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Problemas da Juventude, do Casamento e da Família
Problemas da Juventude, do Casamento e da Família

Problemas da Juventude, do Casamento e da Família, À Luz da bíblia.

Graf

IV

O COMPROMISSO

Refiro-me ao noivado.

A promessa de casamento é um comprometimento muito sério. Deus aplica a ilustração do noivado para as Suas relações com o povo terrestre de Israel:

"Desposar-te-ei comigo para sempre... Desposar-te-ei comigo em fidelidade" (Oséias 2:19-20).

O apóstolo Paulo também aplica a ilustração do noivado, como já vimos, à relação entre Cristo e a Igreja (2 Coríntios 11:2). Vemos ali algo do significado do noivado. É um período de transição. O noivo e a noiva prometeram-se. Estão conven­cidos de que estão destinados um para o outro, mas vivem ainda separados um do outro. Durante este período, o amor recíproco cresce em seus corações. Aprendem a conhecer-se melhor e aproximam-se interiormente. No fim desse tempo de noivado são capazes de compreender algo mais do ardente desejo da Igreja, na sua qualidade de noiva de Cristo, que clama: "Vem, Senhor Jesus" (Apocalipse 22:17 e 20).

Mas o noivado não é um período de ensaio, permitindo darem-se conta se são ou não feitos um para o outro. Tampouco é um "ensaio do matrimônio", ou mesmo um "casamento à experiência", como se vê no mundo, o que não é senão prostituição. Entre os verdadeiros Cristãos isso não pode ser assim. O tempo do noivado ainda não é o do casamento, mas sim o da união dos corações - uma preparação para o casamento(1). E, se possível, não deve durar muito.

O rompimento do noivado é sempre um assunto doloroso. Neste caso, pode-se dizer que ou o noivado não foi correto, ou agora está errada a dissolução. É o fruto de um passo precipitado ou não considerado, porém, aquele que se entrega ao Senhor não se apressará! (ver Isaías 28:16).

Quanto àquele que se vê obrigado a verificar que o seu noi­vado não era segundo a vontade de Deus, será mais proveitoso rompê-lo do que efetuar um casamento infeliz, num caminho errado. Todavia, ao dizer isto, não queremos de modo nenhum, encorajar a contrair ou a romper um compromisso de noivado levianamente, nem a prolongar o noivado por medo de se comprometerem. Note-se que todos os passos dados em falso desonram o Senhor, e o teste­munho da Igreja, face ao mundo, pode sofrer por causa disso.

 

O MATRIMÔNIO

(Ler Gênesis 2:18-24 e 5:1-2)

1 - TAL COMO DEUS O VÊ

UMA SANTA INSTITUIÇÃO DE DEUS

Alguém definiu o casamento como sendo uma santa instituição de Deus, saída do Paraíso. O versículo de Gênesis 2:24:

"Deixará o homem o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne" aplica-se, propriamente falando, aos descendentes de Adão e Eva, expulsos do Paraíso. Adão não tinha pais, portanto, não podia deixá-Ios.

(1) A Bíblia faz algumas referências ao noivado como sendo o período pré-matrimônio.
Veja Dt 20:7 e Mt 1:18.

 

O CASAMENTO, UMA BENÇÃO PARTICULAR DE DEUS

Não foi Adão, mas sim Deus quem estimou que a solidão, a longo prazo, não seria boa para Adão. Este interesse de Deus por Adão foi de grande bênção para ele! Toda a iniciativa, toda ação, foi da parte de Deus; e, chegada a hora por Ele determinada, levou a Adão uma companheira. E hoje ainda, quem nEle puser a sua confiança, gozará de igual bênção.

 

O  QUE DEUS AJUNTOU (MATEUS 19:6)

Deus quer encarregar-se da combinação dos parceiros, pois somente Ele é capaz de sondar cada pessoa e sabe formar o par que melhor se ajusta.

- 1) O servo de Abraão pediu que o Senhor lhe desse a conhecer a esposa que tinha destinado para lsaque. O pai e o irmão de Rebeca reconheceram que, de fato, a coisa tinha procedido do Senhor (Gênesis 24:14 e 50).

