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Referências para o estudo bíblico
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Um auxilio para professores de escola dominical e amigos da Palavra de Deus.

DESCRIÇÃO DAS HISTÓRIAS DA BÍBLIA

* Sugere-se que os versículos indicados com asteriscos (*) sejam decorados

 

Jesus fala aos discípulos pela última vez antes de deixá-los para voltar ao Pai (conteúdo para vários estudos).

 

75. a) João 14: (lê-lo todo!} A nova condição dos discípulos:

  1. O Senhor Jesus passa agora a ser o objeto de sua fé e esperança: versos 1-12.
  2. Podem orar em nome do Senhor; e pela obediência demonstram se O amam: versos 13-15 e 21-24.
  3. A dádiva do Espírito Santo: versos 16-20 e 25-26.
  4. A dádiva da paz: verso 27.
  5. Nova alusão à Sua iminente ascensão ao céu: versos 28-31.

Explicação e ensinamentos:

Um pouco antes o Senhor Jesus tinha falado aos discípulos de Sua morte (* Jo 12:24,32) e de Sua situação como intercessor (como advogado - Jo 13:1-20), feitos por meio dos quais visa preparar os que Lhe pertencem, adequando-os ao céu segundo a posição e a condição. Agora vêmo-LO falando com eles a respeito do céu e de Sua ida para lá - pois o céu tinha que estar pronto para eles. Em outras palavras: Ele prepara os discípulos para o céu e o céu para os discípulos (Jo 14:2). Ele, porém, que até então tinha estado entre eles, ajudando-os e protejendo­-os, iria agora partir, e isto lhes era motivo de grande comoção (*Jo 14:27; 16:22). E embora aquela hora já Lhe fosse difícil, visto que coisas horríveis o esperavam (a traição de Judas; a negação de Pedro; a fuga de todos os discípulos; os sofrimentos e a morte; sim, o juízo de Deus), Ele, contudo, está ocupado com os seus amados, e, nestas últimas conversas, fortalece-lhes os corações, revelando-lhes todo o Seu amor e o amor do Pai.

  1. A nova condição: versos 1-12.

Os discípulos sempre tinham crido em Deus, sem, contudo, vê­-LO. Desta mesma maneira deveriam contemplar agora ao seu Senhor: elevando os seus olhares para Ele no céu, em fé e confiança (verso 1 e 1 Pe 1:8). O Senhor com isto desvia desta Terra os olhares dos discípulos, daqui onde até então estavam a porção e a esperança deles (visto serem judeus#), e passa a direcioná-los para o céu. É para lá que o seu Senhor e Salvador estava prestes a voltar; é para lá que direciona o coração e a mente deles. Os judeus esperavam pela vinda e reinado do Messias nesta Terra; mas, com a rejeição e a morte de Jesus, os discípulos não veriam mais cumprida essa sua esperança, porém, acima deles­ no céu - se lhes abriam novas perspectivas; o Senhor lhes faz ouvir coisas novas e maravilhosas:

"Na casa de meu Pai há muitas moradas... vou preparar-vos lugar" . A porção que lhes restou na Terra com a partida do Senhor rejeitado passaria a ser, daqui em diante, o ultraje e a inimizade. Mas (quão precioso!) eles recebem agora um lugar na casa do Pai com suas muitas moradas.

(Os justos em Israel não conheciam a Deus como o Pai deles; Ele lhes era conhecido sim como "o Todo-Poderoso", ao passo que os deuses das nações eram nulos (Gn 17: 1); conheciam­-NO também como Jeová, ou seja, o Eterno, o Imutável, que cumpria fielmente Suas promessas.

Por outro lado, não havia na morada de Deus sobre a Terra ­no Templo - um lugar para o povo todo, apenas tendas para os sacerdotes; porém, o Senhor quer preparar agora um lugar no céu para todos os seus.) Até então o acesso ao céu estava vedado aos homens. O pecado os impedia, e este precisava ser remido pri­meiro. Desde a morte do Senhor e de Sua ascensão como o "Filho do Homem glorificado nos céus”, a morada celeste está preparada e aberta à humanidade. Ali entrarão todos os seus, os quais Deus, o Pai, Lhe dá do mundo.

