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Referências para o estudo bíblico
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Um auxílio para professores de escola dominical e amigos da Palavra de Deus.

OS ATOS DOS APÓSTOLOS

As citações entre colchetes [] pressupõem maior conhecimento biblico e podem ser deixadas de lado conforme a maturidade dos alunos.

PARTE "A": O testemunho do Espírito Santo de Cristo no meio aos judeus

89) A vinda do Espírito Santo

  1. O alvoroço do pentecoste: Atos 2:1-13.
  2. A fundação da Igreja: versículos 14-41.
  3. A vida dos primeiros cristãos: versículos 42-47.

Explicação e ensinamentos:

1. O Espírito Santo, a terceira pessoa da divindade 1, é o dom que o Pai havia prometido (At 1:4). João já havia profetizado que o Senhor batizaria com o Espírito Santo (Jo 1:33) e depois o próprio Senhor, ainda antes de Sua morte, mencionou que O enviaria (Jo 14:16-17; 15:26; 16:7,132). O Espírito Santo foi enviado, de certo modo, em resposta à oração do Senhor em João 17; essa vinda tornou-se possível sobre a base da morte sacrificial de Cristo. Agora enfatizem aos alunos o que o Senhor diz do propósito desse envio:

1- O Espírito Santo devia" ensinar e lembrar" os discípulos: Jo 14:26 (aqui se refere aos quatro evangelhos).

2- Ele deveria "testemunhar" do Senhor: Jo 15:26 (aplica-se ao livro de Atos dos apóstolos).

3- Ele deveria "guiar os discípulos em toda a verdade": Jo 16:13 (veja as epístolas, espe­cialmente as de Paulo, que revelam desígnios divinos, como, por exemplo, os relacionados à Igreja).

4- Ele deveria "anunciar coisas vindouras": Jo 16:13 (os livros de 2 Pedra, 2 Tessalonicenses, 2 Timóteo, Judas e Apocalipse). O pentecoste era a quarta festa judaica, a "festa das semanas" (leia Lv 22:15-23 e Dt 16:9-12). O nome "pentecoste" é simplesmente uma referência numérica indicando" cinqüenta", pois a celebração ocorria cinqüenta dias após a páscoa, ou seja, contavam-se sete semanas mais o dia posterior ao sábado (Lv 23:15-25). Era a festa da colheita do verão, a sega dos cereais; uma figura da Igreja sendo agora ajuntada (a colheita das primícias 3 *Tg 1:18)

(1) A primeira vez que a triunidade de Deus manifestou-se em forma visível foi por ocasião do batismo de Jesus no Jordão. Ali a voz do Pai fez-se ouvir dos céus; ali estava o Filho de Deus, assumindo públicamente na terra o Seu lugar de Messias prometido; e ali estava o Espírito San to, descendo sobre Jesus para testemunho (Mt 3: 16-1 7). No V e1ho Testamento também há várias referências á triunidade de Deus, como, por exemplo, ls 48:12,16 e 63:9-11; e ainda Gn 1:1.26-27, 3:22 e Pv 30:4.

(2) Em João 14:26 lemos ser o Pai que envia o Espírito Santo; em João 15:26 é o Filho; e, segundo João 16:13, o Espírito Santo, por sua vez, vem espontaneamente.

(3) "Primícias" quer dizer "os primeiros frutos". Não esquecer que Cristo é o primeiro dentre as primícias: 1 Co 15:20,23!

Todo varão 4 em Israel tinha de comparecer anualmente em Jerusalém para a festa (Dt 16:16). Estando, pois, os discípulos ali reunidos em unanimidade, e estando presentes em Jerusalém judeus piedosos de todas as localidades (At 2:5), então manifestou-se o Espírito Santo como um vento veemente e impetuoso, em forma de línguas repartidas, como que de fogo ­elementos tremendos que nos incutem pavor. Quando o Espírito desceu sobre Jesus, manifestou­-Se numa forma bem mais amena: como pomba - figura da pureza e da mansidão. Sobre Ele, o único puro, o Espírito Santo pôde descer sem fazer alusão a algum juízo sobre o mal. Além do mais, o Senhor tinha vindo em mansidão, e Seu propósito era 'não esmagar a cana vergada nem apagar o pavio que fumega' (*Is 42:1-3). Agora, porém, depois que O homem, e em especial o judeu, definitivamente anulou as eventuais possibilidades para indulgência (pois crucificou a Cristo), o Espírito desceu e Se revelou por uma representação de poderio (o vento) e juízo (o fogo).