- 2) Depois da queda, Adão fez a Deus uma censura, embora velada: "A mulher que tu me deste ... " (Gênesis 3:12). Mas, ainda assim, ele confirmava que fora Deus Quem lha tinha expressamente dado.

- 3) "Do Senhor vem a mulher prudente" (Provérbios 19: 14). Ainda hoje Deus a quer dar. Não deve, porém, ser respon­sabilizado pelos casamentos infelizes -- estes são sempre o resultado das iniciativas decorrentes da vontade própria.

Quando Deus tem unido duas pessoas, Ele dá também a graça para a resolução de todos os problemas que possam surgir.

 

DEUS INSTITUIU O CASAMENTO MONOGÃMICO

"Deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne". Este verso de Gênesis 2:24 é repetido em quatro citações no Novo Testamento, com uma ligeira variante que, contudo, não permite nenhuma outra interpretação: "Serão DOIS numa só carne" (Mateus 19:5; Marcos 10:8; 1 Coríntios 6:16; Efésios 5:31). Nada de três ou quatro!

 

O CASAMENTO É UMA VIDA EM COMUM, E CHEIA DE RESPONSABILIDADES

O casamento não foi somente dado para assegurar a descendência ao homem (Gênesis 1: 28), mas também para constituir uma comunhão íntima de espírito, de alma e de corpo. Por isso o casamento requer altos padrões morais dos dois cônjuges: amor puro e desinteressado, fidelidade, confiança mútua, senso de responsabilidade - para citar apenas alguns. Mas também proporciona muita alegria e satisfação.

Os esposos que conseguem realizar este amor que tem em vista o benefício do outro, e que se sacrifica para tal, e que, segundo 1 Coríntios 13:5, não procura o seu próprio interesse, fazem a feliz experiência em que a estima e o afeto mútuo não fazem senão aprofundar-se, enriquecer-se e embelezar-se. Porque "mais bem­-aventurada coisa é dar do que receber" (Atos 20:35). Todavia, nesta vida em comum, o primeiro lugar pertence sempre ao Senhor.

 

O LAÇO DO MATRIMÓNIO É UMA UNIÃO FIRME E INDISSOLÚVEL PARA TODA A VIDA

Nos nossos países, o matrimônio é confirmado e legalizado no Cartório de Registro Civil, e não apenas por um simples consentimento (ver Romanos 13:1-2).

Note-se o exemplo bíblico de Rebeca, em Gênesis 24. Ela deu o seu consentimento, dizendo: "Irei" (v. 58). Mas é somente nove versículos mais à frente que nos é dito: "Foi-lhe por mulher" (v. 67). O primeiro versículo apresenta o casamento como um acordo entre dois esposos; o último demonstra o ato público em relação com a sociedade.

Além disso, passagens como as de 2 Coríntios 8:21 (e de igual modo Romanos 12:17) exortam­-nos a zelar pelo "que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens". Além dos interessados, ninguém senão Deus ouviu o consentimento recíproco, ao passo que o casamento segundo as leis civis é uma ratificação "perante todos os homens".

Deus também aplicou a imagem do casamento a Israel. Queixa-se que os seus antepas­sados (os pais) tivessem quebrado a Sua aliança, pois os tinha "desposado" (Jeremias 31:32).

O casamento é um comprometimento que não deve ser dissolvido enquanto os dois cônjuges viverem (Romanos 7:2; 1 Coríntios 7:39).

 

O CASAMENTO É UMA UNIDADE

"Homem e mulher os criou, e os abençoou; e lhes chamou pelo nome de Adão (homem)" (Gênesis 5:1-2), e não homens (no plural). O marido e a mulher constituem pois, juntos, o homem. Eles serão uma só carne. Voltaremos a este assunto mais adiante.

 

O MATRIMÔNIO IMPLICA SEPARAR-SE DOS PAIS (GÊNESIS 2:24)

Sucede, porém, que certos pais extremamente ligados aos filhos, sofrem ao terem de aceitar esta ordem divina. Há também filhos ou filhas, cujos laços com seus pais são tão fortes a ponto de não serem mais o padrão saudável para essa relação filial. Em ambos os casos uma tal dependência influi e pesa sobre o jovem casal.

