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Problemas da Juventude, do Casamento e da Família
Problemas da Juventude, do Casamento e da Família

Problemas da Juventude, do Casamento e da Família À luz da Bíblia.  

 

INTRODUÇÃO

     Esta obra destina-se, especialmente, aos jovens que desejam conformar a sua vida com os ensinamentos da Palavra de Deus - propósito, aliás, impossível de alcançar sem fé. O fundamento para essa vida de fé é a obra redentora do Senhor Jesus na cruz.

Na verdade as diretrizes divinas valem para todos os homens, quer sejam crentes ou incrédulos. A obediência à Palavra de Deus é sempre a fonte da bênção.

Mas este artigo não tem o propósito de melhorar o mundo, nem sob o ponto de vista moral, nem sob o ponto de vista social. Aliás, nem é esse o alvo divino. No entanto notamos aqui e ali, e mesmo entre o povo de Deus, uma tendência cada vez maior de desculpar, de tolerar e ainda de admitir como bom, o que a Palavra de Deus chama de PECADO. Assim sendo, não podíamos calar, pois é nosso dever prevenir o leitor a esse respeito. O desprezo dos princípios divinos sempre traz consigo graves conseqüências, por vezes irreparáveis. Ninguém pode resolver esses problemas pelas suas próprias forças. O único recurso que temos é Cristo. É somente se pudermos dizer com o apóstolo Paulo que "para mim o viver é Cristo" e que "Cristo vive em mim" (Filipenses 1:21; Gálatas 2:20) que seremos capazes de "andar como filhos da luz" e de ir experimentando "o que é agradável ao Senhor" (Efésios 5:8 e 10).

Obviamente não será possível tratar de todas as questões. Por outro lado, não poderemos esquivar-nos de abordar alguns dos problemas decorrentes do pecado. Vivessem os crentes de acordo com a sua elevada posição em Cristo, tais assuntos, sombrios e vergonhosos, bem poderiam ser passados em silêncio. Mas se deles fizermos menção, não o pretendemos fazer - como tornou-se comum hoje em dia ­de modo explícito e desinibido, mas, no temor de Deus, "como convém a santos" (Efésios 5:3).

Que estas páginas possam contribuir para que se compreenda e pratique melhor a divina linha diretriz.

"A graça seja com todos os que amam o nosso Senhor Jesus Cristo em sinceridade!" (Efésios 6:24).

 

Prefácil

Propus-me indicar nas páginas seguintes os princípios da Palavra de Deus em relação aos problemas com que deparam os jovens, os esposos, os pais e os filhos. Tentei, por outro lado, ilustra-los com exemplos positivos e negativos, colhidos da Escritura. Um considerável espaço foi dado às citações bíblicas, o que confere um caráter invulgar a este trabalho.

Trata-se agora da tradução em Português de uma obra que já foi publicada em Espanhol, Alemão e Francês, e quero exprimir toda a minha gratidão aos irmãos que tiveram a gentileza de examinar o manuscrito e de me apresentar as suas sugestões.

Queira o Senhor que por meio destas linhas muitos leitores encontrem, na Palavra de Deus, a resposta aos problemas com que se debatem.


Jacob Graf

 

Os Problemas Morais dos Jovens

Se quisermos conhecer a verdade acerca de um assunto, é conveniente irmos até às suas origens. Em Mateus 19:4 o Senhor Jesus também agiu assim.

A primeira declaração divina acerca desses problemas encontramos em Gênesis 1:27-­28: "Criou Deus o homem à Sua imagem ... macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: frutificai e multiplicai-vos, e enchei a Terra".

Deus criou o homem e a mulher, dotando-os de órgãos genitais que tinham uma certa função a desempenhar. O homem e a mulher foram, pois, tomados aptos a reproduzir a vida. Mas, contrariamente ao que sucede com as plantas e com os animais, os descendentes de Adão recebem uma alma imortal. E esta realidade confere à questão da reprodução dos seres humanos uma gravidade e uma responsabilidade muito particulares. Ainda antes da queda, Deus pôs no homem o desejo sexual, de sorte que cada homem e cada mulher são normalmente atraídos para o sexo oposto. Todavia, este desejo pode ser mais forte num do que no outro.

É este desejo pecado?