Como é amável e consoladora a palavra que o Senhor dirige aos seus: "Vou preparar-vos lugar. E... voltarei e vos receberei para mim mesmo". O Senhor não estará satisfeito enquanto não tiver todos os seus consigo. Ele mesmo os buscará (1 Ts4:16}. Desde que foi proferida essa promessa, a verdadeira esperança dos crentes passou a ser a volta do Senhor para buscá-los.

# As promessas feitas ao povo judeu são de caráter essencialmente terrestre.
As citações entre colchetes [ I requerem um maior conhecimento bíblico, e podem ser deixadas de lado conforme a idade das crianças.

O Senhor então fala do caminho que os conduz ao Pai. Ele mesmo é o caminho para Deus, o Pai, mediante a Sua morte e ressurreição. Antes de cair em pecado, Adão não carecia de um "caminho" para Deus, bastava­-lhe permanecer ali onde foi posto. Nós, porém, devido ao pecado, estamos desde então todos separados de Deus e, além disto, perdidos. Mas o Senhor Jesus, por meio de Sua obra, conduz­-nos a Deus (*1 Pe 3:18; *Hb 10:19-22), a saber, a Deus o Pai (* Jo 14:6). Ao mesmo tempo Ele próprio é o Caminho para Deus; também é a verdade, toda a verdade acerca de e procedente de Deus, a plena manifestação de Deus. Jesus é a verdadeira luz (* Jo 1:9), a imagem de Deus, "o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser" (Hb 1:3). O Senhor Jesus, porém, não revelou apenas e perfeitamente Quem era Deus, quão santo e justo e cheio de amor e graça Ele é, mas também revelou quem o homem é. Ele vê o homem e o desvenda; Ele é a "luz do mundo" (*Jo 8:12; Jo 2:25; *Mc 7:21-23).

Depois o Senhor também é a vida. Não é apenas que Ele tenha a vida, Ele é a vida. E somente "aquele que tem o Filho, tem a vida" (1 Jo 5: 12,20; Jo 17 :3). Os crentes são possuidores da vida divina no Filho de Deus. Por isso eles são filhos de Deus e têm um verdadeiro e eterno relaciona­mento com o Pai e com o Filho.

O Filho, por meio de Suas palavras e obras, é a plena revelação do Pai em toda a Sua essência (versos 7-11). Com relação às outras "maiores obras" que os Seus farão (verso 12), leia ainda Atos 2:41 e4:4. O Senhor Jesus não fizera milagres na incrédula cidade de Jerusalém, mas sim os apóstolos (veja At 4: 16; 5: 14-16). Porém, ao considerarmos as "maiores obras", devemos recordar também a presença do Espírito Santo sobre a Terra, visto que por meio dele foi concedido aos corações gozarem de uma compreensão maior do que nos dias do Senhor (Jo 16: 12-13).

  1. A oração dos discípulos e sua obediência: versos 13-15 e 21-24.

O Senhor Jesus voltará; mas até lá, durante Sua ausência, o que deverá caracterizá-los é uma verdadeira confiança, manifesta em oração, como também a obediência, a qual evidencia o amor que eles Lhe têm.

Após a ida do Senhor, os crentes podem orar ao Pai em Seu nome, isto é, na ciência de sua posição de filhos, à qual Ele também se submeteu. Apresentam-se diante de Deus nesta mesma posição e no mesmo favor, como Ele; e se assim orarem ao Pai (nesta mesma comunhão e dependência), pedindo o que for, o Filho mesmo o fará (isto é repetido duas vezes, nos versos 13 e 14), a saber, para que o Pai seja glorificado no Filho. Que finalidade elevada!

Mas há também um indicador que demonstra o amor que eles Lhe têm: a obediência (versos 15, 21 e 23-24). Como isto é importante! Onde falta a obediência, também falta o amor, visto que o amor é o motor que motiva a fidelidade na caminhada e leva a guardar todos os mandamentos e desejos do Senhor, bem como toda a Sua Palavra (versos 21 e 23).

