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PROBLEMAS da Juventude, do Casamento e da Família
PROBLEMAS da Juventude, do Casamento e da Família

PROBLEMAS da Juventude, do Casamento e da Família À LUZ DA BÍBLIA    

J.Graf

 

VIII

OS PAIS E OS FILHOS

O Pai

Como Deus Vê o Pai de Família

Deus várias vezes refere-Se à figura de um Pai para fazer-nos compreender o Seu modo de proceder. "Como um homem leva a seu filho" (Deuteronômio 1:31). "Como um homem poupa a seu filho, que o serve" (Malaquias 3:17). "Como um pai se compadece de seus filhos" (Salmo 103:13). "O Senhor repreende a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem" (Provérbios 3:12, citado em Hebreus 12:6). O apóstolo exortava e consolava os crentes de Tessalônica "como o pai a seus filhos" (1 Tessalonicenses 2:11). E assim também o trato do pai para com o filho deveria ser caracterizado por plena assistência em amor.

 

As Advertências

É notável que as advertências

de Efésios 6:4 e Colossenses 3:21 sejam dirigidas aos pais e não às mães. Há, pois, dois perigos associados à atuação paterna na educação dos filhos:

-1) de provocar os filhos à ira.

-2) de irritá-los, e assim desencorajá-los.
A advertência de não provocar os filhos deve ser especialmente considerada no caso de filhos de caráter difícil.

Já as crianças mais temas e delicadas, devido à sua apurada sensibilidade, podem irritar-se ou desencorajar-se caso ouçam do pai palavras duras ou irrefletidas, ou caso as broncas ou punições sejam injustas. Nos tempos atuais, porém, devido à influência antiautoritária, o perigo maior reside no outro extremo: pais que são por demais tolerantes ou indiferentes.

 

Os CONSELHOS POSITIVOS DE EFÉSIOS 6:4

(1) A Disciplina

Esta palavra tem o sentido de correção. Não significa necessariamente um castigo corporal, embora às vezes seja isso, porque ambos, "a vara(B) e a repreensão' A), dão sabedoria" (Provérbios 29:15 - ER.C.).

-A) "As repreensões da correção são o caminho da vida (Provérbios 6:23 - E.R.C.). Em primeiro lugar, o filho deve ser convencido com palavras amorosas, porém firmes, das suas más ações e do seu mau comportamento, e, em seguida, instruído acerca do que é o bem. A repreensão, por si só, desencoraja, mas a indicação do caminho certo torna-se um compromisso à obediência. Nem sempre a repreensão produz o efeito educativo, e então a vara deve ser aplicada.

-B) A vara: "A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da correção a afugentará dela" (Provérbios 22: 15 - E.C.R.). Utilizar a vara num momento de ira ou por capricho tira-lhe o efeito e só acarreta mais dificuldades (comparar Provérbios 19: 18; 22:8 e Hebreus 12:10). Há condições prévias para que se . possa exercer a disciplina segundo Deus: depender do Senhor em oração, temer a Deus e cultivar a calma interior. Fazer ameaças de punições que nunca são aplicadas produz resultados trágicos: os filhos deixam de levar a sério os pais e também a Palavra de Deus, no que concerne à punição. Embora em nossos dias a punição corporal seja tida como coisa de mau gosto, as exortações que a Bíblia dá em Provérbios 23:13-14 e 13:24 continuam em plena vigência. A disciplina tem em vista a salvação da alma (Provérbios 23:14). Se alguém não aprendeu logo cedo a obedecer aos pais, será que obedecerá mais tarde ao Evangelho?

(2) A Admoestação do Senhor

Abraão dá-nos um exemplo impressionante. Ainda mesmo antes de seu filho Isaque ter nascido, Deus já podia atribuir-lhe este testemunho:

"Eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do SENHOR, para obrarem com justiça e juízo" (Gênesis 18: 19 - E.R.C.).

O profeta Isaías também atesta que "o pai aos filhos fará notória a tua verdade" (1saías 38: 19 - E.R.C.). Os pais, portanto, são chamados para relatar aos filhos as verdades de Deus, os Seus caminhos e a Sua fidelidade, que eles próprios já têm experimentado. As mães, por sua vez, falariam do amor do Senhor.