Já temos chamado a atenção dos nossos leitores para a necessidade da autonomia e da independência em relação aos pais. E os pais devem, por sua vez, assegurar-se de que os seus conselhos ou as suas exortações, embora bem intencionadas, não constituem uma ingerência no domínio que pertence à própria responsabilidade dos jovens esposos. Neste caso, não lhes caberia reivindicar para si próprios o mandamento já citado: "Honra a teu pai e a tua mãe" (Êxodo 20:12; Efésios6:1-3); mas, antes, absterem-se em sabedoria e prudência de qualquer manifestação de suas vontades. "O homem é o cabeça da mulher" , e não os pais ou os sogros; e, de igual modo, "Cristo é o Cabeça de todo o homem" (1 Coríntios 11:3).

 

O CASAMENTO É UMA UNIÃO PARA ESTA TERRA

Em Mateus 22:30 lemos: "Porque, na ressurreição, nem casam nem são dados em casamento". O casamento é um assunto terreno, assim como a procriação.

Mas, bem entendido: As relações pessoais de um e do outro com Cristo são independentes do matrimônio, porque em Cristo "não pode haver nem homem nem mulher" (Gálatas 3:28), o que significa que, perante Deus, ninguém está em situação preferencial.

 

2 - O QUE O HOMEM TEM FEITO DO MATRIMÔNIO INSTITUÍDO POR DEUS

Depois da queda, o homem estragou tudo o que Deus lhe j tinha confiado. Profanou também j o matrimônio. Mas isto não pode j ficar impune: Resulta, pois, na decadência moral do homem. Por isso a Sagrada Escritura adverte: *"Digno de honra entre todos seja o matrimônio" (Hebreus 13:4).

* "A prostituição, e toda a impureza... nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos" (Efésios 5:3).

Com efeito, todo o contato com o mal, macula. É por esta razão que iremos citar a seguir certos desregramentos concer­nentes ao casamento, que hoje, em completo desacordo com a Palavra de Deus, já nem mesmo são, por vezes, considerados como pecados. Fazemo-lo com temor e um santo horror, como convém a santos.

 

A Homossexualidade

A lei de Moisés condena as relações íntimas entre dois seres do mesmo sexo e considera-as como uma abominação. Ambos deviam ser punidos de morte (Levítico 18:22; 20:13). No Novo Testamento, essas paixões vergonhosas são condenadas com a mesma firmeza; lê-se ali:

"Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza; e, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram na sua sensualidade, uns para com os outros, homem com homem, cometendo torpeza, e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro" (Romanos 1:26-27).

E, não se contentando com praticar os pecados, ainda "aprovam os que assim procedem" (Romanos 1:32).

O julgamento da Palavra de Deus é categórico, sendo sublinhado por dois terríveis exemplos:

1. Os homens de Sodoma, que se entregavam a essa paixão (Gênesis 19:4-5), eram maus e grandes pecadores contra o Senhor (Gênesis 13:13). "O seu pecado era de muito agravo" (Gênesis 18:20). Cerca de dois mil anos mais tarde, Judas faz alusão a esse pecado na sua Epístola e acrescenta que os homens de Sodoma e de Gomorra "foram postos por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno" (v. 7).

2. Os homens de Gibeá, contrariamente aos pagãos de Sodoma, eram Israelitas, mas lhes faltava inteiramente o temor de Deus (Juízes 19:22). Muitos séculos depois, o profeta Oséias ainda afirma que a sua corrompida conduta era pecado (Oséias 9:9; 10:9).

Fala-se dos homens, mas também as mulheres, particu­larmente as jovens, podem incorrer no perigo de serem arrastadas para tais práticas contra a Natureza.