  1. A dádiva do Espírito Santo: versos 16-23 e 25-26.

Até então o Espírito Santo, embora já tivesse atuado na Terra (por exemplo, quando da criação e nos profetas), ainda não habitava aqui, pois a redenção ainda não tinha acontecido e o Filho de Deus ainda não havia sido glorificado (*Jo 7:38-39). Nem tampouco havia aqui um templo vivo no qual pudesse habitar(*Ef 2:19-22; *1 Co 3: 16-17). Agora, porém, o Espírito Santo viria a esta Terra da parte do Pai e do próprio Cristo para que "estivesse para sempre com eles", e não apenas isso, mas que também estivesse neles (verso 16-17).

[O Espírito Santo é chamado de "outro Consolador**" (ou: "Intercessor", "Advogado"), visto que o próprio Jesus também é "Consolador" e "Advogado" (1 Jo 2: 1). O Messias, o redentor que havia de vir, era conhecido em Israel como o "Consolador" (Gn 5:29; Lc 2:25).)

O Senhor Jesus tinha de deixar os seus, mas o Espírito Santo jamais faria isso; ao enviar-lhes o Espírito Santo, Ele não estava deixando-os órfãos aqui, mas sim voltando para eles. (Note-se, contudo, que não se trata de Sua volta para nos buscar, mencionada no verso 3, a qual será para nos arrebatar.)

* Um que defende a causa de alguém e o auxilia. Foi o que Cristo fez aqui na Terra, é o que agora Ele faz no céu (1 Jo 2: 1). A missão do Espírito Santo na Terra é: 'cuidar da nossa causa', 'agir em nosso benefício' . Sua atividade também poderia ser descrita como: .. auxiliador" .

Mas o que devia realizar o Espírito Santo? Ampliar-lhes ricamente o conhecimento acerca dEle mesmo {v. 20; 16:14), acerca da posição deles em Cristo e de sua eterna união com Ele (*verso 20), a saber, que da mesma maneira como Cristo agora está acima junto ao Pai, ou no Pai{CI 3:3), nós estamos em Cristo e Cristo em nós (Rm 8: 1,10). Depois o Espírito Santo também deveria lembrar os discípulos de tudo o que Ele lhes havia dito aqui na Terra (possibilitando a redação dos quatro Evangelhos). Além disso, o Pai e o Filho desejam manifestar-se aos crentes de um modo especial no Espírito Santo, caso forem obedientes (*verso 21); ou seja, querem aproximar-se deles, sim, morar com eles, concedendo-lhes que usufruam de Sua presença. (Trace uma paralelo entre o íntimo relacionamento de Jeová com Abraão em contraste com o de Ló - Gn 18 e 19. Outro exemplo é a intimidade que o lar em Betânia gozava com o Senhor quando de Suas visitas.) Uma criança obediente e comportada é acariciada pelos pais e goza mais deles. O Espírito Santo habita em todos os verdadeiros crentes (1 Co 6:19; Rm 8:9; *GI 3:26 é 4:6); ainda assim, estes somente usufruirão do amor do Senhor, gozando das revelações acerca dEle mesmo (v. 21), quando seus corações estiverem voltados à Palavra do Senhor; em tais pessoas, o Pai e o Filho farão morada (verso 23).

  1. A dádiva da paz: verso 27.

O Senhor concede uma "dupla" paz. Ele diz: "Deixo-vos a paz". Esse é seu legado, teria de morrer para concedê-lo. Refere-se à paz para a consciência obtida pelo sangue da Sua cruz (CI 1:20). Mas prossegue: "a minha paz vos dou" . Agora trata­-se da preciosa paz do coração, paz que Ele próprio gozou quando em meio à inquietação e à inimizade deste mundo. Quão tranqüilo esteve Ele, por exemplo, na tempestade no mar, ante as cidades impenitentes (Mt 11 :25), diante de Seus opositores ou perante Pilatos e Caifás! Sua tranqüilidade procedia do perfeito amor e da constante comunhão com Seu Pai. É por isso que lhes diz: "A minha paz vos dou... não se turbe o vosso coração" .