 

Uma Má Educação

-1) Eli tomou conhecimento da má conduta de seus filhos e até mesmo os repreendeu com amor, mas não os castigou (1 Samuel 2:22-25 e 3: 13). Era um caso em que as admoestações não bastavam; e faltou disciplina.

-2) O rei Davi jamais tinha contrariado o seu filho Adonias, dizendo-lhe: "Por que fizeste assim?" (1 Reis 1:6). Numa culpável negligência, permitiu-lhe tudo. Neste caso, faltou admoestação.

(1) Bênção e Maldição dos Pais

Os patriarcas Isaque e Jacó prometeram a seus filhos bênçãos terrenas. Eram bênçãos segundo as promessas feitas a Israel, que compreendiam muitos filhos e a prosperidade dos seus descendentes (Hebreus 11:20-21; comparar com Gênesis 49:26 e Deuteronômio 28:4). Por essa razão, vemos a descendência de Eleazar e Itamar, os filhos de Arão, prosperando segundo medidas diferentes. A casa de Eleazar foi abençoada devido à fidelidade de Finéias e ao seu zelo pelos interesses do Senhor, enquanto Eli, descendente de Itamar, atraiu o juízo de Deus sobre si e sobre a sua casa por causa do pecado dos seus filhos (1 Crônicas 24:4; Números 25:11-13; 1 Samuel 2:22-23, 31-33).

Em nossos dias, as bênçãos dos crentes têm um caráter espiritual.

O Senhor Jesus mencionou que os pais não dão aos filhos senão boas coisas (Lucas 11:11-13). Os pais crentes, por isso, sempre devem ter em vista o bem-estar espiritual dos filhos e obviamente também o bem-­estar material.

(2) As Conseqüências da Iniqüidade dos Pais

Deus visita a iniqüidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração (t:xodo 20:5). A justiça e a santidade irrevogáveis de Deus reclamavam isso daqueles que serviam os ídolos e O odiavam. Mas o princípio divino expresso em Ezequiel 18:20, que aparentemente contradiz esta passagem, também continua verdadeiro: "A alma que pecar, essa morrerá. O filho não levará a maldade do pai".

Os seguintes exemplos do Antigo Testamento ilustram bem estas verdades:

-A) No deserto, durante 40 anos, os filhos dos israelitas tiveram de levar sobre si os pecados que seus pais haviam cometido durante 40 dias (Números 14:33-34). No tempo da deportação dos filhos de Judá para a Babilônia, o profeta Jeremias lamentava-se: "Nossos pais pecaram e já não existem; nós levamos {o castigo das} suas maldades" (Lamentações de Jeremias 5:7).

Embora não estejamos mais sob a lei, muitas pessoas sofrem as conseqüências dos pecados de seus antepassados, quer no seu próprio corpo, quer na sua família. Nem mesmo a Igreja de Deus é poupada. A santidade de Deus é imutável, mas também o é a Sua bondade para com aqueles que O amam.

Além destes exemplos coletivos, há também exemplos' individuais. Vejamos:

-B) O homem de Deus foi incumbido de dizer a EIi: "(fu) honras a teus filhos mais do que a mim ... Cortarei o teu braço e o braço da casa de teu pai, para que não haja mais velho algum em tua casa ... E toda a multidão da tua casa morrerá quando

chegar à idade varonil" (1 Samuel 2:29-33 - E.R.C.). Estas palavras cumpriram-se literalmente (1 Samuel 22: 18; 1 Reis 2:27).

Não deixemos de conferir também os casos de Joabe (2 Samuel 3:28-29); Geazi (2 Reis 5:27); Datã e Abirão (Números 16:27 -32) e Acã (Josué 7 :24-26).

Talvez tenhamos dificuldade em compreender que crianças inocentes tenham de sofrer as conseqüências das faltas cometidas por seus ascendentes (por exemplo, as conseqüências do álcool, da droga, das doença venéreas etc.), mas os caminhos de Deus são sempre segundo a Sua santidade. Ele é.sumamente puro para poder admitir o pecado em Sua presença.