Sua existência é mencionada na Palavra de Deus, tanto em relação à mulher como ao homem. Deus disse à Eva: "O teu desejo será para o teu marido" (Gênesis 3:16)(1). Nos Cantares de Salomão, a amada diz do seu amado: "Eu sou do meu amado, e ele me tem afeição" (Cantares 7:10). Esta inclinação é natural e normal, e em parte alguma' da Escritura ela é designada como sendo um pecado. Notemos, no entanto, que, no livro de Cantares, a amada não fala do seu próprio desejo, mas sim do de seu amado. Os sentimentos dela são-nos apresentados no capítulo 5, verso 6, o que nos leva à questão seguinte:

 

COMO SE COMPORTAR EM FACE DESSE DESEJO?

Se ocuparmos todo o nosso coração e os pensamentos com essas coisas, corremos o risco de cairmos nas tentações carnais. "Cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte" (Tiago 1:14-15).

A concupiscência é mencionada aqui como o motivo causador do ato pecaminoso. A nossa natureza corrompida, chamada "pecado", desperta toda sorte de concupiscência (Romanos 7:8) e esta é seguida pela concretização do ato pecaminoso. Esta concupiscência é chamada em 1 João 2:16 "a concupiscência da carne", isto é, os impulsos, os desejos desregrados da natureza humana decaída. Por isso o Senhor diz: "O que sai do homem, isso contamina o homem. Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro, e contaminam o homem" (Marcos 7:20-23).

Existe muitas coisas que podem ter influência sobre os nossos corações, pensamentos e sentimentos, e algumas dentre elas podem despertar a concupiscência (2). É por isso que o apóstolo Paulo põe o seu filho na fé, Timóteo, em guarda também contra as concupiscências que procedem de nosso interior: "Foge também das paixões da mocidade" (2 Timóteo 2:22). Paralelamente a esta exortação, que podemos qualificar de negativa, ele encoraja o seu companheiro de trabalho Timóteo de maneira positiva:

"Conserva-te a ti mesmo puro" (1 Timóteo 5:22). "Sê o exemplo dos fiéis... na pureza" (1 Timóteo 4:12). "Admoesta... às moças como a irmãs, em toda a pureza (1 Timóteo 5:2). Estas exortações de cunho pessoal diziam respeito à seu comportamento perante o sexo oposto.

1. Nesta passagem, trata-se menos de um desejo sexual do que do fato de, em conseqüência do pecado, passar a contemplar o marido em uma posição de submissão. Deus colocou a Eva nessa posição visto ela ter comido do fruto proibido sem previamente consultar Adão.
2.  Os impulsos, os desejos desregrados da carne (ver, por exemplo, EzequieI23:14-16).

 

COMO CONSEGUIR E MANTER ESTA PUREZA?

A pergunta do sal mista é semelhante: "Como purificará o jovem o seu caminho?". E a resposta é: "Observando-o conforme a tua Palavra" (Salmo 119:9) - ou seja: permanecendo atento. E como todo o esforço pessoal está irremediavelmente votado ao fracasso, é-nos necessário implorar constantemente, como o Salmista:

"Dá a tua força ao teu servo" (Salmo 86: 16). Esta vigilância para permanecer na Palavra de Deus é indispensável tanto para o homem como para a mulher. Eis alguns casos em que faltou esta vigilância, com tristes conseqüências:

Diná, filha de Jacó, saiu para ver as filhas da terra, o que nos parece, à primeira vista, uma bem inofensiva associação com o mundo. Mas encontra ali o jovem Siquém, quem lhe foi a causa de sua desgraça. A sua falta de vigilância teve amargos resultados. (Ver Gênesis 34:1-2).

Sansão tampouco foi vigilante ao descer a Timna. Ali viu uma mulher das filhas dos Filisteus (Juízes 14:1). Permitiu que seus olhos saíssem vagando num mundo inimigo de Deus, ao invés de ficar ali com o povo de Deus...

A vigilância guarda-nos do pecado. Muitas coisas são capazes de nos atrair e seduzir, mas "o temor do Senhor consiste em aborrecer o mal" (provérbios 8:13 - VRA).

"Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências" (Romanos 13:14 -VRA). Então, jovem rapaz, com o que você anda alimentando os seus pensamentos e os seus sentimentos? É verdade que as moças - inclusive as cristãs ­partilham dessa responsabilidade se com o seu comportamento ou maneira de vestir fizerem excitar as concupiscências dos rapazes, pondo-os em risco de cair. Vejam o caso de Bate-Seba: ainda que Davi seja totalmente responsabilizado por seu ato, a Palavra de Deus também menciona o comportamento imprudente desta mulher, que excitou a concupiscência dele (2 Samuel 11:2).

Se a Pessoa do Senhor Jesus e a Sua Palavra encherem os nossos corações, teremos a força necessária para repelir e condenar os pensamentos e os sentimentos impuros.

 

A LIBERTAÇÃO DE UMA ESCRAVIDÃO

Ao negligenciarmos a leitura da Palavra de Deus e a oração, resulta um estado de fraqueza espiritual, um vazio que facilmente será preenchido com as coisas impuras que captamos com os olhos e ouvidos, ou por nossas próprias fantasias impuras. Por fim, já não é preciso muito para sucumbir à sedução de auto­-satisfazer os impulsos sexuais. Aquilo que Deus pensou para o matrimônio, serve então à auto-­satisfação.

A procura do prazer solitário (a masturbação) é considerada, por vezes, como uma coisa inocente, mas também há quem a assemelhe à prostituição. Parece, no entanto, que nenhuma dessas apreciações corresponde ao pensamento de Deus. Foi o Criador quem colocou no homem o desejo sexual, e nisso não há pecado; mas é um pecado abusar dele para nossa própria satisfação. Quando tal sucede, transforma-se num laço que escraviza o crente. E só a realização, pela fé, da sua libertação em Cristo pode livra-lo.

A Palavra de Deus é extremamente reservada acerca desta questão, assim como acerca de tantas outras, referente às quais declara em Efésios 5:12 que é mesmo vergonhoso falar delas. E esta discrição também se nos impõe.

São muitos os rapazes que se debatem com um tal problema. Sentem-se abatidos e infelizes por causa dele. Há também moças que padecem com isso. E a maior parte das vezes não se trata de um ato isolado. Mas depois de várias recaídas perdem a esperança de uma libertação. Todos os esforços pessoais empreendidos nesse sentido não levam senão ao fracasso. Tentar melhorar pouco a pouco, por si mesmo, a sua natureza corrompida é coisa impossível para o homem. Aliás, Deus não se contenta apenas com remendos. Ou tudo ou nada! ...

 

COMO CHEGAR ENTÃO A ESSA LIBERTAÇÃO?

1. Pelo poder do Filho de Deus: "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8:36).

2. A confissão do pecado é o ponto de partida: "Se confessarmos os nossos pecados,

ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1 João 1 :9; Provérbios 28:13). Mas o perdão ainda não significa libertação.

3. Pelo despojar do velho homem nós obtemos a libertação. Vou explicar o que isso implica:

Aquele que se arrepende e que crê em seu coração, no Senhor Jesus, recebe a remissão dos seus pecados e a vida eterna. É nascido de Deus e participante da natureza divina (Atos 10:43; João 10:28; 1 João 5:1; 2 Pedro 1:4). Foi colocado nesta maravilhosa posição graças a obra da Cruz. Todavia, cedo descobre que continua a pecar, embora a Palavra de Deus afirme claramente: "Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado" (1 João 3:9). Assim, muitas dúvidas podem surgir no seu coração quanto à autenticidade da sua conversão.

Ora, Deus dá ao crente uma nova vida, a vida divina. Esta vida, vinda de Deus, não pode pecar, mas a velha natureza corrompida, que somente dedica-se a pecar, continua nele enquanto viver neste mundo. Interroga-se, pois, e com razão: Como posso eu libertar-­me? Eis a resposta: Por um lado, tendo despojado e posto de lado o velho homem e considerando-o como morto; por outro lado, vivendo para Deus, isto é, levando uma vida que Ele seja consagrada (Romanos 6:11). "Estou crucificado com Cristo" (Gálatas 2:20), e "sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado" (Romanos 6:6). Na Cruz, Cristo sofreu no Seu corpo o justo Juízo de Deus que nos era devido, não só por causa dos nossos atos pecaminosos, mas também por causa do nosso velho homem corrompido.

"Os que são de Cristo crucificaram a carne" - a nossa velha natureza - "com as suas paixões e concupiscências" (Gálatas 5:24).