A vinda do Espírito Santo realizou um fato muito significativo: por meio dEle os crentes foram batizados para formar um único corpos, e passaram a constituir a morada de Deus (*1 Co 12: 13; Ef 2:22).

Os crentes, por sua vez, deveriam ser agora poderosas testemunhas do Senhor. As "línguas repartidas, como que de fogo" (E.CR), apontavam para a maneira em que o poder do Espírito Santo se manifestaria doravante: a Palavra e o testemunho seriam as Suas ferramentas para alcançar a consciência e o coração dos ouvintes. A língua é uma representação da Palavra; essa deveria agora ser apregoada em poder, e, semelhante ao fogo, proferir juízo sobre todo o mal. O detalhe de as línguas serem "repartidas 6-11 indica que a Palavra, o Evangelho, seria apregoado a judeus e gentios, enfim, a todos os povos da terra”. E logo aquela multidão congregada em Jerusalém, milhares de pessoas procedentes de muitos povos e nações da terra, ouviriam falar em sua própria língua as "grandezas de Deus". Que diferença em relação à construção da torre em Babei: aqui, Deus estabelece, por meio de Seu Espírito Santo, a verdadeira unidade entre os homens; ali estavam os homens querendo edificar um símbolo que representasse a unidade, porém a motivação deles era o orgulho, pelo que Deus lhes confundiu as línguas.

(4) "Varão": indivíduo do sexo masculino.
(5) O fato de os crentes serem batizados em (ou para) um só corpo compreende, por outras palavras, que agora eles estão intimamente ligados entre si e inseridos no organismo do qual Cristo é o Cabeça.

O derramamento do Espírito Santo causa reações bastante distintas: os discípulos e os demais crentes, que tinham recebido o Espírito Santo, passam a testemunhar com poder e ousadia (2 Tm 1:7). Aqueles de orientação moral prudente, sensíveis às impressões divinas, inquietam-se. Os outros, ateus e levianos, zombam. A Palavra de Deus e a operação de Sua graça ou sensibilizam o coração, ou então o endurecem (veja por um lado o caso de Lídia e o por outro o do Faraó - leia *2 Co 2:15-16!).

2. Pedro, um homem antes temeroso que chegara a negar o Senhor Jesus, agora alça a Sua voz em poder. Primeiro, lembra­-Ihes que ainda era cedo (9 horas 7), o horário da primeira oração do dia (At 3: 1), antes da qual nenhum judeu se permitia comer ou beber coisa alguma. Depois testifica aos judeus que a promessa de Joel 2 começava a cumprir-se. Na verdade, essa profecia começa tratando de um evento que ainda está por vir: o reino de Cristo sobre a terra, e este ainda será precedido por um grande e terrível dia de juízo. Tão-somente naqueles dias o Espírito de Deus será derramado "sobre toda a carne", enquanto agora vemos apenas uma fração dos homens recebendo o Espírito Santo, a saber, os crentes, os redimidos; e note ainda o detalhe que distingue o tempo presente: o Espírito não vem sobre nós, porém Ele "habita conosco e está em nós" (*Jo 14: 17). Mas Pedro faz referência a esta passagem para mostrar aos judeus que o dom do Espírito Santo tinha sido prometido; eles eram, portanto, responsáveis pelo que estavam vendo e ouvindo agora. Concedendo o dom do Espírito Santo Deus respondia agora ao clamor do Filho na cruz: "Pai, perdoa-lhes!"; Deus estava operando em graça e a presença do Espírito se manifestava a todos. Mas esse Espírito era o Espírito de Cristo, a Quem rejeitaram, ao qual Deus, contudo, ressuscitou e exaltou a Sua direita e O "fez Senhor e Cristo".

(6) As melhores traduções mencionam este detalhe: "repartidas".
(7) Contava-se o horário com o nascimento do sol. "A terceira hora do dia" era por volta das 9 horas.