Todavia, Deus distingue entre o juízo sobre o pecado e as conseqüências do pecado. Ele sempre procede com justiça. "Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos em lugar dos pais; cada qual será morto pelo seu pecado" (Deuteronômio 24:16). É uma instrução que Ele havia dado aos juízes de Israel.

O juízo cai sobre o próprio culpado, porém as conseqüências do pecado podem atingir os filhos. Mas é justamente nessas circunstâncias que a misericórdia de Deus muitas vezes triunfa sobre o juízo (Tiago 2:13).

Contrariamente ao que sucedeu aos filhos de Datã e de Abirão, os filhos de Corá não pereceram com o seu pai. Certamente não foi fácil para eles tomarem posição contra o próprio pai, por mais impuro que ele fosse, mas eles se puseram resolutamente do lado de Deus e seguiram Moisés, quando este disse: "Desviai-vos das tendas desses ímpios homens, e não toqueis nada do que é seu, para que, porventura, não pereçais em todos os seus pecados" (Números 26: 11; 16:26 - E.R.C.). Os salmos que eles escreveram testificam sua gratidão perante Deus por Sua graça salvadora.

Nós vivemos no tempo da graça. Já não estamos sob a lei. Se confessarmos os nossos pecados, Deus nos perdoa em Cristo; mas muitas vezes as conseqüências da nossa desobediência à Palavra de Deus podem subsistir, particularmente quando se trata de casos irreparáveis (a não ser por milagre).

 

Tu e a Tua casa

Temos insistido sobre a responsabilidade do pai de família e mencionamos que as conseqüências de sua fidelidade ou infidelidade refletem-se na sua vida familiar. Se alguém é fiel a Deus, Ele cuida e zela por seus entes. É algo maravilhoso o interesse que Deus manifesta por um lar cristão.

 

(1) Os Cuidados de Deus

Se estendem a toda a família:

-A) Deus pôde assegurar a Noé: "Entra tu e toda a tua casa na arca, porque te hei visto justo, diante de mim, nesta geração" (Gênesis 7:1). Ele havia construído uma arca para a conservação de sua casa (Hebreus 11:7), e Deus poupou todos os seus entes do juízo.

-B) Para que o patriarca Jacó e sua casa não empobrecessem em decorrência da fome na Terra, Deus pôs no coração de José a decisão de sustentá-los por cinco anos (Gênesis 45: 1.1).

-C) Deus preservou a piedosa mulher de Suném - cujo filho tinha sido restituído à vida por Eliseu - e sua casa com ela, das amargas conseqüências da fome que se aproximava (2 Reis 8:1).

 

(2) As promessas de Deus

São em benefício de toda a casa:

-A) Cornélio era um homem piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa. O anjo dísse-lhe:

"Manda chamar Simão ... o qual te dirá palavras mediante as quais serás salvo, tu e toda a tua casa" (Atos 11:13-14). E "caiu o  Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra" (Atos 10:44).

-B) Em resposta ao seu clamor: "Que devo fazer para que seja salvo?". O carcereiro de Filipos ouviu um convite e uma promessa: "Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa". Foi o que ele fez e "alegrou-se com toda a tua casa" (Atos 16:30-31,34 : E.R.C.).

A promessa de Deus se cumpriu em ambos os casos porque houve uma profissão de fé autêntica, e não somente exterior.

 

(3) Os Resultados da Firmeza dos Pais

-A) Crispo, o principal da sinagoga de Corinto, creu no Senhor, com toda a sua casa (Atos 18:8). A fé do pai atraiu os que lhe pertenciam a seguir pelo mesmo caminho.

-B) o Espírito Santo atribui ao sacerdote Joiada o testemunho de ter feito bem em Israel, e para com Deus e a Sua casa (2 Crônicas 24: 16). Sua esposa Jeosabeate, filha do rei, ocultou o seu sobrinho Joás para que não morresse durante uma chacina, e depois ainda o manteve escondido durante seis anos na casa de Deus. Contudo, depois da morte de Joiada, os chefes de Judá induziram o rei e o povo à idolatria. Naqueles tempos sombrios, a fidelidade do sacerdote para com Deus continuou rendendo frutos à sua casa. O Espírito de Deus pôde servir-Se de seu filho Zacarias para advertir seriamente o povo. Infelizmente nem o rei nem o povo lhe deram ouvidos e acabaram por matá-lo (2 Crônicas 24:20-22). Todavia, Deus não esqueceu nem a fidelidade do pai nem a fidelidade do filho.