"Pelo que respeita à vossa passada maneira de viver, tendes­-vos despojado do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano" (Efésios 4:22) (3)

3. Edição portuguesa

"Já vos despistes do velho homem com os seus feitos" (Colossenses 3:9).

Note-se bem que estas passagens falam de um fato consumado e não de esforços humanos a realizar: eu estou crucificado - o nosso velho homem está crucificado com Ele - crucificaram a carne - já vos despistes do velho homem.

A fé, numa profunda gratidão para com Deus, apreende, não uma vez por todas, mas continuamente, o fato que o velho homem encontrou o seu fim na Cruz de Cristo, onde Ele pagou por nós.

4. Fazer morrer os membros do corpo do pecado. "Mortificai, pois," - por falta de alimento ­"os vossos membros que estão sobre a Terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado" (Colossenses 3:5). É pela força do Espírito Santo que nós podemos fazer face a esta responsabilidade:

"Se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis" (Romanos 8:13; Gálatas 5:16).

5. Pelo vestir do novo homem. "E tendo sido renovados no espírito da vossa mente; e vestido o novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade" (Efésios 4:23-24) (4). "Vos revestistes do novo homem, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou" (Colossenses 3:10). Também aqui se trata de um fato consumado, do qual, pela fé, nos podemos continuamente apossar.

Estes são outros tantos resultados da morte na Cruz do nosso bendito e amado Senhor Jesus. Que motivos para render­-Lhe louvor e de adoração!

 

Nada de meias medidas

"Se a tua mão ou o teu pé te escandalizar, corta-o, e atira-o para longe de ti... e se o teu olho te escandalizar, arranca-o, e atira-­o para longe de ti" (Mateus 18:8-­9). Mas não é a mutilação dos nosso membros, tão indispensáveis, que será a solução, e sim o fato de considerarmos o velho homem como morto. Arranca, corta, atira para longe de ti tudo aquilo que poderia incitar-te a pecar. Se uma coisa (por exemplo, um livro ou uma revista) constitui ocasião de queda para mim, não vou guardá-la em minha casa, onde representará um perigo contínuo; mas me desfarei dela. Deveria fazer o mesmo com a amizade de alguém do mundo, susceptível de me arrastar para um mau caminho.

É verdade que com esta ação não mudo em nada o velho homem, mas afasto uma das ocasiões de queda para a carne. E não façamos as coisas pela metade: obedeçamos em tudo ao Senhor.

Esta obediência não deve constituir uma escolha difícil em vista do amor de Deus e do Senhor Jesus, que sofreu na Cruz o castigo que nós tínhamos merecido. Por outro lado, todo o esforço da parte do velho homem não pode conduzir senão ao fracasso.

4. Tradução livre da Bíblia em inglês – versão J. N. Darby

 

Foge das concupiscências

As concupiscências carnais combatem contra a alma, e devemos abster-nos delas (1 Pedro 2:11). Isto também refere-se ao uso abusivo do nosso corpo. As tentações manifestam-se muitas vezes repentinamente, de modo que nem sempre estamos prontos para nos defendermos. Eis o porquê nos é dito para "fugir": o domínio próprio não é o nosso forte (1 Coríntios 6: 18; 2 Timóteo 2:22). Considerando que a temperança (ou seja, o domínio próprio) é o nono e último dos caracteres do fruto do Espírito, que são enumerados em Gálatas 5:22, tratemos então de "andar em Espírito" para não "satisfazer à concupiscência da carne" (Gálatas 5:16). A carne anulada ­este será o resultado de uma vida dirigida pelo Espírito. Aos pés de Jesus, encontramos perdão, restauração, libertação e força necessária para vencermos. Graças sejam dadas por tudo isso!

Por vezes os celibatários (os que permanecem solteiros) consideram-se vazios e prejudicados. Mas freqüentemente isto decorre de comparações com os casados. Porém todos, inclusive os celibatários, receberam o seu dom da parte de Deus com relação a isso (1 Coríntios 7:7).

Em Mateus 19:12 são mencionados três grupos de celibatários:

1. Aqueles que não se considerem aptos a contrair matrimônio, devido a enfermidades congênita. Mas a solicitude do Senhor está muito particularmente empenhada em favor daqueles que são atingidos pela doença, e Ele é poderoso para Se glorificar nela (João 9:1­3; 2 Coríntios 12:9).

