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Andar por Fé (Parte 2)
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Andar por Fé (parte 2)

 

Uma Tenda e um Altar

"Pela fé, Abraão, sendo chamado,obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia. Pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas, com Isaque e Jacó, herdeiros, com ele, da mesma promessa; porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus" (versoss-10).

Em seguida o apóstolo ocupa­-se de outro ponto: a manifestação ativa e prática do poder da fé. Era o que fortalecia a Abraão. Ele confiava cegamente, por assim dizer, em Deus. O Senhor chamou-o por Sua graça e ele "saiu sem saber para onde ia". Há, neste ato, algo mais do que aceitar um testemunho; há uma confiança implícita em Deus. Quando alguém diz: "Se eu soubesse que consequências me sobreviriam ao fazer isso, então sim, eu confiaria em Deus", não atua como atuou Abraão. É preciso andar sem se saber aonde vamos, tendo apenas posto a nossa confiança n' Aquele que nos conduz. Deus nos dará luz suficiente para que possamos dar o primeiro passo, ainda que não possamos distinguir qual há de ser o segundo; mas quando tivermos dobrado a esquina veremos o que se encontra do outro lado, ou mesmo mais além do caminho.

Assim, quando dermos um passo, comprovaremos, por experiência, que Deus não nos proporcionará nunca uma plena satisfação neste mundo. Abençoa­-nos, mas não nos garante a satisfação ou a consecução de bens ou certezas materiais. Quando Abraão chegou à terra que, mais tarde, havia de ser a sua herança, que foi que ele recebeu? Nada! Foi sempre um forasteiro, um estrangeiro; um "estrangeiro e transeunte sobre a terra" . E isto o que desagrada ao coração humano e o que frequentemente o desilude. Temos os nossos próprios pensamentos acerca das esperanças que forjamos para o porvir, e, às vezes, preocupamo­-nos com o que faremos dentro de vinte anos ou mais - e, entretanto, é muito possível que Deus nos conduza ao Seu descanso!

Deus guiou Abraão à Terra Prometida, mas depois começou a dirigir os seus pensamentos para uma outra pátria! Agora Abraão aproxima-se de Deus, e fica colocado num ponto de vista de fé suficientemente elevado para poder ver que tudo está ainda à sua frente, em esperança, e não em realidade que se possa tocar e apalpar. O Senhor revela-Se ao patriarca em comunhão; fala-lhe, manifesta-lhe os Seus desígnios, e, maravilhado, Abraão adora, e, como peregrino e adorador, é caracterizado por duas coisas: a sua tenda de campanha e o seu altar. E Deus faz o mesmo conosco: faz-nos cristãos, leva­-nos à "terra prometida" e mostra-nos que tudo está ainda à nossa frente, não de modo visível e palpável, mas sim em esperança. Portanto, agora não é o tempo de descanso; mas os caminhos de Deus tomam-se mais claros aos nossos olhos, e percebemos que temos o privilégio de sermos estrangeiros e peregrinos com Deus, e que o seremos até que cheguemos à nossa casa, na morada de Deus.

Queridos amigos, em que estado vos encontrais em relação ao que acabamos de expor? Podeis dizer, em verdade: "A morada do meu coração está lá, onde Deus mora; não tenho nem busco nenhuma outra"? Não há nada que seja obstáculo entre nós e Deus; não há pecado entre nós e Ele, ou - de contrário - Cristo não estaria na Sua presença; mas Ele está ali, porque aboliu o pecado. Este e Cristo não podem estar ao mesmo tempo perante Deus. No que toca à vossa salvação, podeis dizer, por conseguinte, que descansais plenamente no Senhor Jesus Cristo - ou então ocupai-vos em regular o que já está resolvido pelo Senhor! Que Ele vos conceda crerdes no Seu testemunho e ter fé no Seu poder.

O que caracteriza a fé é que ela conta com Deus não apenas apesar das dificuldades, mas também apesar dos impossíveis. A fé não se ocupa dos meios; conta· com as promessas do Senhor. Aos olhos do homem natural, quando se trata de meios para facilitar tal ou tal coisa, já não é Deus quem opera; quando alguém se confia a meios ou faculdades materiais, já não se trata da obra de Deus. Quando o homem se encontra frente ao impossível é preciso que Deus intervenha - e aqui se manifesta mais nitidamente o caminho reto e bom em que só Deus faz o que Lhe convém. E a fé sujeita-se à Sua vontade - e não a outra. Portanto, não toma conselho nem dos meios nem das circunstâncias. Por outras palavras: a fé não consulta "nem a carne nem o sangue". É evidente que, se a fé for débil, o homem apoiar-se-á mais facilmente nos meios exteriores do que nas obras de Deus. Recorde-se que quando as coisas são factíveís para o ser humano, quando estão ao seu alcance, não há necessidade de fé, porque não se precisa da ener­gia do Espírito. Nós, os cristãos, atuamos muito e conseguimos pouco - e perguntamos a nós mesmos: Por quê?