Continuando o seu discurso (versículos 25-31), Pedro diz que a ressurreição era um fato profetizado no Salmo 16; e eles tinham sido testemunhas dessa ressurreição. O efeito da pregação foi forte. Consciências foram alcançadas e perguntavam: "Que faremos?" Pedra invocou arrependimento.

Pelo arrependimento essas pessoas condenaram todo o passado. Depois, pelo batismo, um ato simbólico pelo qual fizeram a profissão de sua fé em Cristo, foram acolhidas nesta nova posição, na casa da cristandade 8, cujo edificador é Deus e cujas chaves Pedra tinha recebido (Mt 16:19). Quem entrasse nesse novo âmbito - a cristandade ­apresentando arrependimento e fé, receberia o perdão e o Espírito Santo. A primazia é reconhecidamente dos judeus; eles são tidos como os primeiros aos quais as promessas são pertinentes, porém, ao citar os "que ainda estão longe", Pedro também mantém aberta a porta para os gentios (Ef 2:13,17).

 

3. A Igreja estava, pois, formada. Era constituída, por enquanto, pelo remanescente judeu (os crentes dentre os judeus). O fundamento era o Jesus rejeitado na terra, porém exaltado e glorificado nos céus e feito por Deus "Senhor e Cristo". Essa Igreja era a habitação de Deus no Espírito Santo, e por meio do Espírito Santo mantida em separação do mundo, pois, afinal, de lá havia sido resgatada (Gl 1 :4). Daí o apelo: "Salvai-vos desta geração perversa!”.

(8) Esta casa equivale ao novo formato que o "reino dos céus" adquiriu, equivalente ao período que começou com o derramamento do Espírito Santo e findará com o arrebatamento da Igreja ao céu. Depois do arrebatamento, o "reino dos céus" assumirá novamente outro formato, a saber, o reino milenar. Hoje vemos o "reino dos céus" composto por "bons" e "maus" (Mt 13:24-30}, mas no reino milenar somente restarão em Israel e dentre as nações os que reconhecerem a Cristo (SI 101 :8). Para compreender as "chaves" do reino em posse de Pedra e o seu ministério para abrir o reino em seu formato atual, leia o tópico 44, item 5 (Leituras Cristãs, vol. 37, n" 4, pg. 186).

Os primeiros cristãos eram constantes em quatro itens:

1 - A doutrina dos apóstolos;
2 - a comunhão;
3 - o partir do pão; e
4 - a oração (At 2:42).

Estes quatro elementos também são importantes hoje e igualmente possíveis!

Um belo fruto da ação do Espírito Santo entre eles foi que repartiam as suas posses com os que tinham necessidade. Essa partilha dos haveres em Jerusalém não foi um mandamento imposto (At 5:4), mas uma decorrência da operação do Espírito. Rendeu­-se ali uma amostra da condição que irá vigorar no reino milenar (9).

Quais são, pois, as benditas conseqüências da habitação do Espírito Santo?:

- 1) Ele é o elo entre os crentes e Cristo, que é o Cabeça. E é também o elo dos crentes entre si, como membros que são do mesmo corpo (*Jo 14:20; 1 Co 12:12).

- 2) Por meio dEle o crente pode chamar Deus de Pai (*Rm 8: 15-16).

- 3) Ele guia os crentes por esse mundo até o encontro com o Senhor, assim como Elieser outrora conduziu Rebeca pelo deserto até Canaã (*Rm 8: 14; Ap 22:17).

- 4) No crente o Espírito Santo manifesta-Se em oposição à carne (GI5: 16-17). Movido pela Palavra de Deus e pela oração, Ele também atua contra os principados e potestades (Ef 6:17; Jd 20).

- 5) É por intermédio do Espírito Santo que os crentes conhecem as coisas (as dádivas) que Deus lhes concede (1 Co 2:12).

- 6) Os crentes ainda fazem parte de uma criação que decaiu, por isso o Espírito os assiste e intercede em favor deles segundo convém a Deus (*Rm 8:27).

- 7) É graças ao fato de o Espírito de Deus habitar no crente que este será um dia ressuscitado ou então trans­formado (*Rm 8: 11; Mt 25:8, 10).

(9) Para outras referências que dizem respeito à condição do reino milenar de Cristo, veja: At 2:17,47, At 5:5 e Sl 101:8.