 

A Prostituição

A satisfação dos impulsos sexuais fora da esfera do casamento é descrita pelo apóstolo como "pecar contra o seu próprio corpo" (1 Coríntios 6:18). Esta expressão não diminui de modo nenhum a respon­sabilidade, antes a reforça. Muitas vezes a prostituição é também chamada um pecado contra Deus (Gênesis 20:6; 39:9; 2 Samuel 12:13; Salmo 51:4). "Ora o corpo não é para a prostituição, senão para o Senhor, e o Senhor para o corpo" (1 coríntios 6:13).

Tanto o homem como a mulher podem cair nesse pecado. Judá, o filho de Jacó, pecou assim (Gênesis 38). E a descrição da prostituta sedutora, de Provérbios 7:6-27, corresponde em todos os pontos à degradação moral atual.

É um erro pretender que a palavra "prostituição" apenas designe os casos em que as pessoas se entregam por dinheiro. Se assim fosse, o caso mencionado em 1 Coríntios 5: 1 não poderia receber esse nome. Mas se tomarmos o emprego do termo prostituição na Escritura, veremos que compre­ende qualquer dedicação dos desejos ou sentimentos a objetos que, segundo os pensamentos de Deus, não são os competentes. Quando Israel se voltou para os ídolos, a Palavra de Deus chama a esse ato "prostituição", porque: "Não terás outros deuses diante de mim" (Êxodo 20:3. Comparar com Êxodo 34:15-16; Levítico 17:7, etc.).

As conseqüências da prostituição são desastrosas. Jefté, homem valente e valoroso, era filho de uma prostituta. Foi deserdado e expulso pelos seus irmãos, os filhos legítimos de seu pai, e teve de fugir (Juízes 11 :1­3). Quantos filhos ilegítimos (nascidos fora do matrimônio) têm de sofrer durante toda a sua vida por causa do pecado de seu pai ou de sua mãe! ...

"Cova profunda é a prostituta... multiplica entre os homens os iníquos" (Provérbios 23:27-28). "O companheiro de prostitutas desperdiça a fazenda" (Provérbios 29:3). Aliás, foi assim que o filho pródigo desperdiçou a fazenda (Lucas 15:30). Este pecado, como o do alcoolismo, tira a inteligência (Oséias 4: 11). "São muitíssimos os que por ela foram mortos" (Provérbios 7:26).

Os impuros (os fornicários) ficarão de fora, com outros pecadores, privados da bênção futura. "A sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte" (Apocalipse 21:8; 22:15).

Mas, Deus seja bendito! Em relação com esse pecado, a Palavra de Deus não nos menciona só julgamentos; promete também graça e perdão àquele que confessa since­ramente os seus pecados (Salmo 51).

1. Raabe, a prostituta, é disso um exemplo bem comovente. Ela é citada várias vezes no Antigo e no Novo Testamento, em relação com a sua vida anterior de pecado. Mas é sempre mencionado também que foi salva e justificada pela fé. Recebeu um lugar de honra na genealogia do Senhor Jesus (Josué 2:1; 6:22 e 25; Hebreus 11:31; Tiago 2:25; Mateus 1:5).

2. Entre os que creram na pregação de João Batista e arrependeram-se de seus pecados, havia também algumas prostitutas (Mateus 21:31-32).

Que ninguém pense que só os incrédulos podem cometer esse pecado. Entre as quatro coisas indispensáveis que foram impostas aos crentes, de entre os Gentios, encontramos: "Que vos abstenhais ... da prostituição" (Atos 15:20 e 29). E o crente de hoje não está a salvo desse perigo.

O apóstolo temia que entre a irmandade da dissoluta cidade de Corinto houvesse motivos para sua humilhação e lástima. Muitos que só tinham envolvido no pecado antes de sua conversão ainda não se tinham verdadei­ramente arrependido da imundície, da prostituição e da desonestidade que tinham cometido (2 Coríntios 12:20-21).

 

O Concubinato (o Amásio)

Procura-se por vezes justificar a vida em comum sem casamento oficial, mas essa união nada contém de sólido nem de definitivo. Não pode substituir o casamento nem ser-lhe comparada.

