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Estudos Sobre a Palavra de Deus - Tiago 5
Estudos Sobre a Palavra de Deus - Tiago 5

“ESTUDOS SOBRE A PALAVRA DE DEUS”

Tradução de “Synopsis of the Books of the Bible- John Nelson Darby

EPÍSTOLA S. TIAGO – CAPÍTULO 5

As duas classes existentes em Israel são nitidamente desenhadas aqui, em contraste uma com a outra; depois o apóstolo fala do comportamento que deve ter o Cristão, quando é castigado pelo Senhor.

A vinda do Senhor é apresentada aqui como sendo o término da situação deles, tanto dos ricos, incrédulos e opressores, em Israel, como do pobre Remanescente crente. Os ricos têm amontoado tesouros para os últimos dias; os pobres, oprimidos por eles, devem ter paciência, até que o próprio Senhor venha Iibertá-los. Aliás - diz o apóstolo - a libertação não tardará. O agricultor espera a chuva e o tempo da recolha; O Cristão aguarda a vinda do seu Senhor. Esta paciência, já o fizermos notar, caracteriza a marcha da fé:

Verificou-se esse fato nos profetas; e, noutros casos, temos por bem­ aventurados os que sofreram por causa do Nome do Senhor. Jó instruiu-nos acerca dos caminhos do Senhor: Ele teve de ter paciência; mas o fim que o Senhor lhe destinou foi, para ele, de bênção e de terna compaixão.

Esta espera da vinda do Senhor constitui uma solene advertência, e, ao mesmo tempo, um encorajamento mais poderoso, mantendo, porém, o verdadeiro caráter da vida prática cristã. Mostra também onde terminará o egoísmo, a vontade própria, e refreia todo o movimento dessa vontade nos crentes. Os sentimento dos irmãos uns para com os outros são colocados sob a salvaguarda dessa mesma verdade. Não se deve ter um espírito de descontentamento nem de murmuração contra os outros, mais favorecidos talvez pelas circunstâncias exteriores em que se encontram colocados: o Juiz está à porta!

Os juramentos mostram ainda mais o esquecimento de Deus e, por conseguinte, a ação da vontade própria da natureza. O sim deve ser sim, e o não, não. A ação da natureza divina na consciência da presença de Deus e a repressão de toda a vontade do homem e da natureza pecadora, eis o que o escritor desta Epístola deseja.

Ora, o Cristianismo tem recursos tanto para a alegria como para o desgosto. Está alguém aflito? Ore. Deus está pronto a ouvir. Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo­-o com azeite, e a correção será retirada, e os pecados pelos quais ele fora punido, segundo o governo de Deus, serão perdoados, pelo que concerne a esse governo, porque aqui se trata apenas disto: a imputação do pecado em condenação não tem lugar aqui.

A eficácia da oração da fé é aqui colocada perante nós, mas é em relação com a atitude da sinceridade do coração. O governo de Deus exerce-se a respeito do Seu povo. Ele repreende os Seus por meio de doenças, se assim o entender - e é importante que a verdade no homem interior seja mantida. Escondemos as nossas faltas; gostaríamos de andar como se tudo corresse bem em nós, mas Deus julga o Seu povo, penetrando no mais recôndito do seu ser. Assim, o crente é, por vezes, mantido em laços de aflição. Deste modo Deus dá-lhe a conhecer quer as suas faltas, quer a sua vontade própria, não refreada. O homem "também na sua cama é com dores castigado, e com a incessante contenda dos seus ossos" (Jó 33:19). Então a Igreja de Deus intervém em caridade, e segundo a ordem estabelecida, por intermédio dos presbíteros; o doente remete-se a Deus, reconhecendo o seu estado de necessidades; a caridade da Igreja exerce-se e leva perante Deus aquele que está sendo castigado, segundo a relação em que ela mesma se encontra - porque é ali que a Igreja se encontra. A fé torna produtora esta relação de graça; o doente é curado. Se pecados, e não apenas a necessidade de disciplina, acarretarem esse castigo, esses pecados não impedirão a cura do doente; ser-lhes-ão perdoados.

Tiago apresenta em seguida o princípio, como direção para todos em geral, que os Cristãos devem abrir os seus corações uns aos outros, a fim de manterem a verdade no homem interior quanto a si mesmo; e devem orar uns pelos outros, a fim de que a caridade esteja sempre em pleno exercício quanto às faltas de outrem. A graça e a verdade são assim espiritualmente formadas na Igreja, assim como uma perfeita união de coração entre os Cristãos, de modo que as próprias faltas se tornam uma ocasião para o exercício da caridade, como o são para Deus em relação a nós; e que haja plena confiança entre uns e outros, segundo esta caridade, tal como é sentida com um Deus que restaura e que perdoa. Que belo quadro de princípios divinos, animando os homens e fazendo­-os agir de harmonia com a natureza do próprio Deus e a influência do Seu amor sobre o coração!

Convém notar que não se trata de confissão aos presbíteros. Isso representaria uma confiança nos homens, uma confiança oficial. Deus quer a operação da caridade divina em todos. A confissão recíproca de uns aos outros mostra a condição da Igreja; e Deus queria ver a Igreja num estado tal que o amor reinasse nela, de tal sorte que estivesse bastante perto d'Ele para tratar o pecador de acordo com a graça que nos revelou, e que este amor divino fosse de tal modo realizado que a sinceridade perfeita e interior fosse produzida pela confiança e pela operação desta graça. A confissão oficial não só é oposta a tudo isto, como também o destrói. Quão divina é a sabedoria que omitiu a confissão ao falar dos presbíteros, mas que a recomenda como sendo a expressão viva e voluntária do coração!