O Espírito Santo é o "selo" (10) do crente, que Deus confere quando ele crê de coração no Seu Filho (Ef 1: 13; GI 3:26 e 4:6). Em vista disso é para o crente o penhor 11 de sua herança eterna (Ef 1:14; 2 Co 5:5). Mas é também a unção do cristão; aliás, o termo "cristão" significa "ungido" - ungido rei e sacerdote - e esta unção faz com que ele saiba as coisas de Deus (1 Jo 2:27 e 2 Co 1:21-22 - observe aqui os três elementos citados: o selo, o penhor e a unção). Como é importante para o cristão atentar ao Espírito de Deus e deixar-se conduzir por Ele, não entristecê-LO com o seu comportamento nem extingui-LO nas reuniões dos crentes: *Ef 4:30 e 1 Ts 5:19. Todos os filhos de Deus devem" encher-se do Espírito", isto é, não devem mais dar espaço à carne e suas concupiscências 12, permitindo que opere apenas o Espírito de Deus, e colocando-se sob a Sua orientação e senhorio (Gl 5:16,18).

Em que consiste o "fruto do Espírito"? Leia *Gl 5:22!

 

90) A cura de um coxo

  1. A operação da maravilha: Atos 3:1-11.
  2. O testemunho de Pedro perante o povo: versículos 12-26.
  3. A prisão de Pedra e João e o testemunho perante o sinédrio: Atos 4:1-22.
  4. A oração dos crentes: versículos 23-31.
  5. A vida piedosa dos crentes: versículos 32-37.

Explicação e ensinamentos:

Enfatize aos alunos o que o Senhor diz em Jo 14: 11-12. Eis a manifestação dessas obras já em At 2:43! Mas para que serviam? Para ratificar, para fortalecer o testemunho e indicar que este procedia de Deus, e que os apóstolos eram os enviados de Deus.

1. Pedro cura o coxo. Os sinais e os milagres foram uma manifestação típica destes primeiros dias da Igreja (Jo 4:48; Me 16:20 e Hb 2:3-4). Hoje a pregação não precisa mais ser atestada por maravilhas: a Escritura Sagrada foi completada (Cl 1:25). Dispomos da Palavra de Deus, e o Espírito opera por meio dEla; A Palavra é todo suficiente, Ela é viva e eficaz (Rm 10:17; 2 Tm 3:16; Hb 4:12). No entanto, afonte do poder e benção que se manifestou nesta época inicial continua ao nosso dispor. O crente tem acesso ao Senhor pela oração e pode contar com Sua resposta (*Jo 14:13-14), mas já não pode mais dizer a um coxo ou a um morto: "Eu ordeno: levanta-te!". Milagres assim voltarão a acontecer mais tarde, no inicio da dispensação 13futura, o reino milenar de Cristo (Hb 6:5), quando todas enfermidades serão curadas (*SI 103:3; *Is 35:6). Hoje o pecador perdido e o crente enfraquecido encontram no Salvador o que precisam.

(10) No simbolismo das Escrituras. o "selo" significa: (1) uma transação concluída; (2) domínio e (3) segurança.
(11) Um elemento de confiança, uma garantia de segurança.
(12) "Concupiscência": "apetite" excessivo. São os impulsos, os desejos desregrados da natureza carnal.

Os apóstolos continuam freqüentando o templo. Deus ainda tolerou por um tempo essa ligação com o culto judaico, embora a Igreja em Jerusalém também tivesse o seu próprio culto a Deus (o partir do pão nas casas e a oração: At 2:46; 4:23­31). Alguns anos mais tarde, o ensinamento foi claro: era preciso separar-se dos sistemas religiosos (Hb 13:13).

Notem a gratidão do coxo e como ele busca comunhão com os servos de Deus (At 3:8-10). É natural que todo o pecador que foi salvo, que experimentou a graça de Deus, Lhe seja grato (SI 103:1-4).

O milagre deixa o povo admirado, mas eles não se movem para o arrependimento. Pedro dá a honra a Deus e chama a atenção do povo para Aquele que tinha glorificado a Jesus ­nome sob o qual a cura aconteceu. Aproveita-se do milagre para novamente anunciar a Jesus, a quem eles renunciaram e crucificaram.