Alguns jovens crentes podem deixar-se arrastar pelos costumes que correm a soltas em sua volta (passar férias juntos, coabitar...), mas envolvem-se em perigos bem reais e não podem contar com a graça de Deus para serem guardados de queda num caminho que livremente escolheram. O abandono dos ensinos bíblicos destrói o respeito e o temor de Deus. Os exemplos seguintes mostram bem como Deus julga tais atos:

1. A mulher samaritana, junto ao poço de Jacó, tinha sido casada cinco vezes, mas agora vivia em concubinato. O Senhor declara­-lhe: "Disseste bem: Não tenho marido. Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido" (João 4:17-18). –

 2. Nos dias de Noé, casavam e davam-se em casamento; mas nos dias de Ló já nem temos menção do casamento. A decadência moral era manifestada em Sodoma e Gomorra (Lucas 17:27-­28).

3. João Batista dizia ao rei Herodes: "não te é lícito possuir a mulher de teu irmão" . Condenava veementemente esta convivência descompromissada, ainda mais com uma mulher casada (Marcos 6:17-18).

Em nossos dias muitos homens e mulheres vivem juntos, em total desprezo a todo sentimento moral. "Pelo que, também, Deus os entregou às concupiscências dos seus corações, à imundície, para desonrarem seus corpos entre si" (Romanos 1 :24). Advertência esta das mais solenes.

 

O Adultério

O fato de um homem casado ou de uma mulher casada terem relações sexuais com outra pessoa que não seja o cônjuge é chamado adultério pela Palavra de Deus. Ao mesmo tempo implica a ocorrência da prostituição. Os tribunais civis, as leis humanas, quase não apreendem estes pecados; por causa disso os que se dão à prostituição e os adúlteros serão julgados pelo próprio Deus (Hebreus 13:4).

Davi negligenciou os seus deveres como condutor do povo. Dormiu em plena luz do dia e à tarde levantou-se do seu leito de repouso. Tal falta de vigilância fez deste rei, temente a Deus, um adúltero e um assassino (2 Samuel 11). Os seus esforços para dissimular o pecado cometido fracassaram, e teve de sofrer, durante toda a sua vida, as conseqüências desse pecado.

A lei de Moisés punia com a morte o adúltero (Levítico 20:10). Salomão escreveu, nos Provérbios: "Tomará alguém fogo no seio, sem que as suas vestes se incendeiem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés? Assim será o que se chegar à mulher do seu próximo: não ficará sem castigo todo aquele que a tocar" (Provérbios 6:27­-29). E ainda: "O que adultera com uma mulher está fora de si; só mesmo quem quer arruinar-se é que pratica tal coisa. Achará açoites e infâmia, e o seu opróbrio nunca se apagará" (Provérbios 6:32-33). O ciúme será uma das amargas conseqüências: "Porque o ciúme excita o furor do marido; e não terá compaixão, no dia da vingança. Não se contentará com o resgate, nem aceitará presentes ainda que sejam muitos'" (Provérbios 6:34-35).

Em Deuteronômio 22:13-21 encontramos as prescrições da lei em casos de ciúmes no início de um casamento. Se um marido imputava injustamente à sua mulher atos que davam ocasião de falarem, ele devia ser castigado e multado; de modo algum poderia repudiá-la. Mas se a suspeita se revelava justa, era a mulher que sofria o castigo. Caso o marido se tornasse ciumento após algum tempo de casado, com ou sem motivo, era Deus Quem intervinha para maldição ou para bênção (Números 5:11-28). Eis, pois, o quanto importa que cada um dos esposos tenha uma conduta irrepreensível perante o outro. É assim que essa má obra da carne será evitada, porque "quem pode resistir à inveja (ou o ciúme)?" (Provérbios 27:4; Gálatas 5:19­-21).

