirá de favorecer algum aspecto parcial. Devemos distinguir as diferentes verdades sem dividi-Ias, porque todas elas estão interligadas.

Esperamos que este tema nos ajude a crescer no conhecimento da salvação e no de seu Autor. Pois, assim sendo, os nossos corações se sentirão cada vez mais dispostos a render ações de graça e louvor a Deus.

 

1. O PERDÃO.

Que felicidade ser perdoado!

Um filho o experimenta desde muito jovem quando a sua consciência desperta. Do mesmo modo, a necessidade do perdão de Deus, como resultado do sentimento de culpabilidade perante Ele, é freqüentemente o primeiro sinal de que o Espírito começou a operar na vida de alguém.

Esperamos que o leitor já possua a certeza deste perdão pela fé no Senhor Jesus Cristo. O que se segue foi escrito para dar-lhe segurança a esse respeito e depois fazê-la alegrar-se plenamente no fato de poder contar com tal perdão, o qual é uma bênção do Evangelho.

o que a epístola aos Romanos diz a respeito do perdão dos pecados, pois nesta epístola estão expostos os princípios fundamentais do Evangelho.

Depois de haver declarado, desde a introdução, que o Evangelho "é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê" (Rm 1:16), o apóstolo Paulo começa a sua exposição doutrinária falando da "ira de Deus" e da culpabilidade do homem.

Infelizmente, são numerosos aqueles que não querem reconhecer esta culpabilidade pessoal. Procuram destruir os fundamentos sobre os quais repousa sua responsabilidade perante Deus. Por um lado, alegam que há no homem uma suposta bondade natural, a qual conduziria a humanidade a um contínuo progresso moral e, por outro, rejeitam todas as normas recebidas com respeito ao bem e ao mal.

Para esses contendores, o bem e o mal seriam completamente relativos, já que têm sido determinados no passado pelas pessoas mais influentes e em nossos dias pelas pesquisas de opinião. Segundo eles, o pensamento humano seria o único árbitro nestas questões. Por isso, a única culpabilidade que reconhecem é a inobservância dos usos e das leis vigentes num país numa época determinada ou, dito de outra maneira, uma culpabilidade ante seus semelhantes e ante a sociedade em geral. Esta maneira de ver descuida de um ponto capital: o homem não é totalmente independente e deverá render contas a seu Criador. Por isso, a ira de Deus se manifesta contra toda impiedade - o fato de viver sem Deus - e contra toda injustiça - o fato de fazer o que Deus desaprova - (Rm 1: 18). A Sua Palavra afirma que todos somos culpáveis perante Ele, mesmo que esta culpabilidade varie de um para outro.

A epístola aos Romanos apresenta o tema dividindo a humanidade em três categorias: em primeiro lugar estão os povos idólatras, depois os homens cultos e por último os judeus.

A culpabilidade dos povos idólatras

Para convencer um homem de pecado pode ser necessário um tempo bastante longo. Por isso, o apóstolo começa descrevendo o triste estado dos povos idólatras e depravados (Rm 1:18-32).

A Palavra de Deus os declara culpáveis e indesculpáveis, porque não corres ponderam como deviam ao conhecimento do Deus supremo, revelado inicialmente a todos os povos. Não glorificaram a seu Criador e nem Lhe deram graças pela Sua bondade. O que é pior ainda, praticaram a idolatria, honrando e servindo a criatura em lugar daquele que a criou. Como conseqüência, caíram numa espantosa degradação moral, arruinando a sua alma e corpo. O apóstolo não se preocupa em estabelecer sua culpabilidade, antes limita-se a enumerar suas características depravadas. Isso é suficiente para compreender por que a ira de Deus se revela contra eles.

A culpabilidade dos homens cultos

Depois de ter apresentado o caso dos povos que pareciam ser os mais distantes de Deus, a epístola aos Romanos interessa-­se pelos homens que, então, constituíam o grupo mais seleto, todos aqueles que se sentiam em condições de julgar aos outros (Rm 2:1-16). Podiam ser tanto moralistas como gregos versados em filosofia. O apóstolo os interpela nestes termos: "... és indesculpável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas". Eles são declarados "indesculpáveis", pois sob a bela aparência do ensino moral e do pensamento filosófico, ocultavam­-se os mais impuros costumes. Contudo, é necessária uma argumentação bem construí da para levá-los à convicção do pecado. Os três fatos em que é apoiada a demonstração' do apóstolo tornam impossível qualquer escapatória do juízo de Deus.

Em primeiro lugar, este juízo é "segundo a verdade" (v. 2). Este homens que condenam aos outros e se consideram superiores não enganam a Deus. O juízo divino é segundo a exata verdade. Deus não se apóia na aparência, mas considera o verdadeiro estado moral de cada um e conhece os pensamentos secretos dos homens.