-C) Depois de o rei Davi ter recebido as promessas, colocou­-se perante o Senhor, e disse:

"Quem sou eu, SENHOR Deus, e qual é a minha casa, para que me tenhas trazido até aqui? Tu conheces bem a teu servo" (2 Samuel 7: 18, 20). Mas ao fim de sua vida, olhando para trás e vendo suas próprias faltas e a infidelidade de sua casa, Davi teve de reconhecer: "Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus... " (2 Samuel 23:5 ­E.R.C.).

Não se dá o mesmo conosco?

Por um lado, admiramos os múltiplos cuidados e as bondades do Senhor para com nossa família, e, por outro, temos de nos entristecer e nos humilhar quando vemos tanta negligência e pecado em nosso lar.

 

O PAPEL DOS PAIS NA QUESTÃO DAS DIFERENÇAS ENTRE AS GERAÇÕES

Já no livro de Eclesiastes lemos: "Uma geração vai, e outra geração vem" (1:4). Após a morte de Josué e de toda aquela geração, levantou-se outra geração que não conhecia o Senhor Deus, nem a obra que Ele tinha feito em Israel (Juízes 2:10). Por quê? Talvez esta nova geração não tenha tido pais, a respeito dos quais pudesse dizer:

"Ele me ensinava e me dizia:
Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive" (Provérbios 4:4).

O salmista testemunha: "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez ... a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança, e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos" (Salmo 78:3-7 e 71:18).

Não seriam os conhecidos problemas entre as gerações decorrentes da negligência dos pais em ensinar o temor de Deus à sua descendência e de lhes dar exemplo? Se isto ocorresse, até mesmo a terceira geração após eles iria usufruir as bênçãos.

Mas a Palavra de Deus também dá diretrizes para a solução de problemas desse tipo. Embora o último versículo do Antigo Testamento seja, em primeira instância, relativo a um tempo ainda futuro, quando Deus "converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais" (Malaquias 4:6), pode-se muito bem aplicá-lo aos dias de hoje. Esta promessa é inteiramente válida para a nossa época. Mas observem que Deus começa pelos pais! (Comparar Lucas 1: 17.) A solução de tais problemas começa, pois, no coração dos pais!

 

3- A Mãe

Como Deus a Vê

Deus também faz referência à figura de uma mãe para falar de Si mesmo: "Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu vos consolarei" (Isaías 66:13). "Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre?" (Isaías 49: 15 ­E.R.C.). Após ter conduzido os filhos de Israel para fora do Egito, Deus cuidou deles no deserto como uma mãe (Atos 13: 18). Também o apóstolo Paulo tinha sido brando com os crentes de Tessalônica, "qual ama que acaricia os próprios filhos" (1 Tessalonicenses 2:7).

 

A EDUCAÇÃO QUE A MÃE DÁ AO FILHO

Na Palavra de Deus não há exortações dirigidas especialmente às mães. Mas, desde que lhe foram confiados filhos, o seu dever prioritário será dedicar-se à educação deles

(1 Timóteo 5:10). O Criador as qualificou para isso.

São também as mães que ressentem particularmente as conseqüências de uma má educação, ou de uma educação que não teve efeitos positivos:

"A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe (Provérbios 29:15).

"O filho insensato é a tristeza de sua mãe" (Provérbios 10:1).

"O homem insensato despreza a sua mãe" (Provérbios 15:20).

 

O Refúgio Junto da Mãe

No Salmo 131:2 lemos:

"Como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe". É uma cena na qual vemos as relações da mãe -lugar de refúgio - e do filho que já não depende dela como uma criança em fase de amamentação, mas que continua tendo necessidade desse lugar de refúgio. Isso está inteiramente de acordo com o pensamento de Deus. Para onde mais poderíamos ir em nossos desgostos e alegrias? Que grande prejuízo quando não podemos gozar desse refúgio! (comparar Provérbios 14:26).