Há, por vezes, quem apresente como desculpa para as relações extra-conjugais a poligamia dos crentes do Antigo Testamento, como, por exemplo, Abraão, Jacó, Davi e outros. A poligamia foi introduzida pelo descendente de Caim, o assassino Lameque. Mas o Antigo Testamento põe em destaque todas as dificuldades que resultam da poligamia, tais como o ciúme, o ódio e o desgosto (lembremos, por exemplo, de Sara / Agar, Lea / Raquel, Ana / Penina, etc.). A própria lei de Moisés contém prescrições para aquelas que eram preju- dicadas (Deuteronômio 21:15-17). Desde os tempos do Novo Testamento, os bispos# (ou supervisares) e os diáconos (ou servos) na Assembléia deviam ter "uma só mulher". Se tinham desposado duas ou mais mulheres antes da sua conversão, não podiam exercer nenhuma daquelas funções.

# "Bispos": um derivativo do grego episkopos. de episkeptesthai: função de inspecionar, vigiar. São os que presidem na Igreja (ou Assembleia), "observando" o bom andamento das coisas.

 

Separação e Divórcio

O matrimônio é um compromisso que não deve ser quebrado senão pela morte do homem ou da mulher (Romanos 7:2; 1 Coríntios 7:39). Ele representa na Terra uma imagem, embora muito fraquinha, da indissolúvel união de Cristo com a Sua Igreja. Isto interdita a dissolução do casamento.

Os Fariseus pretendiam que Moisés tinha ordenado o divórcio. Este, contudo, constava da lei apenas por concessão, foi tolerado por causa da dureza de coração dos Israelitas. Deus diz claramente que" odeia o repúdio" (Malaquias 2: 16). No Novo Testamento o Senhor remete ao que tinha sido estabelecido no princípio, ou seja, que um casamento não deve ser desfeito.

É comum atribuir, irrefletidamente, a responsabi­lidade da desunião de um casal ao outro cônjuge. Mas as causas são quase sempre mais profundas ­e quantos sofrimentos não resultam do divórcio! ... As feridas causadas aos filhos dificilmente cicatrizarão.

Aliás, quaisquer sejam os problemas, estes nunca serão, de modo algum, resolvidos por esse meio. A Palavra de Deus não conhece nenhuma situação dita insuportável, que justifique a dissolução do casamento, a não ser a do adultério. Eis o que nos diz a Palavra de Deus a tal respeito:

"Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar a sua mulher, a não ser por causa da prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério" (Mateus 5:32 - E.R.C.). "Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério" (Mateus 19:9 - E.R.C.). "E Ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher, e casar com outra, adultera com ela. E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera" (Marcos 10:11-12 - E.R.C.; ver também Lucas 16:18).

Aos casados é ordenado: "Que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher" (1 Coríntios 7:11).

A palavra designa como sendo adultério qualquer casamento com parceiros separados (não sendo por causa de prostituição). Recasar-se com o primeiro parceiro após separar-se do segundo, ou mesmo após a morte deste, é abominação para Deus (Deuteronômio 24:1­4; Jeremias 3:1. Veja também Mateus 5:31-32; 19:3-12; Marcos 10:2-12 e Lucas 16:18). O divórcio, portanto, não é a solução dos problemas.

 

A Proibição do Matrimônio

"O Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios... que proíbem o casamento" (1 Timóteo 4:1-3). Ora, esta proibição está em contradição absoluta com o propósito divino quanto à existência do homem sobre a Terra e não tem nada a ver com a renúncia voluntária de que falamos no capítulo 2 ("O Celibato").

É com o coração magoado e grande indignação interior que passamos em revista os tristes aspectos do desprezo da ordem divina estabelecida neste mundo, resultantes da decadência dos costumes. Mas nossa aversão aplica-se aos pecados, e não às pessoas afetadas. Quanto às conseqüências, é impossível avaliar a extensão delas, e nem sempre há remédio. Resultam, muitas vezes, em problemas insolúveis.

Que fazer, se algum dos leitores reconhece ter cometido um desses pecados que foram mencionados?

1. Ao que cometeu qualquer pecado desta natureza, antes da sua conversão, a Palavra de Deus lhe diz:

"Não vos enganeis: nem impuros (que se dão à prostituição)... nem adúlteros, nem efeminados (homossexuais passivos), nem sodomitas (homossexuais ativos)... herdarão o reino de Deus. Tais fostes alguns de vós; mas vos levastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1 Coríntios 6:10-11).