  1. Nova alusão à Sua iminente ascensão ao céu: versos 28-31.

Caso pensassem em si, não havia razão para os discípulos se alegrarem com a partida do Senhor. O quadro se revertia quando levavam em consideração ao Senhor e o ganho que Ele teria ao deixar este mundo mau. Sua ida, aliás, também seria ganho para eles (16: 7). O príncipe deste mundo (Satanás) estava-se aproximando, mas em Jesus não havia nada a que ele pudesse se referir para, em razão disso, levá­-LO à morte e mantê-LO na morte. Ele era o Santo; ninguém podia tirar-Lhe a vida (Jo 10: 18). Mas Ele voluntariamente entrou na morte motivado pelo amor e obediência ao Pai (v. 31). Ele se entregou a Si mesmo por nós, como oferta agradável a Deus (*Ef 5:2).

75. b) João 15: {Iê-Io todo!} A videira e os ramos

  1. A videira verdadeira.

A dependência, dar frutos e o discipulado: versos 1-8.

  1. A bênção da obediência:

Gozar o amor do Pai e a alegria no coração: versos 9-11.

  1. Amar uns aos outros e gozar alegria no Senhor, mas do mundo virá ódio: versos 12-21.
  2. O juízo sobre Israel e a promessa do Consolador e testemunha do Senhor: versos 22-27.

Explicação e ensinamentos:

  1. A videira verdadeira.

A dependência, dar frutos e o discipulado: versos 1-8.

Antigamente o povo de Israel era considerado a videira de Deus na Terra (SI 80:8-14; Is 5:1-7), a qual, porém, apesar de todos os cuidados, não apresentou frutos; por isto foi posta de lado e desde então o Filho de Deus é a "videira verdadeira" (SI 80:8 e Mt 2:15). A videira é uma ilustração apropriada: é pequena e discreta - não majestosa como um cedro -, não produz flores vistosas e, além disso, requer muitos cuidados. De outras árvores aproveitam-se as flores, as folhas, as raízes ou a casca, ou então a madeira; mas aqui, somente tem valor o fruto (Ez 15). A videira é uma representação do Senhor em seu relacionamento com os discípulos cá na Terra; acima no céu já não há mais 'videira’, nem plantar nem podar. Portanto, a videira com os ramos não é figura do Senhor Jesus em Sua eterna ligação com os redimidos. Não, a abrangência desta ilustração é temporal e compreende todos os que confessam o nome do Senhor, sejam renascidos ou não. Ao tratar-se da eterna ligação do Senhor com os seus, emprega-se outra figura: (a) a cabeça e o corpo (os membros), ou então (b) o homem e a mulher.

O Pai é o agricultor. O que Ele faz? Durante o ano inteiro Ele lida na vinha. Ele aduba e cavoca o chão. Ele corta os ramos: todos aqueles que não apresentam brotos de fruto são cortados fora; os que exibem frutos são limpos (dos rebentos bravios e prejudiciais, visto que estes somente absorvem a luz, o ar e a seiva) a fim de que produzam mais frutos ainda.

Foi desta maneira que Deus lidou com os ramos e zelou por eles - os discípulos do Senhor. Um Judas e os discípulos que O abandonaram (Jo 6:66) eram ramos infrutíferos, foram cortados fora e secaram (versos 2 e 6). Para com outros (como Pedro, Maria e Marta etc.) Ele aplicou Sua disciplina.

Em nossos dias, a figura da videira e os ramos se aplica à cristandade professa; todos os que se dizem cristãos são ramos. Levar o nome do Senhor tem uma finalidade, a qual é dar frutos a Deus; o Pai procura frutos, e nisto é glorificado, em que dêem muito fruto. É a partir daí que são realmente discípulos do Senhor (verso 8). Mas, quais as condições para produzir fruto? Estar limpo é um requisito, bem como a posse da vida divina pela Palavra de Deus (verso 3), e não somente isto, mas também que permaneçam em Jesus e Jesus neles (versos 4 e 5). Somente onde há vida e permanente comunhão com o Senhor, e dependência dEle, ali há vigor e fruto. O crente somente está capacitado a ser um ramo que produza frutos caso permaneça no Senhor, e isto decorre da comunhão secreta do coração com Ele, do descansar nEle e do contato com Ele pela Palavra de Deus e pela oração (*verso 5). Uma comunhão assim, ligação bem-aventurada e permanente, resulta em que o coração seja amoldado conforme a vontade do Senhor; então ele deseja e pede somente aquilo que o Senhor pode atender (*verso 7 e SI 37:4).