Em segundo lugar, este juízo é "justo" (v. 5): prevalecerá uma justiça absoluta e inflexível. Não serão julgadas somente as faltas manifestas, mas também o espírito argumentador desses homens e sua rejeição em se submeter à vontade de Deus.

Por último, este juízo é imparcial. porque "para com Deus não há acepção de pessoas" (v. 11). Ele terá em conta a responsabilidade de cada um. Alguns não tiveram mais que a voz de sua consciência para refreá-los, enquanto outros tiveram a seu dispor um vasto conhecimento da lei divina.

Todas estas declarações são suficientes para fechar a boca dos homens mais civilizados e convencê-los de que são culpáveis perante Deus.

A culpabilidade dos judeus

A terceira e última categoria de pessoas é claramente designada como sendo a dos judeus (Rm 2: 17 a 3:20). Possuíam uma cultura não somente derivada de uma longa história, mas também de origem divina.

Se os homens mais instruídos se permitiam criticar os povos idólatras e apesar disso praticavam os mesmos pecados, os judeus religiosos iam mais longe ainda. Vangloriavam-se de possuir a lei de Deus, ensinavam-na aos outros com um espírito de superioridade, mas absolutamente não a praticavam, de maneira que o nome de Deus era blasfemado por causa deles. Para demonstrar a culpabilidade dos judeus, o apóstolo apóia-se em seus próprios escritos. As referências do Antigo Testamento que apresentam a profunda maldade da natureza humana lhes são aplicadas, porque "tudo o que a lei diz aos que vivem na lei o diz" (3:19), a saber, os judeus.

Estas acusações decisivas da lei não tinham em vista as outras nações, civilizadas ou não, mas certamente os judeus imbuídos de si mesmos, a fim de que as suas bocas fossem igualmente caladas e, assim, todo o mundo se mostrasse culpável perante Deus.

A culpabilidade do homem moderno

Depois de ter visto como o apóstolo considera todos os homens do passado, devemos salientar que a culpabilidade do homem moderno está vinculada aos três casos considerados.

Em certos aspectos, por causa de sua decadência moral, o homem moderno se inclui no acampamento dos povos idólatras. Por sua vez, as características morais destes povos se parecem muito com a descrição profética dos homens dos últimos dias (vide 2 Tm 3:1­5). Por sua brilhante civilização científica, o homem de hoje em dia nos faz pensar igualmente nos gregos que eram os intelectuais da época. Finalmente, o homem moderno assemelha-se também aos judeus por sua cultura judaico­-cristã. Orgulha-se de um passado religioso dos mais ricos, mas tem perdido a força da piedade e, em seu conjunto, tais pessoas têm renegado praticamente a fé cristã.

O perdão dos pecados

Como fica demonstrada a culpabilidade do homem, o perdão é uma necessidade urgente. Ademais, ele está mencionado desde o princípio das instruções 'dadas pelo Senhor ressuscitado.

Em Lucas 24:45-48, o Senhor diz aos apóstolos que pregassem o arrependimento para a remissão dos pecados em Seu nome a todas as nações. No momento de sua conversão, o apóstolo Paulo ouviu numa visão celestial essa mesma instrução da boca do Homem glorificado. Jesus Cristo o enviava às nações para que estas recebessem a remissão de pecados (Atos 26: 16-18). O livro de Atos mostra como tais ordens foram executadas. Por ocasião da primeira pregação pública, no dia de Pentecoste, o apóstolo Pedro anuncia o arrependimento e o perdão dos pecados à multidão reunida em Jerusalém (Atos 2:38). Perante as autoridades religiosas, dá testemunho acerca da remissão de pecados (5:31). Quando começa a anunciar o Evangelho às nações, a Cornélio e seus amigos, declara que "todo o que nele crê recebe remissão de pecados" (10:43). No que diz respeito a Paulo, a partir de sua primeira viagem missionária, proclama: "Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste [Cristo]" (13:38).

Em cada um desses seis relatos mencionados, o vocábulo grego traduzido por "remissão" é o mesmo. Este termo significa simplesmente "perdão" ou "liberação". É exatamente,o que é necessário a um pecador cuja consciência está carregada e que se arrepende. É necessário que seus pecados sejam "redimidos" por Aquele perante quem se fez culpado. Que feliz liberação, que descanso para a consciência o fato de ele saber que foi perdoado! Eis qual é a parte de cada filho de Deus. O apóstolo João disse: "Filhinhos, eu vos escrevo, porque os vossos pecados são perdoados, por causa do seu nome" (1 João 2:12).

Perdão e justificação

Como já vimos, na epístola aos Romanos o Espírito Santo pronuncia o veredicto de "culpável perante Deus." Poderíamos esperar que imediatamente depois se desenvolvesse a doutrina do perdão; contudo, esta doutrina só é mencionada uma vez em toda a epístola: "Bem-aventurados aqueles cujas iniqüidades são perdoadas" (Rm 4:7). É uma citação do Salmo 32:1. Isto mostra a felicidade do homem a quem Deus atribui a justiça sem obras. Este versículo confirma que a imputação da justiça - a saber, a justificação - tanto implica como contém o perdão.