2. Mas Pedro também admite que a crucificação de Cristo aconteceu por ignorância (1 Co 2:8). E Deus perdoou tão grave falta (em atenção ao clamor do Filho: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem!"). Aplicando-se a parábola de Mateus 22: 1-4, o povo havia recusado o primeiro convite para as bodas, e nesta ocasião estava recebendo o segundo chamado da graça. Se Israel ouvisse agora e se arrependesse, Deus de pronto lhes enviaria o Seu Cristo para estabelecer o reino prometido (* At 3:19-21). Ainda hoje o retorno 14 do Senhor Jesus para Israel depende do arrependimento do povo judeu (Zc 12:10-11; 13:1 e 14:8-11). Mas é o .mesmo caminho que todo pecador terá de trilhar, caso queira receber de Deus a vida e a salvação: o arrependimento para com Deus e a fé no Senhor Jesus (At 20:21).

(13) "Dispensaçâo": o período em que vigoram certas condições estabelecidas nos governos de Deus para esta terra.

3. Os sacerdotes e os saduceus (que negavam a ressurreição) fazem calar os apóstolos e os lançam na prisão (Jo 16:1-3 e Lc 21:12-18). Pelo depoimento de Pedro, o Espírito Santo indica aos líderes do povo a responsabilidade que tinham perante Deus; eles eram os construtores e rejeitaram a Cristo, a pedra angular (o fundamento ­*At 4:11-12 e *SI 118:22-23).

Note a atitude de Pedro: para ganhar o povo que fora mal orientado, ele é tolerante; mas não com os líderes endurecidos. Que belo testemunho rendem os apóstolos no capítulo 4:19-20. Que todos os filhos de Deus falem e ajam assim!

4. Quão bonita é essa íntima comunhão entre os apóstolos e os demais crentes (v. 23)! Eles tinham sido submetido a pressões e compartilham o fato. Imediatamente ocorre uma reunião de oração, na qual eles dirigem ao Senhor uma oração coletiva. O Espírito Santo manifesta de modo visível a Sua ação e o Seu poder, e faz tremer o lugar onde oram unânimes os irmãos, estes que agora são o Seu templo, a Sua morada (compare os versículos 29 e 31!).

Ainda que o poder do Espírito Santo estivesse sendo manifestado nos apóstolos em palavra e ação, estes viviam em consciência de sua própria fraqueza, na dependência de Deus. A oração expressava isso. É então que o poder de Deus pode usar os seus servos. O princípio de Deus é: "O meu poder se aperfeiçoa na fraqueza". Logo se podia reconhecer a operação desse poder: na oração, no Seu serviço (os sinais e maravilhas) e nas benditas evidências da nova vida: At 2:44-45 e 4:32.

5. Os crentes são um coração e uma alma. Que belo testemunho para o mundo, o amor destes primeiros cristãos! Que exemplo para nós! (* Jo 13:35; *Hb 13:16 e SI 133:1)

(14) Trata-se da segunda vinda de Cristo, a vinda para estabelecer o reino em Israel e sobre o mundo. Não confundir com a primeira vinda de Cristo, a qual será para buscar a igreja! Essa poderá acontecer a qualquer momento, nada a impede!

Os crentes em Jerusalém (outras localidades não são citadas) vendem as suas posses e "tudo lhes era comum". Isto não tinha sido um mandamento do Senhor, era a operação espontânea do Espírito Santo, o fruto de Sua presença ali, o resultado das obras de fé e de amor. Ninguém era, pois, obrigado a vender os seus haveres e doá-los (veja At 5:41). Mais adiante vemos ainda a atuação de sete homens ("diáconos 15" - At 6) que preo­cupavam-se com as necessidades dos pobres e das viúvas.

Comente com os seus alunos que se continuarmos a folhear a Escritura, encontraremos várias vezes a exortação para lembrarmos dos pobres. Isso não seria necessário se esse padrão de "comunhão de bens" tivesse continuado a vigorar entre a irmandade (At 11 :29; GI 2: 10; 1 Co 16:1-2; 2 Co 8:14 e 1 Tm 6:17-19, entre outras).

José Barnabé é citado com destaque (At 4:36-37) entre os que venderam os seus imóveis e levaram o produto da venda aos apóstolos. Primeiro porque ele, como levita, devia estar acostumado a receber ofertas do povo, e agora ele mesmo entregava tudo ao Senhor; e depois porque mais tarde é citado várias vezes como obreiro do Senhor em associação com o apóstolo Paulo (At 11:22-25 e At 13-15:35).