  1. A benção da obediência:

Gozar o amor do Pai e a alegria no coração: versos 9-11.

O Pai amava Seu Filho quando este peregrinava aqui pelo mundo, fazendo em todas as ocasiões aquilo que era agradável ao Pai (Mt 3:17; 17:5; Jo 3:35; 8:29). E o Filho ama os seus do mesmo modo que o Pai; por isso, tal como antes pedira: "permanecei em mim!", Ele agora pede: "permanecei no meu amor!" (versos 4 e 9). Assim, da mesma forma como Ele guardava os mandamentos do Pai, permanecendo no Seu amor, permanecerão também em Seu amor aqueles que guardarem os Seus mandamentos; Ele aprecia esses tais (verso 10). E que proveito há para o coração que Lhe é obediente e que Ele aprecia? Há gozo! De qual tipo? O Seu gozo (verso 11).

  1. Amar uns aos outros e gozar alegria no Senhor, mas do mundo virá ódio: versos 12-21.

Tendo falado do gozo, Seu e deles, o Senhor agora lhes dá um mandamento: Amai-vos uns aos outros! (*verso 12, repetido no v. 17; 1 Jo 4:7,11,21).O amor é o atributo de Deus e é característico da nova vida e dos discípulos (* 1 Jo 3:14; * Jo 13:35). É somente no amor que podemos também servir uns aos outros e, caso necessário, entregar a vida uns pelos outros. Foi o que o Senhor fez, demonstrando ser nosso Amigo: na cruz, Ele deixou Sua vida por nós, que éramos seus inimigos! E agora, quando somos seus amigos? Quando obedecemos fielmente a todos os seus mandamentos, então nos serão também confiadas suas íntimas comunicações (versos 14­15).

      Abraão, exemplo de obediência pela fé, era amigo de Deus (Tg 2:23), razão pela qual Deus lhe pôde confiar íntimas comunicações (Gn 18:17; *Sl 25:14; Pv 3:32). E quando Abraão intercedeu a favor de Sodoma, Deus considerou sua intercessão. Da mesma maneira Deus, o Pai, ouvirá os pedidos dos seus que Lhe rendem frutos e que em nome de Jesus Lhe apresentam as súplicas (verso 16).

Em Sua caminhada aqui, o Senhor sempre gozava do amor do Pai, enquanto o mundo O odiava. Os discípulos iriam experimentar esta mesma dupla porção (o amor da parte do Pai e do Filho e, por outro lado, o ódio da parte do mundo - versos 17-21). Se fossem do mundo, e caso andassem com o mundo ao invés de condenar as suas obras más, o mundo os amaria (*verso 19 - *Ef 5:11; 1 Pe 4:3-4).

  1. O juízo sobre Israel e a promessa do Consolador e testemunha do Senhor: versos 22-27.

O amado povo de Israel fez-se culpado de grave pecado rejeitando o seu Messias, o Filho de Deus. Nesse Seu último discurso, o Senhor está profundamente comovido em Seu coração por este pecado; Ele diz que "(os judeus) pecado não teriam", nem pretexto teriam para pecar, rejeitando-O, caso não lhes tivesse falado nem operado entre eles as obras que fez (versos 22 e 24). Porém, estavam cheios de ódio contra Deus, o Pai, e contra Ele, o Senhor Jesus. Esta oposição também se estenderia aos discípulos. No entanto Ele lhes promete o poderoso Consolador (Advogado) da parte do Pai, o Espírito da verdade. Este testificaria dEle, o Vencedor; e eles também, que desde o princípio estiveram com Ele, testemunhariam a Seu respeito (versos 26-27). O livro dos Atos dos apóstolos nos relata este poderoso testemunho que os discípulos e os primeiros cristãos Lhe renderam (At 1:4 e 8).