As palavras "justiça" e "justificação", tão freqüentemente empregadas na epístola aos Romanos, estão caracterizadas por uma grande abrangência e respondem à culpabilidade geral demonstrada no princípio da epístola. Não podemos ser perdoados sem estar justificados, ou vice-versa. Contudo, o perdão tem antes um caráter negativo ­somos aliviados do peso da culpabilidade de nossos pecados -, enquanto a justificação é positiva: adquirimos a justiça.

O fundamento do perdão

Um homem intranqüilo por causa de seus pecados não encontrará descanso até que veja claramente qual é o fundamento do perdão. Pode-se ter vagos pensamentos acerca da misericórdia e da bondade de Deus, de Sua disposição em receber os pecadores, mas também é necessário saber que o perdão tem como base a justiça divina. Cristo morreu para levar os pecados dos resgatados; sofreu o completo castigo que eles mereciam. Por isso agora Deus é justo ao receber como perdoados aqueles que vêm a Ele por intermédio de Jesus Cristo. Sua justiça está satisfeita em relação às faltas deles.

Deus não perdoa do mesmo modo que os homens. Não passa por cima dos pecados com indulgência, mas antes, em Seu amor, "enviou o Seu Filho como propiciação pelos nossos pecados" (1 Jo 4:10). De modo que Deus pode "ser justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus" (Rm 3:26; ver também 1 Jo 1:9).

A Ele seja tributado para sempre todo o agradecimento!

Pergunta 1:

Às vezes ouvimos dizer que todos os homens são perdoados. É certo este pensamento?

Não, este pensamento não está de acordo com a Escritura. O fato de que Deus esteve em Cristo reconciliando consigo mesmo o mundo, não levando em conta os pecados dos homens (2 Co 5: 19), é evidentemente algo maravilhoso. Contudo, as manifestações da graça de Deus, oferecidas por meio de Cristo quando do início de Sua estada na terra foram rejeitadas. É então um fato muito mais maravilhoso que Deus tenha-Se servido da morte e da ressurreição de Cristo para dirigir uma mensagem de perdão aos homens culpáveis (ver Lucas 24:46-4 7).

A rejeição de Cristo não foi seguida de uma declaração de guerra e de um juízo imediato sobre um mundo rebelde. Antes, Deus conferiu uma trégua, durante a qual ofereceu a cada indivíduo uma anistia. Se alguém se humilha, arrepende-se e volta-se pela fé ao Salvador, recebe o perdão.

O perdão, pois, está ao alcance de todos os homens, mas não é correto dizer que todos os homens são perdoados.

Pergunta 2:

É verdade que, quando um homem se arrepende e crê, recebe o perdão uma vez para sempre?

É verdade, bendito seja Deus.

No relato de Hebreus 9:6a 10:18, concernente ao sacrifício de Cristo, tal fato é um dos mais importantes. Esta passagem afirma sete vezes que o sacrifício de Cristo é único e que foi oferecido uma só vez. Afirma igualmente que aqueles que se aproximam de Deus baseados neste sacrifício são feitos perfeitos "para sempre" (10:14). Esta perfeição está alicerçada sobre a única e perfeita purificação, a qual os resgatados obtiveram e em virtude da qual se achegam a Deus, por já não terem "consciência de pecados" (10:1­2). Estamos diante de Deus num estado de eterno perdão.

Pergunta 3:

Se ensinamos ao crente que ele obtém o perdão de seus pecados passados, presentes e futuros na sua conversão, ele não corre o risco de sentir-se então impulsionado à despreocupação e ao pecado?

Nos capítulos seguintes teremos ocasião de ver que o perdão está ligado a uma mudança de posição diante de Deus: convertemo-nos, pela fé, em filhos de Deus e somos aceitos perante Ele em razão de nossa nova posição: estamos em Cristo. A raiz desta aceitação é que nossos pecados passados, presentes e futuros estão perdoados, daí resultando um profundo gozo. "Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade...” (Salmo 32:2; ver também Hebreus 10:17-18).

Por outro lado, se bem que as faltas após a conversão em nada modifiquem a nossa posição de filhos de Deus, elas interrompem a comunhão com o Pai e retiram o nosso gozo. Com efeito, o Espírito Santo em nós é entristecido, e a natureza divina, adquirida quando nos convertemos, sente-se como paralisada, pois tem horror ao mal.

Devemos, pois, confessar imediatamente nossos pecados para gozar de novo do perdão de Deus: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 Jo 1:9). Este texto, porém, trata do perdão governamental que nos restaura à comunhão com o Pai, e não do perdão fundamental adquirido desde o princípio da vida cristã.

(Continuará)

 

Referências para o estudo bíblico - Dicas para a escola dominical