 

91) Ananias e Safira

Atos 5: 1-11.

Explicação e ensinamentos:

Que maravilhoso o testemunho da Igreja nesses primeiros dias após o pentecoste! (At 2:42-47 e 4:32-35). Mas logo o diabo consegue uma brecha.

[Notemos como Satanás sempre foi rápido para operar a corrupção após a atuação de Deus: - Logo após a criação: a queda no pecado.

- Logo após conceder os mandamentos: o bezerro de ouro. - Estabelecido o sacerdócio: os filhos de Arão trazem fogo estranho.]

Ananias e Safira almejavam a mesma aparência de piedade e amor que os demais; porém o seu proceder era hipocrisia e mentira (*Rm 12:9).

Havendo o Espírito Santo Se manifestado até aqui pelo fruto da justiça nos crentes, agora revela­-Se em poder contra o mal presente na Igreja. Ele é uma pessoa, Ele é Deus (At 5:3-4 e 13:2). Deus não pode tolerar o mal; muito menos ali onde tem a Sua morada. É paciente e longânimo para com os incrédulos, até esgotarem os Seus recursos (lembre da humanidade nos dias do dilúvio, de Sodoma e Gomorra, do Faraó etc.), mas em meio a Sua Igreja exerce rigorosa disciplina (*1 Pe 4: 17). Se o testemunho do Espírito Santo era naqueles dias tão belo e maravilhoso, tanto maior era a culpa dos transgressores. Quanto mais luz, tanto mais severa a sentença do juízo. Ananias e sua esposa queriam mentir a Deus e enganar os irmãos. O juízo deles foi a morte. Um grande temor sobreveio à Igreja, e ao mundo também (At 5:11,13 - GI6:7-8). É algo muito sério para todos os crentes! (*1 Pe 1:17).

(15) Diácono" quer dizer "Servo".

 

Temos aqui outra alusão ao reino milenar de Cristo: este juízo é um exemplo do que o Senhor então fará a cada manhã; toda alma que pecar será punida com a morte (Is 65:20; *SI101:8 e Sf 3:5). O Senhor estará reinando e Satanás será preso, por isso a responsabilidade será maior.

Como o próximo tópico começa já no capítulo 6, sugerimos aos alunos:

- 1) a leitura de At 5:12-42; e

- 2) a memorização de *At 5:38-39.

  1. A atuação de Estêvão: Atos 6.
  2. A sua pregação: versículos 7: 1-53.
  3. A sua morte: versículos 7 :54-60.

Explicação e ensinamentos:

1. Uma nova adversidade, desta vez interna, afronta a Igreja: os judeus de descendência grega 16 murmuram contra os judeus nativos por causa da distribuição das dádivas. A sabedoria conferida pelo Espírito contorna a dificuldade. O mal estava presente, mas também o poder para afrontá­-lo. São eleitos sete irmãos para encarregar-se dos pobres e administrar os recursos. Os apóstolos não querem ser impedidos em seu trabalho, querem prosseguir na oração e na pregação. Reparem que a oração é mencionada antes da pregação (At 6:4). Quão importante, portanto, é a oração!

(16) Os helenistas.

(Jo 15:5 e Ef 6:18-19). Os primeiros cristãos oraram bastante: At 1:14; 2:42; 3:1; 4:24; 6:4; 7:59; 8:15 etc.

Filipe (At 8:5,26 e 21:8) e Estêvão também tinham o dom para servir na palavra; estes dois atestam o que a Escritura diz em 1 Tm 3:13.

Estevão, homem cheio de graça e de poder, depara com a oposição dos judeus gregos. Motivados pela inimizade, servem­-se de falsas testemunhas para acusá-lo de apregoar, em nome de Jesus, a destruição do templo e da cidade, bem como a alteração dos costumes da lei de Moisés (*í:x 20:16; *Pv 19:5).