Temos, pois, três coisas em nosso capítulo, João 15:

1- Videiras que produzem frutos: os discípulos (verso 8);

2- A obediência: os amigos (verso 14); 3- A comunhão com Ele:

as testemunhas (verso 27). Enquanto que no começo do capítulo Jesus preenche a posição outrora ocupada por Israel, tornando-Se a "videira verdadeira", temos o Espírito Santo assumindo agora a posição do Senhor como "Advogado" e "Testemunha”.

 

75. c)João 16: {lê-lo todo!}

A promessa do Espírito Santo

Explicação e ensinamentos:

Segundo o capítulo 14, versos 16 e 26, o Pai iria enviar-lhes o Espírito Santo, pois este liga os crentes ao Pai, por meio de Cristo (Jo 14:20). Mas, segundo o capítulo 15:26 e 16:7, o Filho também está enviando o Espírito Santo, pois Este atua testemunhando acerca do Filho neste mundo que O rejeitou e matou. O Filho de Deus, segundo o testemunho dado agora pelo Espírito Santo, está exaltado no céu, da parte de Deus, e ali foi coroado de glória e de honra (At 2:36; Hb 2:9), depois de ter sido escarnecido e assassinado como um malfeitor. Desde o céu o Filho glorificado envia agora o Espírito Santo, para que os discípulos sejam suas testemunhas.

Mas o Espírito Santo também vem espontaneamente, ou seja, não vem somente na condição de enviado (Jo 16:7-8, 13). Sua atuação sobre a Terra se estende a todo o mundo (versos 8-11) e aos crentes (versos 12-15).

1. O Espírito Santo como testemunha perante o mundo:

  1. Ele convence o mundo do pecado (verso 8). Não está sendo afirmado que o mundo ficaria convicto de sua situação, mas que seria convencido (talvez se possa convencer um criminoso de sua culpa mediante provas que ele não pode negar, mas isso não implica que a sua consciência tenha a consciência dessa culpa). O pecado sempre esteve no mundo desde a queda de Adão, e toda a pessoa será julgada segundo os seus pecados caso não se arrepender e buscar a graça de Deus (Ap 20: 12-13). Mas aqui nos versos 8-9 trata­-se de um pecado peculiar, o da rejeição de Cristo (veja também Jo 15:22-25). A rejeição de Cristo, enviado por Deus a este mundo - como Salvador de judeus e gentios­ para que a todos fosse estendida a graça e a salvação, fez com que o juízo fosse pronunciado sobre o mundo inteiro. Quando os judeus e os gentios, unidos, estavam por rejeitá-LO, Ele disse: "Chegou o momento de ser julgado este mundo" (Jo 12:31). A própria vinda do Espírito Santo ao mundo para aqui testemunhar acerca de Cristo e para habitar nos crentes é prova da horrível condição e do pecado do mundo; este, em sua inimizade, rejeitou a Jesus Cristo e desprezou a graça que nEle lhe estava sendo oferecida.
  2. Ele convence o mundo da "justiça" - "porque (diz o Senhor) vou para o Pai, e não me vereis mais" (verso 8 e 10). Como o Espírito Santo pode convencer o mundo da justiça? Pode-se encontrá-la na Terra? Oh, não! Todos são injustos, e o único justo que viveu aqui foi por ela odiado e crucificado. Mas Deus coroou com glória a este justo que O glorificou aqui: isto é justiça. De mais a mais, Deus retirou o justo da vista deste mundo hostil até que O vejam como juiz. Sim, o Filho do Homem que está entronizado acima, à direita de Deus, mas também a presença do Espírito Santo sobre a Terra, são um constante testemunho de justiça. Deus é justo, pois exaltou a Jesus, Que O glorificou sobre a Terra; mas há de julgar ao mundo com justiça, pois este rejeitou a Cristo, e não lhe resta nada além do juízo (At 17:31).
  3. Ele convence o mundo do juízo - "porque o príncipe deste mundo já está julgado" (versos 8 e 11). Satanás, que é o "príncipe deste mundo" , havia tentado por todos os meios desviar do caminho o Senhor da glória. Ao lado dele - do príncipe das trevas ­postaram-se tanto o nobre como o pobre, gentios e gregos, quando da luta com Jesus, o Príncipe da Vida. Tudo aparentava que a vitória fora de Satanás, pois Jesus morrera na cruz; mas o Senhor ressuscitou e triunfou sobre Satanás, e morte, e sepultura (CI2: 15). Satanás está julgado. E tanto a presença como o poder do Espírito Santo no mundo testemunham este fato. Queira o mundo aceitar este testemunho ou não queira, mas a presença do Espírito Santo é para o mundo um convencimento do "juízo". O seu príncipe já está julgado, e o próprio mundo também já incorreu no juízo.