Quão grandes são os resultados que, pela graça, decorrem da obra de Cristo!

2. A todos que ainda não receberam o perdão dos seus pecados a Palavra de Deus lhe dirige este apelo:

"Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados" (Atos 3:19 - E.R.C.).

Para que sejam convertidos "das trevas para a luz e [do poder) de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim" (Atos 26:18).

3. Para aqueles que caem no pecado após a sua conversão, o caso é mais grave. Temos um exemplo em 1 Coríntios 5 de alguém que é chamado "irmão".

Este devia ser excluído pela congregação local, por causa do seu grave pecado: "Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor". Não era para se desfazerem dele, mas sim tendo em vista a sua restauração. Uma· tristeza segundo Deus naquele que caiu, e também o pesar da con­gregação, são as condições requeridas para uma restauração.

4. "O que encobre as suas transgressões, jamais prosperará" (Provérbios 28: 13). Isto aplica-se a todos aqueles que, incrédulos ou crentes, têm a oportunidade de encobrir os seus pecados, porque não produziram conseqüências visíveis. Lembrem­-se que o Senhor "trará à luz as coisas ocultas das trevas" (1 Coríntios 4:5).

 

O que ganhei ao me encontrar doente

Um cristão, que passou onze anos quase completamente paralisado e deitado de costas sem poder se mover, sabe o que significa grandes sofrimentos. Desse modo, ele está bem qualificado para falar deles, assim como das insondáveis riquezas de Cristo que são seu gozo todos os dias. Desde há alguns anos ele possui um aparelho de sua própria invenção que lhe permite escrever alguma coisa - apesar de seus braços já rígidos. Por este meio pode manter correspondência com outros doentes a fim de lhes animar ou lhes anunciar o Evangelho.

Que Deus abençoe estas poucas linhas que um homem ­o qual, apesar de sofrer em seu corpo, é perfeitamente feliz em sua alma - escreve àqueles que também sofrem. Apresentamos ao leitor algo dos frutos da graça que maduraram neste feliz quarto de um doente:

Com muito freqüência ouço as pessoas dizerem: "Deus não é justo ao mandar assim a enfermidade!". Contudo, os dois primeiros capítulos do livro de Jó nos ensinam que Deus não envia a enfermidade, mas sim que a permite para poder cumprir a Sua obra de amor na vida dos Seus. Ademais, a enfermidade também pode ser para um

incrédulo o princípio da fortuna espiritual: "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se, ou a causar dano a si mesmo?" (Lucas 9:25). Em outras palavras, o fato do meu nome estar no livro da vida é a minha maior riqueza. Freqüentemente isto chega quando, a sós com Deus durante as intermináveis noites de vigílias num leito de dor, o doente se dá conta de toda a sua miséria e impotência. Então, o sangue de Jesus Cristo o lava de seus pecados e lhe confere participação nestas riquezas eternas. Não obstante, muitos, em vez de simplesmente aceitar este precioso tesouro, tratam de merecê-lo por seus próprios esforços. Isto é inútil, já que só o amor de Cristo pelo pecador tem o poder para lhe dar vida. Mas, para manifestar este amor, foi necessário que Ele deixasse o céu e toda a sua glória para vir à Terra sofrer e morrer.

Ouço também dizer que a enfermidade é um castigo. Isso não é certo. Leia você mesmo em João 9:3 a resposta do Senhor aos Seus discípulos, os quais lhe perguntavam sobre este ponto durante a maravilhosa cena da cura de um cego de nascimento:

"Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus". Assim o cego não somente chega a ver, senão que por ter crido no Filho de Deus, recebe também de seu Salvador a promessa da vida eterna (v. 35-38).

Quantos hoje em dia podem dar graças a Deus por ter passado pela prova da enfermidade do corpo e recebido o mais precioso dos tesouros, o qual permanecerá para todo o sempre: a vida eterna!

Quanto a mim, como venho experimentando estas coisas a cada dia, desejo que o que foi dito toque os corações dos que sofrem e os anime.

M. R.

 

A Atuação de Cristo pela Igreja