Infelizmente existem casos em que filhos ficam à própria mercê, porque a mãe prefere sair para ganhar dinheiro e atender a fins materiais ou mesmo à sua satisfação pessoal, deixando de corresponder à sua alta dignidade de mãe. A sorte dessas crianças, que voltam sozinhas da escola, têm sua própria chave de casa e ficam solitárias ali, é triste e acarreta numerosos problemas.

Outras mães recorrem aos avós para educar os filhos. Outras deixam-nos em creches. São procedimentos que não correspondem à responsabilidade que Deus conferiu às mães. Não havendo necessidade absoluta, como, por exemplo, doença grave, morte, etc., não são atitudes justificadas.

Em troca, que belo exemplo temos em Mordecai! Ester tinha perdido seus pais, e ele, o tio, dedica-se a educá-la e mais tarde preocupa-se com o seu bem material e moral (Ester 2: 7 e 11; 4:13-17).

-1) Como já vimos, Ana era uma mulher de oração. Será então de admirar que encontremos o nome de seu filho Samuel citado na lista dos que oravam? (1 Samuel 1:27; Salmo 99:6). A vida e o serviço de Samuel foram caracterizados

pela oração e pela intercessão com clamores ao Senhor (1 Samuel 7:9; 15:11 etc.).

-2) Em Eunice e em seu filho Timóteo habitava uma fé sem fingimento. Não se tratava de algo herdado; era uma fé que eles alcançaram pessoalmente, porém estimulados pelo bom exemplo de uma mãe piedosa (2 Timóteo 1:5).

Mas a influência de uma mãe também pode ser perniciosa:

-3) Atália descendia da ímpia casa de Acabe e serviu a seu filho Acazias como uma conselheira para a iniqüidade e perdição. Veio dela o conselho de que se unisse com o rei de Israel na guerra - caminho do qual caiu sob o juízo de Deus, pela espada de Jeú (2 Crônicas 22:3-5).

-4) Em Ezequiel 16:44 lemos "tal mãe, tal filha", em referência ao aspecto negativo. Queira Deus que nos lares cristãos prevaleça o aspecto positivo deste provérbio!

 

4-Os filhos

Como Deus os Vê

-1) As crianças são objeto da misericórdia divina:

"E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a mão esquerda?" (Jonas 4: 11). Essas pessoas ainda não tinham atingido a idade da responsabilidade e, em função disso, foram objetos de particular misericórdia divina (comparar 2 Crônicas 30:9; Mateus 18:5-6: Marcos 9:37).

-2) O Senhor Jesus ama as crianças. Ele as tomou nos braços, como que apertando-as contra o Seu coração amoroso, e sobre elas impôs as mãos, abençando-as (Marcos 10:16).

 

Deus Zela pelas Crianças

-1) Ele forma a criancinha que vai nascer (Salmo 139:13-16). Jeremias, por exemplo, já tinha sido santificado antes do nascimento; Paulo, separado, e João Batista, cheio do Espírito Santo, desde o ventre materno (Jeremias 1:5; Gálatas 1:15; Lucas 1:15).

"Quem fez o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR?" (Êxodo 4: 11 - E.R.C.). A sabedoria de Deus está acima de tudo o que podemos compreender. Ele não comete nenhum erro, nem mesmo quando alguns pequeninos são portadores de deficiências.

No caso do cego de nascença, os discípulos perguntaram ao Senhor: "Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?". Da resposta do Senhor depreende-se claramente que não se tratava de um juízo divino em decorrência de algum pecado, como as pessoas por vezes imaginam, "mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus", de sorte que, por fim, o homem que tinha sido curado se ajoelhou aos pés do Senhor Jesus e O adorou (João 9:2-3 e 38).

-2) Não é da vontade do Pai celeste que nem um dos pequeninos se perca. Por isso "o Filho do homem veio salvar o que estava perdido" (Ma teus 18: 14 e 11). Em contrapartida, em se tratando da salvação de adultos, vemos que o Senhor Jesus precisa buscá-los e salvá-los (Lucas 19:10).