2. O Espírito Santo como testemunha entre os crentes:

  1. Ele guia os crentes a toda a verdade (verso 13).

Até então os discípulos não estavam em condições de acolher os pensamentos e desígnios de Deus nem de compreendê-los -não podiam "suportar" estas coisas. Mas o Espírito Santo trouxe à luz "toda a verdade", como a temos agora nas cartas dos apóstolos. [Compare por exemplo, a carta aos Hebreus:

Cristo, o cumprimento de todas as figuras do Antigo Testamento; a carta aos  Colossenses: a pessoa gloriosa de Cristo, a plenitude de Deus, na qual temos também a nossa plenitude; a carta aos Efésios: a glória de Cristo em sua eterna e íntima ligação com os redimidos enquanto Cabeça do corpo; etc.)

  1. Ele anuncia as cousas que hão de vir (verso 13).

As cartas proféticas do Novo Testamento são prova disso: 2 Timóteo, 2 Tessalonicenses, 2 Pedro, o Apocalipse. Ele fez também soar o clamor à meia­-noite: "Eis o noivo!" (despertando a cristandade, após o longo período de trevas

da Idade Média, para a breve volta do Senhor). Ele defende os direitos e a glória de Cristo, fala e testifica dEle, e toma dEle para dar aos seus: a luz, a força e a preciosidade.

A partir do verso 16 o Senhor outra vez lembra os discípulos de que está prestes a partir para o seu Pai. Ele lhes estaria oculto por um breve tempo; mas logo depois os veria novamente, e então poderiam compreender este relacionamento ao qual Ele os introduziu. Aí eles mesmos pediriam ao Pai, visto que até então era Ele quem por eles intercedia ao Pai (considere o que disse Marta em Jo 11:22). Sim, Ele exorta que eles mesmos fossem ao Pai, que muito ama aos que crêem em Jesus (versos 23,26,27). O Senhor empenha­-Se para que os seus reconheçam o quanto Deus, o Pai, os ama afetuosamente, "e que em Seu coração de Pai há um apreço especial por eles - igualmente pelo Filho. E quando pedirem ao Pai em Seu nome (aí estão na mesma esfera de intimidade e na mesma posição de filhos do Pai), sua porção será completa alegria (verso 24).

Mais uma vez lhes expõe sua partida, e isso faz com que fiquem entristecidos. Porém, não O compreendiam; Ele lhes falava de Sua ida ao Pai, eles porém se referiam somente a Deus (versos 28 e 30). Por essa razão teve de lhes expor que nas próximas horas O haviam de deixar, perplexos, mas que o Pai estaria com eles também nessa ocasião. Ao mesmo tempo Ele os consola outra vez, como que dizendo: "Em Mim tendes paz". Aí deixa-lhes um duplo legado: que da parte do mundo passariam por aflições e medo, mas que nEle teriam paz e bom ânimo, visto que Ele venceu o mundo (*verso 33). Durante a história grandes exércitos e reis venceram outros exércitos e povos, mas Jesus venceu o mundo; pois Ele venceu o seu príncipe, Satanás (Jo 12:31; 14:30; Cl 2:15).

 

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