2. Aqueles que foram feitos eunucos pelos homens. São aqueles que, em nosso dias, são obrigados a renunciar ao casamento, em virtude de certas leis humanas. O que era outrora operado corporalmente no eunuco (5), é-o atualmente por proibições religiosas contrárias ao ensino das Escrituras, como a proibição de se casar.

5. O estado de uma pessoa que se mantém solteira.

3. Os que renunciam ao casamento em conseqüência de uma decisão firmemente tomada, para melhor servirem ao Senhor. Não trata-se de uma auto-mutilação, mas sim de um propósito em favor do reino de Deus.

"O solteiro cuida nas coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor" (1 Coríntios 7:32); "A solteira cuida nas coisas do Senhor, para ser santa, tanto no corpo como no espírito" (1 Coríntios 7:34).

Evidencia-se nestes versículos citados, que as coisas do Senhor podem encher uma vida de solteiro e produzir dois efeitos:

- Quanto aos homens não casados, o Senhor será o centro das suas vidas e o desejo dos seus corações será agradar-Lhe em tudo. Um exemplo bem eloqüente é-nos dado pelo apóstolo Paulo, e, de resto, pela vida de muitos irmãos piedosos.

- Quanto às jovens celibatárias, o seu desejo será a santidade do corpo e do espírito, e viverem para o Senhor, separadas de todo o mal, podendo servi-LO sem que os cuidados de uma própria família as detenham.

Segundo 1 Coríntios 7:37, aquele que tem a convicção de que o Senhor o chama a servi­-LO, sem ser casado, e recebe a força necessária para permanecer firme, tendo tomado a sua decisão bem do fundo do seu coração, faz bem em ficar tal como está.

Aquele que aceita a sua condição como um dom de graça da mão do Senhor, receberá da Sua parte uma vida cheia dEle!

O profundo desejo que muitas jovens cristãs têm de se casar nem sempre é concedido pelo Senhor. Isto produz nelas um intenso exercício de coração, o qual só o Senhor conhece. Ele sabe de quantas propostas elas podem ser objeto por parte de jovens inconvertidos, e que outros de certo modo consideram-na desprezada nesta condição. Mas o Senhor saberá conceder medida generosa de Sua benção aos que aprenderam a dizer "sim" aos caminhos que Deus lhes propõe.

Várias passagens das Escrituras mostram-nos a bênção que os fiéis receberão no final, a qual contrasta coma sua condição presente (Isaías 54:1 e 56:3-5).

Éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

Efésios 2:3.

[Mas Deus] nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade...para que...fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência# há no mundo.

2 Pedro 1:4.

# Concupiscência = vontade ardente. São os impulsos, os desejos desregrados da carne.

Os distintivos das naturezas que há no crente

No crente ainda está um lega­do de Adão: a velha natureza. Mas ele também recebeu, por ocasião no novo nascimento, uma nova natureza. Ambas estão no crente, lado a lado, no entanto são totalmente conflitantes. A afi­nidade entre elas é tanto quanto a da luz com a escuridão. São de origens, fundamentos e tendênci­as completamente opostas.

Mas não é necessário que essa velha natureza que está no crente lhe seja um empecilho em sua comunhão com Deus. De fato, nós nem somos responsáveis pela existência dela, porém somente por suas manifestações. É à medida que lhe permitimos mani­festar-se que estaremos prejudi­cando a nossa espiritualidade. Nenhuma das duas naturezas é revestida de responsabilidade; esta é requerida diretamente da pes­soa. Também não se diz da nova natureza que ela seja nascida de Deus: isso é dito, sim, da pessoa, a criatura responsável.

Os distintivos da velha nature­za são o apetite pela prática do mal e a rebeldia contra Deus. Na nova natureza temos o apreço pela santidade, e a obediência e dependência de Deus.

A velha natureza se alimenta do mundo com suas muitas atra­ções que satisfazem a todos os gostos. A nova natureza se ali­menta de Cristo, da Palavra de Deus e das coisas celestiais.

A força motriz da velha nature­za é Satanás, a da nova natureza o Espírito Santo A velha natureza opera para a morte, a nova para a vida.

Portanto, "andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscên­cia # da carne" (Gálatas 5: 16).

 

As duas naturezas do crente