-3) É do sumo interesse de Deus o bem dos pequeninos (leia Deuteronômio 4:40 e 5:29).

-4) As crianças não deviam de modo algum ser prejudicadas. As revelações divinas destinavam-se também a elas (Deuteronômio 29:29). Era da vontade de Deus que o conhecimento do Pai Celestial e da encarnação de Cristo fossem reveladas aos pequeninos. Ele ocultou estas coisas dos sábios e entendidos porque estes tinham rejeitado o Senhor Jesus (Mateus 11:25-26).

-5) Quem desprezar um destes pequeninos, ou for para eles motivo de queda, será julgado. Mas aquele que os receber em nome do Senhor, a Ele mesmo receberá (Ma teus 18:1-14).

 

OS FILHOS E OS CAMINHOS DE DEUS

O povo de Israel foi desobediente no deserto e não teve confiança no seu Deus. Deram mais crédito às palavras dos espiões. Por essa razão toda aquela geração pereceu no deserto, ao passo que as criancinhas, trinta e oito anos mais tarde, puderam entrar na Terra Prometida (Deuteronômio 1:39). Mas o povo continuou a corromper-se, rejeitou o conhecimento e esqueceu a lei do seu Deus. Por isso Deus mais tarde teve de agravar o juízo e esquecer os filhos deles (Oséias 4:6). O juízo vindouro atingirá tanto os jovens como os velhos (Lucas 19:44).

Mas os filhos um dia verão a restauração do reino de Cristo e terão o seu lugar ali: "Viverão com os seus filhos, e voltarão". "Seus filhos o verão e se alegrarão; o seu coração se regozijará no SENHOR" (Zacarias 10:9,7). Durante o reino milenar, "as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas' brincarão" (Zacarias 8:5 - E.R.C.). Não serão como os seus pais, "geração obstinada e rebelde" (Salmo 78:8). Não podemos imaginar tal mudança. Todos os seus filhos serão ensinados pelo SENHOR e será abundante a sua paz (Isaías 54: 13; comparar com Joel 2:28-29). É com muita admiração que desde já contemplamos os propósitos futuros de Deus em relação aos filhos.

 

As Advertências aos Filhos

Resumem-se em duas palavras-chave: "obedecer" e "honrar". A obediência aos pais tem duplo efeito: por um lado, o bem dos filhos; e, por outro, a aprovação do Senhor. A obediência deve ser "no Senhor", conforme instrução associada ao mandamento de honrar pai e mãe. Um mandamento que, aliás, contém promessas para os filhos (Efésios 6:1-3).

Obedecer em todas as coisas é agradável ao Senhor (Colossenses 3:20). Esta formulação não deixa espaço para os filhos fazerem a sua própria vontade depois que os pais deram as ordens.

O filho deve honrar seu pai (Malaquias 1:6; Êxodo 20:12; Deuteronômio 5: 16; Mateus 15:4-5).

Em Levítico 19:3, Deus ordenou ao povo de Israel que. cada um deveria temer a sua mãe e a seu pai." Como já fizemos notar em relação com Efésios 5:33, não se trata aqui de um temor inspirado pelo medo, mas simplesmente de profundo respeito, pelo reconhecimento da autoridade dos pais.

O Senhor Jesus é o mais belo exemplo: era submisso aos seus pais (Lucas 2:51).

Por quanto tempo um filho deve obedecer aos pais? Ester já era rainha, e ainda "cumpria o mandado de Mordecai, [tal] como quando a criava" (Ester 2:20). Ela obedecia a quem a havia criado. Não quer dizer que ela não fosse dotada de vontade própria. Como prova disso, vemo-la, mais tarde, pondo sua vida em jogo para salvar o seu povo.

A submissão à autoridade dos pais não cessa com a maioridade. Mesmo quando já forem independentes, rapazes e moças tementes a Deus irão prazerosamente consultar seus pais. Mas permanece o que já tínhamos visto, que, com o casamento, o homem - o chefe da família - passa a assumir a responsabilidade.

Um das características da decadência moral que vemos hoje, como também entre a cristandade apóstata, é a desobediência aos pais (Romanos 1:30; 2 Timóteo 3:2).