Isto leva-nos também ao valor da oração enérgica do homem justo. E a sua proximidade de Deus e, por conseguinte, a consciência que ele tem do que Deus é, que (por graça e pela operação do Espírito) lhe dá este poder. Deus tem em conta os homens; faze-o de harmonia com o Seu infinito amor. Tem em conta a confiança que tem n'Ele, a fé que tem na Sua Palavra um coração que pense e que atue segundo um ajusta apreciação do que Ele é. É sempre a fé que torna sensível aquilo que se não vê - o próprio Deus, que atua segundo a revelação que deu de Si mesmo. Ora, o homem que, no sentido prático, é justo pela graça, está perto de Deus. Na qualidade de justo, não tem de tratar com Deus a seu respeito acerca do pecado, que manteria o seu coração a distância; o seu coração tem liberdade para se aproximar de Deus, segundo a santa natureza do próprio Deus, em favor dos outros. E sendo movido pela natureza divina que o anima e que o torna capaz de apreciar Deus, procura, de harmonia com a atividade desta natureza, fazer prevalecer as suas preces junto de Deus, seja para o bem dos outros, seja para a glória do próprio Deus no Seu serviço. Ora, Deus respondo segundo esta mesma natureza, abençoando esta confiança e a ela respondendo para manifestar o que Ele é para a fé, a fim de a encorajar, sancionando a sua atividade e pondo o Seu selo sobre aquele que anda pela fé (2).

O Espírito de Deus atua, como sabemos, em tudo, mas o apóstolo não fala aqui d'Ele. Tratado efeito prático e apresenta o homem tal como ele é, atuando sob a influência desta natureza, na sua energia positiva em relação a Deus e perto d'Ele, de sorte que atua em toda a sua intensidade, sendo movida pelo poder dessa proximidade. Mas, se considerarmos a ação do Espírito, estes pensamentos são confirmados. O homem justo não entristece o Santo Espírito, e o Espírito opera nele segundo o Seu próprio poder, não tendo de pôr previamente a sua consciência em regra com Deus, mas atuando no homem de harmonia com o poder da Sua comunhão com Deus.

Finalmente, temos a certeza de que a oração ardente e enérgica do homem justo é de uma grande eficácia: É a operação da fé que conhece Deus, que conta com Ele e d'Ele se aproxima.

O exemplo de Elias é interessante (e há outros exemplos semelhantes), mostrando como o Espírito Santo atua interiormente num homem em quem vemos a manifestação exterior do poder de Deus. A história relata-nos a declaração de Elias: "Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, que, nestes anos, nem orvalho nem a chuva haverá, senão segundo a minha palavra" (1 Reis 17:1). Eis a autoridade, o poder, exercidos em nome de Jeová. Neste Epístola, a operação secreta, o que se passa entre a alma de Deus, é posta em evidência. O homem justo orou, e Deus atendeu a sua oração. Temos o mesmo testemunho da parte de Jesus junto do túmulo de Lázaro.

(2) É bom notar que isto é apresentado em relação com as vias governamentais de Deus, e assim, é sob o título do Senhor, lugar que Cristo ocupa de uma maneira especial, embora aqui este termo seja empregado de uma maneira legal. Compare-se o verso 11 com a referência judaica geral da passagem. Para nós. nós temos um só Deus, o Pai, e um só Senhor, Jesus Cristo. Ele tornou-se Senhor e Cristo, e toda a língua confessará que Jesus Cristo é Senhor.

Somente, neste último caso, as duas coisas estão reunidas, exceto a oração não nos ser dada, a não ser que ela esteja no suspiro inexprimível do espírito de Cristo (ver João 11).

Comparando o capítulo 2 da Epístola aos Gálatas com a narrativa do capítulo 15 de Atos, encontramos que foi uma revelação da parte de Deus que determinou o procedimento de Paulo quando subiu a Jerusalém, quaisquer que tenham sido os motivos exteriores que, aliás, eram conhecidos de todos. Por exemplos tais como aqueles que o apóstolo propõe à Assembléia, e por aqueles de Elias e do Senhor Jesus, é-nos revelado um Deus vivo, atuante, interessando-Se pelo que se passa no seio do Seu povo.

A Epístola mostra-nos também a atividade do amor para com aqueles que se extraviam. Se alguém se afasta da verdade e houver quem o reconduza pela graça (por muito simples que a sua ação possa ser), saiba aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma; e, conseqüentemente, serão cobertos todos esses pecados que se apresentam na sua odiosa natureza perante os olhos de Deus, e que ofendem a Sua glória e o Seu coração pela sua presença no Seu universo. Se a alma for levada a Deus pela graça, todos os seus pecados são perdoados, desaparecendo de diante da face de Deus. Aqui o apóstolo, como em qualquer outro lugar, não fala do poder que atua nesta obra de amor, mas sim do fato. Aplica-o aos casos que se tinham manifestado entre eles, mas pondo um princípio universal quanto ao efeito da atividade da graça na alma que dela está animada. A alma extraviada é salva; os seus pecados são tirados de diante dos olhos de Deus.

A caridade na Igreja suprime, por assim dizer, os pecados que, sem ela, quebrariam a união e subjugariam essa mesma caridade, aparecendo em toda a sua torpeza e em toda a sua malignidade diante de Deus; ao passo que, descobertos pelo amor na Igreja, eles não vão mais longe, sendo dissolvidos, por assim dizer (quanto ao estado de coisas diante de Deus neste mundo), e postos de lado por essa caridade que eles não puderam vencer. O pecado é vencido pelo amor que dele se ocupou; desaparece; é tragado por esse amor. A caridade cobre assim uma multidão de pecados. Aqui, trata-se da sua ação na conversão de um pecador.

 

Olhando para Jesus