 

Estrangeiros e Transeuntes

"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas; mas, vendo-as de longe, e crendo-as e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na Terra. Porque, os que isto dizem claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial. Pelo que, também, Deus se não envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade" (versos 13-16).

Não só se diz destes crentes que são "estrangeiros e peregrinos" , ou transeuntes, mas também que "o confessam". Todavia, aparecem às vezes pessoas que estão conscientes de serem religiosas no coração - no mais recôndito do seu ser - mas que não querem falar do Senhor. Em tais casos, basta que se diga que não pode haver nelas nenhuma energia de fé. Se reconhecemos que o mundo está julgado e perdido, se às nossas esperanças estão concentradas no Céu, deve resultar necessariamente daí que pensemos e operemos como estrangeiros e peregrinos nesta terra - e isto deve manifestar-se durante toda a nossa vida. Se o nosso coração está já em Cima, no Céu, não pode ficar sem o demonstrar. Isto implica, evidentemente, uma profissão pública e declarada, ou seja um claro testemunho para Cristo. Estaríamos nós satisfeitos com um amigo que não nos reconhecesse ou não confessasse a sua amizade por nós, quando as circunstâncias nos fossem adversas? Um cristão que se esconde, que oculta a sua fé, é, evidentemente, um mau cristão.

Olhando para Jesus, pela fé, as coisas que vimos de longe tomam-se próximas, como se já as estreitássemos nos braços. Como crentes, já não nos ocupamos do país de onde saímos; o nosso coração vincula-se com essa outra pátria que está à nossa frente. Ao surgirem certas dificuldades, se os afetos do nosso coração não estiverem postos em Jesus, o mundo não tardará a recuperar o seu domínio sobre nós.

Quando o apóstolo Paulo declara que "o que para mim era ganho, reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo" (Filipenses 3:7-8). A constância do coração mostra que os afetos de um cristão estão dirigidos para o que está à frente, isto é, que as suas esperanças estão nas coisas celestiais, e então o Senhor não Se envergonha de ser chamado seu Deus.

De duas, urna: ou se manifesta a "carne", ou atua a fé. Na verdade, é impossível que possamos deter-nos entre ambas. O cristão tem de inclinar-se para o que é do Céu. Os anelos, os desejos do novo homem são celestiais. Intentar vinculá-los novamente ao mundo, com o fim de melhorá-lo, valendo-nos do Cristianismo, é urna coisa terrena. Não é esse o desígnio do Senhor; Ele quer vincular-nos ao Céu. Devemos, pois, fruir o Céu sem o mundo, ou o mundo sem o Céu. Aquele que nos prepara uma cidade não pode querer para nós algo que se interponha entre ambos. O anelo de urna pátria melhor é o desejo de urna natureza inteiramente ·celestial.

"Pela fé, ofereceu Abraão a lsaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas, ofereceu o seu unigênito; sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar; e daí, também, em figura, ele o recobrou" (versos 17-19).

Abraão aferrava-se às promessas de preferência aos afetos naturais. Para ele, a força da prova consistia em que Deus tinha designado a Isaque corno a descendência aceite, à qual iam unidas as promessas. A fé conta com Deus, e Deus detém a Abraão e confirma-lhe as promessas acerca da sua descendência, iniciada em Isaque.

Ao obedecermos, adquirimos um conhecimento dos caminhos de Deus, que sempre ignoraríamos sem a dita obediência. A incredulidade faze­-nos perder o gozo, o poder e a vida espiritual. Em tais condições, já não sabemos onde estamos nem aonde vamos.

 

Movido pela Fé, Moisés...

"Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de faraó, escolhendo, antes, ser maltratado, com o povo de Deus, do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo, do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa" (versos 24-26).

O coração carnal vale-se da providência de Deus para a utilizar contra a vida da fé. A providência leva a filha de Faraó até Moisés, ainda menino, colocando-o (pelo menos assim parece) no meio da sabedoria do mundo, na corte de Faraó, para utilizar a sua influência em favor de Israel. Mas agora, a primeira coisa a que a o obriga é a abandonar tudo aquilo. E certo que, graças à sua influência na corte de Faraó, Moisés pôde ser útil a Israel, mas este teve de permanecer na servidão do Egito. A fé é "imprudente", mas tem essa prudência eterna que confia em Deus e nada mais do que em Deus. A fé discerne o que é do Espírito - e o que não é do Espírito não é da fé, não é de Deus. Atermo-nos à providência do modo que, à primeira vista, se nos apresentam os fatos, é, no fundo, desejar" gozar das delícias passageiras do pecado"; ama-se o mundo e procura-se o apoio nas circunstâncias em vez de o procurar em Deus, não se tratando, em tal caso, de uma boa providência, visto o homem, finalmente, se perder. Moisés parece inutilizar-se a si mesmo ao preferir o opróbio do povo de Deus, em tão má situação. Bem podia ele ver o povo nessa triste condição, mas a sua fé identifica o povo de Deus com as promessas do Senhor, e considera-o, não segundo o seu estado atual, mas, sim conforme aos pensamentos de Deus. Enérgico contra o mal, Moisés conta só com Deus no que se refere ao Seu povo.

"Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível" (verso 27).

O mundo desejaria convencer­-nos de que somos bons cristãos quando atuamos e andamos com os outros. Mas, chamada à glória, a fé tem, necessariamente, de deixar o Egito, porque não é ali o lugar em que Deus colocou a glória; gostar de estar no mundo não é, de modo algum, gostar de estar no Céu: "Tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo" (1 João 2: 16).

Deixar o mundo quando este nos rejeita ou nos separa de si não é operar por fé, mas sim mostrar que a nossa vontade era permanecer nele tanto tempo quanto pudéssemos. A fé opera segundo as promessas de Deus, e não porque se veja rejeitada pelo mundo. Moisés via "o que era invisível", e isto fortalece-o e confirma-o. De igual modo, quando sentimos a presença de Deus, Faraó não representa nada, e isto, não porque as circunstâncias sejam menos perigosas, mas sim porque Deus está presente.

Quando desfrutamos da comunhão com o Senhor, as circunstâncias convertem-se em ocasião para uma obediência agradável; mas note-se que o que manifesta a obediência em Jesus é uma pedra de tropeço para Pedro. Cristo Jesus apura o cálice da Sua agonia, que o Pai Lhe envia, mas Pedro puxa da espada. Onde não há comunhão, há fraqueza e indecisão.

 

Os Muros de Jericó, Raabe  e Muitos Outros Testemunhos

"Pela fé, cairam os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias" (verso 30).

Ao som das trombetas dos chifres de carneiros, depois de o povo ter dado sete vezes a volta à cidade, desmoronam-se os muros de Jericó. As mesmas coisas, que parecem vis e desprezíveis, não o são quando feitas ante o Senhor (veja-se 2 SamueI6:20-23). Para a fé, as muralhas nada representam; não constituem um maior obstáculo do que foram o Mar Vermelho e o caudaloso Jordão.

"Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias" (verso 31).

Quem teria pensado ver Raabe enquadrada nesta nuvem de testemunhas?! Sem dúvida, pela fé, ela reconhece a Deus. A sua fé parece-se com a de Moisés. Raabe identifica-se com esse povo ao qual reconhece como" o povo de Deus" ao ouvir as maravilhas operadas pelo Senhor em favor deles: "Bem sei que o Senhor vos deu esta terra ... porque temos ouvido que o Senhor secou as águas do Mar Vermelho diante de vós, quando saí eis do Egito ... " (veja-se Josué 2:8-12). A fé omite as distinções sociais e não reconhece as diferenças estabelecidas pelos homens. A fé diz que Deus é rico em misericórdia para com todos os que O invocam. No meio das dificuldades, Raabe ocupa também o seu lugar entre o povo de Deus.

"E que mais direi? Faltar­-me-ia o tempo para contar de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos" (versos 32-34).

A confiança da fé manifesta­-se no conjunto da vida cristã. Frequentemente os cristãos metem-se em apuros porque medem as suas próprias forças com a tentação, em vez de se aterem exclusivamente a Deus; e os que tal fazem, só podem chegar até certo ponto. Um, invocará a sua família; outro, preocupar-se­-á com o seu porvir, etc., etc. (Se sabemos de alguém que não tem fé, a única coisa que podemos fazer é orar por ele). Nos diversos interesses da vida material, os nossos raciocínios, para nos justificarmos, equivalem a dizer: "Não tenho a fé que se apoia inteiramente em Deus". Esta fé olha absoluta e exclusivamente para o Senhor. O cumprimento do dever acarreta sempre dificuldades, mas então temos a consolação de podermos dizer: "Deus está ali, e, portanto, a vitória é certa"; de outro modo, sempre haverá na nossa mente algo mais forte do que Deus. Isto exige, pois, uma submissão perfeita e prática da vontade.

Se, como filhos de Deus, formos fiéis, convém que Ele nos deixe nas dificuldades e nas provações, para fazer sobressair em nós aquilo que não procede do Espírito. Mas o Senhor pode também permitir que o mal siga o seu curso, e nos submeta à prova, a fim de que compreendamos que o objeto da fé se não encontra neste mundo, e para que vejamos que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, Deus pode intervir, como fez com Abraão quando do sacrifício de Isaque, e, de igual modo, na ressurreição de Lázaro.

O homem não vai mais além das circunstâncias que o rodeiam, e deter-se nessas circunstâncias equivale à incredulidade: "Porque do pó não procede a aflição" (Jó 5:6). Satanás está por detrás das circunstâncias para atrair sobre estas os nossos olhares; mas, em última análise, Deus está presente para quebrantar a nossa vontade.

"Portanto nós, também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado, que tão de perto nos rodeia, e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, OLHANDO PARA JESUS" (Hebreus 12:1-2).

N. Darby

 

"Estudos sobre a palavra de Deus” - Hebreus 11