Mas exemplos dessa desobediência já eram conhecidos no Antigo e no Novo Testamento:

-1) O filho teimoso e rebelde persistia na desobediência, apesar do castigo aplicado pelos pais. Com que dor no coração os pais deviam então levá-lo aos anciãos de sua cidade! Estes pronunciariam um julgamento público sobre o filho. Era para que outros ouvissem e temessem (Deuteronômio 21:18-21).

-2) Um homem tinha dois filhos e mandou-os trabalhar na vinha. Um deles disse: "Eu vou", mas não foi (Mateus 21:30). Uma boa intenção não significa obediência.

 

A CORRESPONDÊNCIA DOS FILHOS À EDUCAÇÃO

Quanta sabedoria é necessária para que cada filho seja educado segundo o seu caráter!

Aceitará ele a instrução dos pais (ver Provérbios 1:8; .4:1; 6:20) ou desprezará as suas advertências? Feliz aquele que aprendeu a obedecer desde a mais tenra idade. Se, todavia, rejeita a instrução dos pais, então já vimos que a disciplina deverá tomar o lugar das admoestações. É assim que Deus procede com os Seus filhos: "Filho meu, não desprezes a correção do Senhor, e não desmaies quando por ele fores repreendido; porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" (Hebreus 12:5-6 - E.R.C. ). Esta citação de Provérbios 3: 11-12 é uma referência aos princípios que Deus emprega para a educação dos Seus filhos, mas é também uma clara indicação de que o pai que ama o seu filho também irá castigá-lo.

 

COMO O FILHO REAGE À DISCIPLINA?

A Palavra de Deus menciona diversas possibilidades:

-1) Rejeita ou menospreza a disciplina (Hebreus 12:5). Vemos aí duas maneiras de não se submeter a ela de coração: (A) recusando-se a acatá-la ou então (B) conformando-se com a situação como se fosse um destino inevitável.

-2) Fica desencorajado. É possível que a disciplina produza este efeito; o filho pode cansar-se sob a correção (Hebreus 12:5).

-3) O coração fica exercitado pela disciplina (Hebreus 12:11). O resultado desta atitude é a humilhação (Salmo 119:67,71,75). No primeiro momento, a disciplina pode ser causa de tristeza.

-4) Dá fruto para o Senhor (Hebreus 12:11). Este é o propósito final da disciplina.

Que o Senhor dê aos pais cristãos uma grande medida de graça e discernimento nesta tão delicada tarefa. Que o sentimento da sua incapacidade não os faça negligenciar essa disciplina, porque Deus a reconhece, apesar da imperfeição de sua aplicação (Hebreus 12:9-10).

 

A CONSIDERAÇÃO PARA COM OS PAIS

Esta não é simplesmente uma questão de conveniência ou boas maneiras.

Deus não permitia que os israelitas tomassem, num ninho de passarinhos, a mãe e os filhos ao mesmo tempo. Deviam primeiro afugentar a mãe (Deuteronômio 22:6-7). Um cabrito não devia ser cozido no leite de sua mãe (Êxodo 23: 19 e 34:26; Deuteronômio 14:21).

O Senhor também agiu segundo este importante princípio de consideração. Quando ressuscitou o jovem de Naim, não lhe disse que O seguisse, mas, considerando os sentimentos e a necessidade da mãe, restituiu-lhe o filho (Lucas 7:11-15).

Já na cruz, Ele diz à Sua mãe:

"Mulher, eis aí o teu filho", e ao discípulo João disse: "Eis aí tua mãe" (João 19:26-27). Mesmo no meio dos indizíveis sofrimentos da cruz, o Senhor estava preocupado com a Sua mãe. Que perfeita consideração com uma mãe! "Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para [sua} casa" (v. 27). Exemplos a imitar por todos aqueles cujo pai e mãe carecem de cuidados.

Em contraste, quanta ingratidão dos filhos para com os pais idosos vemos nas palavras do profeta: "De todos os filhos que ela teve nenhum a guiou; de todos os filhos que criou nenhum a tomou pela mão"

(Isaías 51:18). É dever dos filhos ou dos netos prover as necessidades materiais da mãe ou da avó viúva. O auxílio social proporcionado pelo governo aos idosos não dispensa os parentes de sua responsabilidade (1 Timóteo 5:4 e também Marcos 7:10-13).