2. Estevão devia agora depor perante o sinédrio. Ele menciona a história de Israel (com referência especial a José e Moisés) para indicar que este povo resistia constantemente à vontade e ao Espírito de Deus, e que até mesmo rejeitou o Salvador designado por Deus. Sim, fizeram oposição a todos os homens pelos quais Deus operava; e a isto se acrescenta que desde o Egito serviram aos ídolos (At 7:40-43). Era patente que a medida da culpa deles estava cheia. Haviam recebido a lei, mas não a guardaram (v. 53); tiveram os profetas que lhes testemunharam de Cristo, e a estes mataram; por fim, tomaram­·se "traidores" e "assassinos" do próprio Cristo. Desta forma tinham "sempre resistido ao Espírito Santo". Por outro lado, o templo, sobre o qual eles depositavam tanta confiança, Deus há tempos o tinha rejeitado e já não mais habitava lá 17. Mas o que Deus já tinha dito de Sua morada em ocasião anterior? (Leia At 7:49-50 e Is 66;1-2!)

A consciência deles é atingida, mas o coração continua endurecido. Os judeus rejeitam também o último testemunho (*Lc 19:14). No Gólgota haviam matado a Cristo, que estivera neste mundo em humilhação; mas aqui rejeitam também o Espírito Santo, que lhes rendia o testemunho do Cristo agora glorificado. Deus tinha experimentado todos os meios para ganhar o Seu povo amado; mas Israel rejeitara tudo: -

- 1) Deus manifestou-Se na lei e nos profetas;

- 2) enviou a Cristo; e,

- 3) por fim, valia-se agora do

Espírito Santo operando em Pedro e por meio de sua pregação (At 2 e 4), também em Estevão, homem" cheio do Espírito Santo" .

Desse modo "a ira sobreveio contra eles, definitivamente" (1 Ts 2:16). Israel, como povo de Deus, é com isso posto de lado (por um período de tempo). Terminou também a época de o homem ser posto à prova. Aliás, em todas elas, o homem sempre demons­trou-se inimigo de Deus. [Israel (representando o homem no campo da religião) e os romanos (representando o homem em sua formação, moral e poderio) haviam juntos rejeitado ao Filho de Deus, levando-O à cruz.] Como é sério quando o homem continua­damente opõe-se às manifestações da graça de Deus. O juízo de Deus lhe sobrevém.

(17) A ocasião em que Deus Se retirou do templo: Ez 10:4, 18-19 e 11:22-23.

Deus agora inicia algo totalmente novo com o segundo homem, com Cristo; este novo esquema está em relação com o céu. As bênçãos e a porção de Israel estavam vinculadas à terra, a dos cristãos estão agora no céu. Estevão contempla os céus abertos.

3. Deus abre o céu à sua fiel testemunha. Estevão contempla a glória e vê o "Filho do homem" glorificado "em pé" à direita de Deus. O Senhor Jesus estava "em pé" ali, com certeza esperando ainda, até que, por fim, os judeus desprezaram também o último testemunho. Na carta aos Hebreus, lemos dEle em comparação com os sacerdotes no santuário: notamos que agora Ele está "assentado" (*Hb 10:12).

Em que ponto Estevão assemelha-se ao Senhor Jesus?

- 1) Em sua fiel confissão (1 Tm 6:13);

- 2) em seu amor ao seu povo;

- 3) em sua rejeição; e

- 4) em sua intercessão pelos inimigos.

A ocupação com Jesus fez Estevão tomar-se semelhante ao seu Salvador e Senhor (2 Co 3: 18). Mesmo assim, que grande diferença! Testemunha de Deus, o Senhor Jesus, embora tivesse estado aqui em pobreza e humil­dade, foi objeto de contemplação para todos os habitantes do céu, que se compraziam em admirá­-LO (Mt3:17; 4:11; 17:5; Jo 1:51 e 12:28). Aqui, ao contrário, é ao homem Estêvão que está sendo mostrado um Objeto no céu, e ele contempla com prazer: a Cristo, o Filho do homem glorificado.

Estêvão toma-se o primeiro mártir. Estava feliz, radiante, o seu rosto resplandecia um brilho celeste. Mais tarde, muitos ainda tiveram a mesma sorte 18 (*Ap 2:10).

Nós também confessamos ao Senhor com esse nível de fidelidade? (2 Tm 4:2; Mt 10:32 e*Lc 10:16).

(18) Por exemplo: Policarpo, Ignácio de Antioquia etc.

 

O Tribunal de Cristo