Mas os pais não podem ocupar no coração dos filhos o lugar que pertence ao Senhor Jesus. O primeiro lugar no coração sempre pertence a Ele. "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim" (Mateus 10:37). Trata-se aqui de pôr os sentimentos naturais no seu lugar, caso os pais sejam um impedimento para obedecer ao Senhor. Mas isto não pode ser invocado como pretexto para não se dispensar aos pais os cuidados que eles carecem (Marcos 7:10-13; Mateus 23:23).

 

Atitudes Repreensíveis Perante os Pais

"Maldito aquele que desprezar a seu pai ou a sua mãe" (Deuteronômio 27:16);

"Os olhos de quem zomba do pai, ou de quem despreza a obediência à sua mãe, corvos no ribeiro os arrancarão e pelos pintãos da águia serão comidos" (Provérbios 30:17);

"O que maltrata a seu pai, ou manda embora a sua mãe, filho é que envergonha e desonra" (Provérbios 19:26);

"O que rouba a seu pai, ou a sua mãe, e diz: Não é pecado, companheiro é do destruidor" (Provérbios 28:24);

"O que a seu pai ou a sua mãe amaldiçoar, apagar-se-á a sua lâmpada e ficará em densas trevas" (Provérbios 20:20 ­E.R.C.; comparar com Êxodo 21:17);

Quem censura os pais: "Por que geras, por que dás a luz?", esse não ficará impune. Deus diz: "Ai daquele que...” fizer isso! (Isaías 45:10). Ele mesmo Se responsabiliza pelo castigo em lugar dos pais e pronuncia Sua maldição sobre os tais.

Em todos os casos citados, Deus intervém em favor dos pais.

 

O PAPEL DOS JOVENS NA QUESTÃO DAS DIFERENÇAS ENTRE AS GERAÇÕES

O apóstolo Paulo nos dá a palavra-chave quando diz a respeito de Timóteo: "Serviu ao Evangelho, junto comigo, como filho ao pai" (Filipenses 2:22).

Não disse, "contra mim" ou "ao mesmo tempo que eu", mas, sim, "junto comigo"! Trata-se, pois, de uma estreita colaboração.

Deuteronômio 32:7 diz:

"Pergunta a teu pai, e ele te informará". Pergunte a ele, em vez de repreender seus procedimentos ou de falar mal dele diante dos outros. Uma conversa franca e aberta com os pais tirará do caminho obstáculos e mal-entendidos. Roboão preferiu consultar os jovens da sua idade e seguir as idéias deles, mas isso somente lhe trouxe conseqüências infelizes (1 Reis 12:6-11,16-19).

"Ouve a teu pai, que te gerou, e não desprezes a tua mãe, quando vier a envelhecer" (Provérbios 23:22).

Cabe aos jovens contribuir com sua parcela para a solução desta problemática dos conflitos entre as gerações.

 

Conclusão

Chegamos ao fim do assunto que tínhamos proposto abordar. A Palavra de Deus responde às questões que se colocam antes e durante o casamento, e dá os princípios fundamentais da vida de toda a família cristã. Espero que, apesar das inúmeras lacunas, muitos leitores tenham tirado proveito deste estudo. Pela Palavra de Deus e pela oração, a juventude, os casais, os pais, as mães e os filhos de qualquer idade encontrarão em todo o tempo, no Senhor Jesus, socorro para andar nas relações familiares em que são colocados, de maneira digna da vocação em que foram chamados (Efésios 4:1).

"Como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver" (1 Pedro 1:15 - E.R.C.).

A verdadeira graça de Deus (1 Pedro 5: 12) é suficiente para nos manter na santificação prática, e nela nos restaurar. Que ela encha o nosso coração do real juízo de nós mesmos e da verdadeira misericórdia para com o próximo!

"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de temos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente" (Colossenses 3:12-13).

E o Senhor disse: "A MINHA GRAÇA TE BASTA" (2 Coríntios 12:9).

 

- Fim desta série de estudos -

 

Uma tão grande salvação - Parte 6